Política
Carimb�o cr� na inoc�ncia de Severino
| LUIZA BARREIROS Repórter O deputado federal Givaldo Carimbão (PSB) disse ontem que considera ?precipitadas? as articulações feitas pela oposição e pelo governo para encontrar um substituto para o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), caso ele venha a ser afastado ou até mesmo cassado. ?A pior coisa do mundo é não ter direito de defesa?, disse Carimbão, referindo-se às acusações de que Severino teria cobrado propina de Sebastião Augusto Buani, dono do restaurante Fiorella, que funcionava num prédio do Congresso. O pagamento da propina ? que vem sendo chamada de ?mensalinho? ? foi confirmado ontem pelo empresário, mas vem sendo negado por Severino. Suplente da Mesa Diretora e membro da Comissão de Sindicância que está investigando as denúncias contra Severino, Carimbão disse que ontem falou com assessores muito próximos do presidente da Casa. ?O que me disseram é que o documento que foi apresentado é falso e que há uma grande armação contra ele?, observou Carimbão. Ele disse que também entrou em contato ontem com o corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), que defendeu o presidente Severino Cavalcanti. ?Todos me dizem que há uma armação. Até que me provem o contrário, acho que devemos agir com responsabilidade e maturidade para não cassar um inocente?, disse. O documento a que Carimbão se referiu é a cópia de um suposto contrato assinado em março de 2002, no qual Severino estenderia a concessão do restaurante até janeiro de 2005 de forma clandestina e irregular. Segundo Carimbão, é preciso dar oportunidade para que Severino Cavalcanti apresente sua defesa. ?Cassar deputado é tudo o que o povo quer, mas só podemos fazer isso se forem apresentadas provas de que isso aconteceu?, afirmou. VIAGEM Givaldo Carimbão estava ontem em Maceió, já que a semana foi ?enforcada? em Brasília, pelo feriado do dia 7 de setembro. O deputado garantiu ontem que pretende antecipar seu retorno para o próximo domingo, para já começar a semana em Brasília. Givaldo Carimbão confirmou que tem amizade pessoal com Severino. Essa proximidade garantiu, em abril deste ano, que Carimbão participasse de um jantar promovido na Embaixada do Brasil, em Roma, para os ex-presidentes da República, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante os funerais do papa João Paulo II. Foram convidados para o jantar os ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco e os presidentes da Câmara e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Severino telefonou para a Embaixada e pediu para que Carimbão pudesse participar do jantar. Como recebeu uma resposta negativa de um funcionário, ameaçou desistir de comparecer ao encontro. Diante da ameaça, Itamar estendeu o convite a Carimbão, que acabou sendo apresentado ao presidente Lula.