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| GILVAN FERREIRA Repórter A pouco mais de um ano da eleição para o governo do Estado, o horizonte político em Alagoas continua nebuloso: os grupos políticos procuram se cacifar, lançando balões de ensaio ou apresentando pré-candidatos que consideram fortes, para atrair alianças vantajosas. No fundo, todos estão mesmo é à espera da definição do principal ator do atual cenário eleitoral alagoano: o senador Renan Calheiros (PMDB). As forças políticas que terão peso nas eleições do ano que vem em Alagoas aguardam uma definição do presidente do Senado. Mas Renan mantém o suspense e transferiu sua decisão final para o longínquo mês de janeiro de 2006, quando faltarão dez meses para a eleição. Enquanto Renan não se define, três nomes se colocam para a discussão política: o vice-governador Luis Abílio (PSB), o deputado federal João Lyra (PTB) e o presidente da Assembléia Legislativa Estadual (ALE), deputado Celso Luiz (PMN). O nome de Luis Abílio é considerado, por enquanto, uma tentativa de ocupar espaços e deixar o PSB ? que até a derrota eleitoral em Maceió no ano passado, era o maior partido de Alagoas ? em condições de negociar pelo menos a indicação do candidato a vice-governador. Segundo a vice-presidente do diretório estadual do PSB, Kátia Born ? que se lançou primeiro para governadora e depois ?desceu? suas pretensões para a disputa por uma vaga de deputada federal ? o lançamento da candidatura de Luis Abílio é ?para valer? e teria o apoio dos 102 diretórios municipais do partido e das lideranças políticas que permaneceram na sigla. ?Nós estamos negociando com os outros partidos do campo da esquerda, com vários deputados estaduais, vários prefeitos e outras lideranças políticas. Eu acho que o Luis Abílio é um candidato muito bom e pode sair como candidato de consenso das forças políticas que apóiam o governador Ronaldo Lessa?, defendeu Kátia. Dúvidas Já o governador Ronaldo Lessa não mostra tanta convicção quanto ao lançamento do nome de Luis Abílio a sua sucessão. ?É bom lançar. A eleição pressupõe dois turnos. Então o PSB quer mostrar que tem candidato e que está forte. Isso faz parte do jogo político e está correto. É bom e não atrapalha a democracia, fortalece. O que não pode existir é o vazio em política. Mas se em janeiro de 2006 o senador Renan Calheiros assumir que é candidato, as forças políticas que estão no mesmo campo político sentam para conversar, para discutir, não há problema nisso?, explicou Lessa. Vaga no TCE Na Assembléia Legislativa (ALE), a bancada governista garante que Luis Abílio é candidato, sim ? mas a uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), a primeira que for aberta no próximo ano pela aposentadoria de um conselheiro. Abílio teria o apoio fechado da maioria dos 27 deputados estaduais para a vaga. Outra certeza na Assembléia Legislativa é que o deputado Celso Luiz (PMN) pode ser um nome de consenso interno para disputar o governo do Estado. Hoje, Celso tem o apoio integral da bancada do governo e não teria dificuldades para receber o apoio de outros deputados estaduais. ### Até o fim do mês, muitas novidades O deputado Celso Luiz confirmou que tem interesse em disputar o governo do Estado, mas também ainda aguarda uma posição definitiva do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros. Segundo a sua assessoria, Celso Luiz não aceitou a sugestão da ex-prefeita Kátia Born para não disputar o governo e apoiaria o nome de Luis Abílio ? se de fato este for candidato ao governo ?, e em troca assumiria os seis últimos meses de governo de Ronaldo Lessa, que vai renunciar para disputar uma vaga no Senado. Como Abílio também renunciaria ao cargo, sobraria para Celso, como presidente da Assembléia Legislativa, herdar a cadeira do Palácio dos Martírios. ?O deputado Celso Luiz não aceita essa proposta?, diz a assessoria do presidente da ALE. ?Ele mostra interesse de disputar o governo do Estado, caso o senador Renan Calheiros desista da disputa?. Fator Lyra Enquanto os pretensos candidatos esperam pelo senador Renan Calheiros (PMDB), o empresário e deputado federal João Lyra (PTB) trabalha para consolidar sua pré-candidatura ao governo e tenta avançar nas negociações em torno de seu nome. Apesar de garantir que ainda vai aguardar a decisão do PTB, Lyra já tem pronta sua estratégia para a disputa do governo do Estado ? inclusive já trabalha na montagem de sua assessoria para a eleição. João Lyra tem ficado menos tempo em Brasília e atuado mais no Estado. Nestes últimos dias, o parlamentar tem visitado vários municípios de Alagoas e, na capital, vem participando de inaugurações de obras da Prefeitura de Maceió. Em discurso numa recente inauguração da Prefeitura de Maceió, no Pontal da Barra, João Lyra falou de projetos para Alagoas e deu sinais do seu interesse em aparecer para os eleitores. ?Quero inaugurações? ?Eu já disse ao pessoal da prefeitura que não me chame para reuniões, que eu acho até importantes?, avisou João Lyra. ?Mas não deixem de me convidar para inaugurações de obras. No meu entender, Alagoas precisa de projetos de desenvolvimento, e isso pode ser viabilizado se existir o interesse político?, defendeu Lyra, que tem mostrado que não deve desistir da candidatura ao governo de Alagoas, que, segundo os seus assessores, passou a ser seu principal objetivo político. VINTE DIAS DE EMOÇÕES Os próximos vinte dias poderão dar pistas muito preciosas sobre os rumos que tomarão as eleições de 2006 em Alagoas. É que no fim deste mês termina o prazo para filiação a partidos e mudança de domicílio eleitoral para aqueles que pretendem disputar a eleição do próximo ano. Os principais líderes políticos de Alagoas já estão consolidados em seus partidos. Mas quando estiver pronta a rearrumação de deputados estaduais e federais, vereadores, prefeitos e ex-prefeitos candidatos, aí então se terá uma idéia mais clara do alinhamento das forças políticas que disputarão a eleição. Depois que se souber ?quem vai para qual partido?, aí se poderá ter uma idéia da força de cada coligação. Celso Luiz já está na fase final de montagem do seu ?chapão?, um grupo de deputados estaduais e outros pré-candidatos fortes de urna que se juntarão para levar de roldão uma boa parte das cadeiras da Assembléia. É um apoio que não deve ser desprezado por nenhum candidato ao governo ? muito menos pelo próprio Celso Luiz. |GF

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