Política
Renan adia sua decis�o para fevereiro
| GILVAN FERREIRA Repórter O senador Renan Calheiros (PMDB) ampliou o prazo para uma definição sobre sua provável candidatura ao governo do Estado em 2006. Segundo Renan ? que ontem participou de um encontro com mais de 60 prefeitos de Alagoas, no auditório da Federação da Agricultura, no bairro de Jaraguá ?, sua decisão sobre a candidatura ao governo só será anunciada em fevereiro. Renan discutiu com os prefeitos uma pauta de reivindicações dos municípios, que inclui a liberação de recursos federais, o aumento de 1% na cota do FPM, a reforma tributária e dívidas com o INSS. Bancada federal No encontro na Federação da Agricultura, que também teve a participação dos senadores Téo Vilela (PSDB), Heloísa Helena (P-SOL) e de parte da bancada federal e de lideranças políticas do Estado, Renan Calheiros falou para um auditório repleto sobre a atual crise do País e sugeriu a união de todos os setores na defesa do Estado e a necessidade de uma discussão ampla sobre a sucessão estadual. ?A candidatura ao governo do Estado não pode ser um desejo pessoal. Tem que ser uma construção coletiva, com a participação de todos, dos partidos políticos e das forças sociais, políticas e econômicas. Eu continuo conversando com todo mundo e vou continuar conversando. Não sou de fugir da luta, mas minha decisão só deve acontecer em janeiro ou fevereiro do próximo ano?, esclareceu Renan. Candidatura única O senador Renan Calheiros explicou seu interesse na negociação de uma candidatura única ao governo em 2006, mas reconheceu dificuldades para que a tese seja concretizada, já que os grupos do governador Ronaldo Lessa (PDT) e do deputado federal João Lyra (PTB), envolvidos na disputa pela sucessão estadual, não cheguem a um consenso sobre um acordo para o lançamento de uma candidatura de consenso que poderia facilitar o lançamento da candidatura de Renan ao governo. Para que isso possa acontecer, seria necessário retirar as candidaturas do vice-governador Luis Abílio (PSB) e do deputado federal João Lyra. ?Eu defendo essa tese [a candidatura de união] e tenho batalhado para que isso aconteça, mas toda vez que eu avanço na defesa dessa tese, as pessoas acham que eu estou trabalhando em benefício próprio, e não é isso, não. Acho que a tese de uma candidatura única tem que valer para todo mundo, e vou trabalhar para que ela seja uma regra a seguir. É do meu interesse que todos nós sigamos esse caminho, que eu acho que pode ser viável?, disse. Brasília ou Alagoas? Renan disse ter ?dúvidas? sobre sua candidatura ao governo. Ele lembrou que ainda tem seis anos de mandato no Senado e, por isso, tem dúvidas sobre continuar em Brasília ou voltar a Alagoas para a disputa do governo estadual, que já disputou em 1990. ?Tenho mais seis anos de mandato como senador e é isso que me deixa dividido. Eu vivo todos os dias a me perguntar, sobretudo quando as pessoas me abordam na rua e me perguntam se eu serei candidato a governador, com os meus botões eu me pergunto se eu seria mais útil ao Estado de Alagoas como senador ou como governador do Estado, isso em função das dificuldades óbvias que a gente teria para tocar o governo do Estado. Mas essa decisão só deve acontecer no próximo ano?, disse Renan. ### Sucessão de Lula, reeleição no Senado Sobre a expectativa de disputar a vice-presidência da República, em uma aliança PMDB-PT, numa possível candidatura à reeleição do presidente Lula, Renan Calheiros descartou essa possibilidade. Segundo ele, seu partido deve lançar uma candidatura própria à Presidência da República. Ele citou nomes de prováveis candidatos peemedebistas à sucessão do presidente Lula. A seguir, três dos principais pontos da entrevista de Renan. Candidatura própria ?O PMDB terá candidato próprio à Presidência da República. Hoje [ontem] estou viajando a Curitiba, no Paraná, para participar de uma reunião que está lançando o programa de governo, mas já há uma definição pela candidatura própria. O PMDB é o maior partido do Congresso, tem oito governadores, tem pelo menos 17 candidatos competitivos ao governo em vários estados; tem a maior bancada no Senado e a segunda da Câmara. Hoje, posso afirmar que há um consenso no PMDB em torno do lançamento de um candidato à Presidência da República?. Os nomes ?Nós temos bons nomes, como o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, do governador do Paraná, Roberto Requião, do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, e o do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, sobretudo se houver a exigência de um candidato com um perfil de fora da política?. Reeleição no Senado ?Não cogito a possibilidade de reeleição para a presidência do Senado. Apesar de ser constitucional, a candidatura vai depender do momento político, da circunstância política, da influência do eventual presidente da República e de outros fatores do momento. Por isso, eu não discuto ainda essa possibilidade?. Renan Calheiros disse que, apesar da atual crise, o PMDB vai continuar apoiando o presidente Lula, principalmente para garantir a governabilidade. ?Essa é a crise mais profunda que eu já presenciei no Congresso Nacional, mas o PMDB vai continuar buscando a governabilidade e lutando pelos interesses do País. Também temos o compromisso com a sustentação congressual, e o PMDB, como o maior partido do Congresso, vai continuar defendendo a governabilidade do País?, afirmou Renan. |GF ### 13º ameaçado em 90% dos municípios O encontro da bancada federal com os prefeitos de Alagoas, ontem, na Federação da Agricultura, serviu para uma discussão sobre a atual crise nos municípios. Segundo a presidente da AMA, Rosiana Beltrão, cerca de 90% dos prefeitos de Alagoas reclamam das dificuldades para o pagamento, por exemplo, do 13% salário dos servidores municipais este ano. Os prefeitos aproveitaram a presença do senador Renan Calheiros e de integrantes das bancadas federal ? como o deputado João Lyra (PTB) ? e estadual para reivindicar a aprovação do projeto que prevê aumento de 1% no valor da cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que possibilitaria um ?desafogo? para os municípios do Estado. Os prefeitos também cobraram a liberação de recursos federais e de projetos para os municípios. Os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Heloísa Helena (P-SOL) defenderam as reivindicações dos prefeitos. Heloísa Helena culpou o governo federal pelas dificuldades para liberação de recursos para os municípios. O senador Renan Calheiros sugeriu a necessidade da união da classe política para a defesa dos municípios. Segundo Rosiana Beltrão, o aumento do salário minímo e a queda do FPM são alguns dos fatores que estão dificultando a administração dos municípios, que, na sua maioria, sobrevivem exclusivamente dos repasses do FPM. ?Nós estamos enfrentando várias dificuldades. O governo federal reajustou o salário, o que trouxe problemas para os municípios, principalmente, para os que vivem exclusivamente dos repasses do FPM. Vamos pressionar, pedir o apoio da nossa bancada para cobrar do governo federal o aumento de 1% na parcela do FPM, que possibilitará, pelo menos, o pagamento do 13% revelou Rosiana Beltrão. CUT protesta Ao saber que 90% dos prefeitos prevêem que não terão condições de pagar o 13º salário deste ano aos servidores, a não ser que o repasse do FPM aumente, o presidente da CUT de Alagoas, Izac Jackson, reagiu: ?Vincular o pagamento do 13º ao aumento da receita não tem cabimento?, disse Jackson. ?Os prefeitos não podem punir os servidores pela sua falta de planejamento. Todos os administradores municipais devem prever nas suas receitas e despesas os gastos com o 13º e as férias dos servidores?. |GF