Política
Petistas v�o �s urnas hoje em Alagoas
| LUIZA BARREIROS Repórter Só uma grande ?zebra? tira hoje do deputado Paulo Fernando dos Santos (PT) a reeleição para a presidência do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores em Alagoas. Ele enfrentará nas urnas o ex-deputado estadual Paulo Nunes e o sindicalista Luiz Gomes, o Professor Luizinho. Integrante da tendência Articulação Unidade na Luta (UL), Paulão recebeu o apoio dos militantes da tendência Democracia Socialista (DS). Juntas, as duas tendências somam 70% dos diretórios nos municípios. Além disso, têm a maioria dos votos nos diretórios de Maceió, Arapiraca e Penedo, os principais no Estado. As tendências também concentram o maior número de petistas de expressão: da Unidade na Luta fazem parte, além do deputado Paulão, o vereador Judson Cabral, o secretário de Direitos Humanos José Roberto Mendes e o presidente da Ceal, Joaquim Brito. Da DS faz parte o presidente do Incra, Gino César Menezes. Segundo o coordenador do Processo de Eleição Direta (PED), Marcelo Nascimento, dificilmente a eleição petista em Alagoas irá para o segundo turno. ?As lideranças de mais de 70 diretórios têm relação política com as duas tendências. A junção em torno da candidatura do Paulão sinaliza essa tendência?. Se Paulão sair vencedor do pleito, será sua segunda reeleição. Com 20 anos de PT, ele preside a legenda desde 2000. ?Foi importante conseguir ter uma política de alianças num momento de crise, em que é necessário ter tolerância e habilidade?, observou Paulão. Segundo ele, em sua gestão o PT cresceu. ?Passamos de 42 diretórios municipais para 72, dois prefeitos, cinco vices e o número de vereadores cresceu de 15 para 24?, contabilizou. Paulão também fez campanha prometendo investir na parte organizativa e na formação de militantes. No campo nacional, Paulão apóia a candidatura do chamado Campo Majoritário, representada pelo ex-ministro da Previdência Ricardo Berzoini. Esperança Apesar dos prognósticos que prevêem vitória do candidato Paulão, o secretário regional da Pesca, Paulo Nunes, da tendência Articulação de Esquerda, ainda tem esperança de conseguir levar o pleito para o segundo turno. ?Na hipótese de haver segundo turno contra o deputado Paulão, já existe um pacto com o candidato Luiz Gomes, da corrente O Trabalho. Qualquer um que vá, apóia o outro para derrotar o Campo Majoritário?, diz Paulo Nunes. Segundo Paulo Nunes, sua candidatura defende um debate que pede a mudança de políticas econômicas e a ?reavaliação de posturas equivocadas? tomadas pelo PT. ?O partido vem a reboque do governo Ronaldo Lessa, mas nós queremos dar a ele independência. Não podemos ser tão atrelados ao governo federal e estadual?, afirmou. Para ele, é fundamental que a esquerda do PT triunfe, ?que reúna suas forças, que consiga organizar uma nova maioria, plural, que integre todos os setores, na medida da sua representação, e dê início a uma nova fase ? de renovação do partido?, disse. Ele pede aos militantes que vão às urnas hoje para derrotar o chamado Campo Majoritário. O ex-deputado lembrou ainda que com a vitória da sua tendência Articulação de Esquerda, da chapa ?A Esperança é Vermelha? e da candidatura de Valter Pomar para presidente nacional, será seguido um projeto de idéias que passa pela mudança imediata na política econômica do País. Nunes foi presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), quando a entidade esteve na linha de frente na derrubada do governo Divaldo Suruagy (PMDB), na histórica mobilização de julho de 1997. No ano seguinte, elegeu-se deputado estadual, não conseguindo se reeleger em 2002. ESQUERDA O sindicalista e professor da Fundação Estadual de Ensino Superior (Funesa) Luiz Gomes é candidato pela tendência O Trabalho, considerada da esquerda do partido. Ele corre por fora na disputa, tentando arregimentar votos em sindicatos da capital. Sua candidatura tem apoio dos militantes do PT de Cara Própria, que não apresentou candidato ao processo. No PT desde 1986, Luiz Gomes acredita que a raiz da atual crise está na política econômica do governo Lula, que deu continuidade ao governo Fernando Henrique e se subordina ao FMI. ?O linchamento que o PT vem sofrendo é fruto da política que se apoiou em partidos podres da burguesia?, afirmou. Para ele, o PED é um momento excepcional para o PT. ?O que está em jogo é a existência de um instrumento de organização e mobilização da classe trabalhadora?. ### Eleição também ocorre em outros 72 municípios Além da eleição do Diretório Estadual, os 6.331 filiados petistas que estão aptos a votar em Alagoas escolherão os dirigentes dos diretórios municipais de 72 municípios, sendo 42 diretórios municipais e 50 comissões provisórias. Em Maceió, a eleição será realizada das 9 às 17 horas, no Clube de Engenharia. Serão escolhidos os 15 integrantes da Executiva Estadual e os 45 cargos que integrarão a representação do partido no