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Lira deixar� Frente da Leg�tima Defesa

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| LUIZA BARREIROS Repórter O deputado federal Benedito de Lira (PP) disse ontem que pretende oficializar na próxima semana a entrega do cargo de coordenador estadual da Frente Parlamentar Pela Legítima Defesa. A frente prega o voto ?não? no referendo que será realizado no próximo dia 23 de outubro, no qual os eleitores terão que responder ?sim? ou ?não? à pergunta: ?O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil??. Segundo Lira, o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), coordenador nacional da frente pró-armas, não o consultou a respeito da inclusão de seu nome entre os integrantes da frente. ?Não fui consultado sobre isso, nem sobre essa coordenação, e vou pedir a minha substituição tão logo chegar a Brasília, na próxima semana?, explicou ontem o deputado, que estava em Maceió. Lira era o único parlamentar alagoano a integrar a frente. O senador Renan Calheiros (PMDB), autor do Estatuto do Desarmamento, integra a Frente Brasil Sem Armas, que defende o voto ?sim? no referendo. Sem tempo Ao justificar sua decisão, o deputado Benedito de Lira ? que é coordenador da bancada federal do Estado ? alegou não ter nenhum vínculo com o tema e não ter tempo para se dedicar à coordenação estadual da frente. O nome de Lira chegou a ser oficializado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas em ofício encaminhado pela Frente pela Legítima Defesa. Ontem, Lira disse que ainda não tem posição definida a respeito do voto que dará no referendo. ?Vou aguardar as manifestações para poder decidir qual será o meu voto?, disse. DESPESA Para Benedito de Lira, o referendo não irá resolver ?em absolutamente nada? o problema da violência no País. ?A saída para reduzir os índices de violência não está no desarmamento. Mas o Estatuto [do Desarmamento] já foi aprovado e o referendo agora não vai trazer nenhum benefício para a população, apenas despesas para o País?, opinou. Lira disse ainda que, durante a tramitação do Estatuto, sequer participou dos debates da matéria na Câmara Federal. ### Brasil Sem Armas é lançada dia 22 em AL A Frente Parlamentar Brasil sem Armas lança no próximo dia 22, em Maceió, o comitê alagoano pela proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil. O comitê trabalhará na mobilização da opinião pública pelo voto ?sim? no referendo marcado para 23 de outubro, no qual a população vai decidir se é a favor ou contra a proibição. O lançamento da Frente está programado para as 11 horas, na sede da seccional alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Deverão participar do lançamento o senador alagoano Renan Calheiros (PMDB) ? presidente do Senado e autor do projeto que instituiu o Estatuto do Desarmanento ?, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), coordenador nacional da Frente, além de representantes de entidades da sociedade civil engajadas na campanha. Até ontem ainda não havia sido definido quem coordenará o comitê da Frente Brasil Sem Armas em Alagoas. O nome deverá ser definido ainda esta semana. A partir da instalação da frente, serão promovidos debates em escolas, universidades e locais de trabalho sobre a violência e os homicídios por arma de fogo, lembrando que os jovens são as principais vítimas. Pesquisa Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que apontou queda de 8,2% no número de mortes por armas de fogo em 2004. Foi a primeira vez, desde 1992, que ocorre redução da mortalidade por esta causa no País e o resultado foi ligado às medidas legais de controle de armas, estabelecidas pelo Estatuto do Desarmamento (aprovado em dezembro de 2003) e o recolhimento de armas (iniciado em julho de 2004) . Segundo a pesquisa, mais de três mil vidas foram poupadas com a redução do uso de armas de fogo, a partir do Estatuto do Desarmamento. Em 2003, foram 39.325 mortos por armas de fogo; em 2004, foram 36.091. O resultado foi comemorado por Renan Calheiros. Para ele, a pesquisa reforçou a convicção de que o Brasil só tem a ganhar com a proibição do comércio de armas de fogo e munição. ?O desarmamento não vai acabar com a violência, mas reduzir a criminalidade?, avaliou. |LB

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