Estado. A eleição para a presidência ocorre de forma direta, com candidatos individuais. Segundo Marcelo Nascimento, na maioria dos municípios a candidatura é única. Somente Maceió, Arapiraca, Campestre, Matriz do Camaragibe e São Miguel dos Campos têm disputa entre mais de um candidato. Maceió A eleição para o diretório do PT em Maceió é disputada pelos candidatos Valdir Dias, Lenilda Lima e Marcos Antônio Alves, o Marcão. A atual presidente do diretório, Cláudia Amaral, da corrente PT de Cara Própria, não quis disputar a reeleição. Para a candidata Lenilda Lima, da tendência Democracia Socialista, a eleição direta para os dirigentes dos diretórios do partido é uma oportunidade de reconstruir o PT. Sua candidatura tem o apoio do candidato Paulão. Ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteal), ela diz acreditar que o PT precisa ser reconstruído, o que significa mudar os rumos da legenda, construindo a independência do partido frente ao governo Lula e reconquistando a confiança da classe trabalhadora. Ainda segundo ela, ao longo dos anos o PT vem se afastando de sua linha programática. ?Isso se deve ao grupo dirigente que reproduziu as alianças conservadoras sem alinhamento programático?, acusa. Cara Própria O candidato Valdir Dias, da corrente PT de Cara Própria (que tem o apoio da tendência radical O Trabalho), é o atual vice-presidente do diretório municipal. Durante o debate promovido entre os candidatos, ele admitiu a gravidade do momento vivido pelo partido. Segundo ele, ?a cada dia uma nova onda de lama se espalha pelo País, num acúmulo de denúncias de corrupção, prevaricação e fisiologismo, causando nojo a toda a nação?, disse. O candidato diz que a responsabilidade não deve ser jogada toda sobre o PT, e sim nas pessoas que foram buscar ?aliados no viveiro do fisiologismo e da reação?. O manifesto distribuído pela chapa do candidato dizia que para o PT ser vitorioso, ?é preciso banir a política de Lula, Palocci e Rossetto?. O terceiro candidato à presidente do PT de Maceió é o eletrotécnico Marcos Antonio Alves dos Santos, o ?Marcão?, da tendência Articulação de Esquerda. Filiado ao partido desde 1986, ele começou sua militância no movimento estudantil e depois na base do Sindicato dos Químicos (Sindquímica, hoje Sindpetro). Como funcionário da Prefeitura de Maceió, desde 2002 foi eleito para diretor do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Maceió (Sindspref) Marcão é considerado um militante que constrói o PT pela base. Já atuou em diversos cargos no partido, organizando núcleos na periferia e tendo feito parte da executiva municipal de 1997 até 2001. Agora, o sindicalista ocupa uma vaga na direção da executiva estadual. Na tendência, ele é um dos representantes na coordenação nacional. Para Marcão, é preciso reorganizar a esquerda partidária e transformar o partido em um pólo aglutinador dos movimentos sociais. Votação A votação será secreta, em urna. A coordenação do PED solicitou que as chapas indicassem fiscais para acompanhamento dos trabalhos de credenciamento, votação e apuração. Encerrada a votação, será realizada a apuração, coordenada pela Comissão de Organização Eleitoral do município. O resultado do PED deverá ser divulgado imediatamente após a apuração e afixado na sede ou em local previamente designado. Após a conclusão da apuração, o coordenador da comissão eleitoral encaminha ao Diretório Estadual as listas de votação e as atas de votação e apuração, e, simultaneamente, deverá inserir o resultado da apuração no Sistema Informatizado do PED (Sisped) 2005. A expectativa é de que o resultado de Alagoas seja conhecido às 19 horas.|LB ### No último debate, críticas a Palocci FOLHAPRESS O último debate entre os candidatos à presidência nacional do PT, realizado sexta-feira em São Paulo, foi monopolizado por críticas à política econômica do governo federal. Até mesmo o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), concorrente pelo Campo Majoritário, grupo que controla a legenda, defendeu mudanças pontuais na economia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, não foi atacado diretamente pelos colegas de partido. reeleição de Lula Três dos seis candidatos que participaram do debate fizeram questão de defender a reeleição de Lula, mas ressaltaram que o PT precisa aumentar sua autonomia para superar a crise política. A eleição interna petista ocorre neste domingo. Cerca de 825 mil filiados estão aptos a votar no País. ?fora palocci e meirelles? No debate, o candidato Plínio de Arruda Sampaio, apoiado pela corrente Ação Popular Socialista, foi um dos mais duros com o governo. Pediu a saída do ministro Antonio Palocci (Fazenda) e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, responsáveis, afirmou, pela ?tucanagem? no governo. ?Na Fazenda só tem tucano, só vejo bicões amarelos.? O deputado estadual Raul Pont (RS), candidato da Democracia Socialista, disse que técnicos do BC ?se comportam como lobistas do setor financeiro? e que Meirelles tem ?reputação duvidosa?. Markus Sokol, da corrente ultra-radical O Trabalho, disse que há no País a ?ditadura do superávit?. ### Combate ao continuísmo na economia une candidatos Moderada, a deputada Maria do Rosário (PT-RS), candidata a presidente da legenda pelo Movimento PT, alegou não haver contradição em pedir mudanças na economia e defender a reeleição do presidente. Ela chegou a discutir com Plínio de Arruda Sampaio. Continuísmo na economia Valter Pomar, candidato da Articulação de Esquerda, afirmou que o governo Lula é superior ao de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, em diversos pontos, mas bateu forte na ?continuidade? na economia, um dos pontos que parecem unir cada vez mais as correntes do petismo em todo o País. Defendendo a reeleição de Lula, Pomar afirmou que o PT precisa ajudar o governo a retomar sua força política. ?Se fôssemos duros com o PSDB e PFL, fazendo uma auditoria nas o privatizações, metade desses grupos hoje estaria na cadeia.? ### Candidatos da esquerda batem boca Berzoini iniciou o debate defendendo abertamente a política econômica. Mas destacou que vai tentar convencer Lula a adequar as metas de inflação e acelerar a execução do Orçamento. ?Há pessoas que acreditam que política econômica se faz com voluntarismo?, disse Berzoini, numa crítica aos colegas radicais. Além das críticas internas ? que tiveram como alvo a condução do partido pelo Campo Majoritário ? não faltaram referências à oposição, que segundo os petistas quer destruir o partido. Maria do Rosário e Pomar chamaram o senador Jorge Bornahusen (PFL-SC) de fascista por ele ter dito que a crise ?livraria? o Brasil ?dessa raça [os petistas]?. BATE-BOCA Os candidatos Plínio de Arruda Sampaio e Maria do Rosário protagonizaram o único bate-boca do debate. Sampaio afirmou que os candidatos são divididos em dois blocos. ?O bloco majoritário é a turma do José Dirceu, do Genoino, do Berzoini, da Maria do Rosário. É o pessoal que apóia o governo?, disse. ?E tem o bloco com visão muito crítica.? Maria do Rosário respondeu dizendo que ?o PT é muito mais inteligente do que a divisão entre um bloco e outro?. ?Reducionismos nos empobrecem. Estranham-me as posições do companheiro Plínio quando diz que só permanecerá no PT se as suas posições forem vitoriosas?, afirmou, referindo-se a declarações do concorrente segundo as quais deixará o partido caso o Campo Majoritário, de Berzoini, saia vencedor das eleições internas do PT. Ela cobrou o colega pelo fato de ele ter anulado o voto nas eleições municipais de 2004, quando a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), enfrentou José Serra (PSDB) no segundo turno. Sampaio não deu o assunto por encerrado. ?De fato não votei na Marta. Declarei que iria votar nulo porque a Marta era apoiada pelo Maluf, fez uma campanha milionária, que não tem nada a ver com o PT?, disse. ?Acho que tem de ter disciplina partidária, mas não pode ter patrulhamento.? Ele disse que só deixará o partido quando o PT não for mais ?um instrumento da luta do povo?. Sampaio foi além. ?O PT foi arrasado por uma política errada. Quem ganha eleição com Duda Mendonça não governa. O grande escândalo dessa República é o fato de que o partido disse 25 anos uma coisa, chegou no governo e foi obrigado a dizer outra diametralmente oposta.? |FP ### Candidatos buscam apoios na reta final AGÊNCIA ESTADO Em plena contagem regressiva para as eleições diretas no PT, na noite de sexta-feira os sete candidatos a presidente nacional do partido corriam atrás de apoios públicos para atrair o voto dos mais de 800 mil filiados. A votação ocorre hoje em todo o País. A noiva da vez era a ex-prefeita Marta Suplicy, primeira vice-presidente do PT, indicada pelo Campo Majoritário, do presidente Lula. Três grupos políticos ligados a ela desistiram de recomendar o voto no candidato do Campo, deputado Ricardo Berzoini, o que pode significar menos 15 mil votos na capital paulista. Esse contingente deve beneficiar Valter Pomar, da Articulação de Esquerda, e Maria do Rosário, candidata do Movimento PT. Marta e seu governo viraram tema do debate presidencial petista na última sexta-feira. Elogios Maria do Rosário e Pomar elogiaram, empenhados, a ex-prefeita. Plínio de Arruda Sampaio, candidato da Ação Popular Socialista, repetiu os motivos que o fizeram anular o voto na última eleição, mesmo no segundo turno entre Marta e José Serra. Berzoini permaneceu calado, mas ainda ensaiava uma aproximação. Aliados de Marta tentavam convencê-la a simplesmente não declarar o voto. Suas ações são diretamente influenciadas pela sucessão estadual em 2006. A ex-prefeita quer disputar o governo de São Paulo pelo PT, assim como o senador Aloizio Mercadante, de quem Berzoini é mais próximo. Três instâncias Filiados votarão em 83% dos municípios brasileiros para eleger quase 83 mil novos dirigentes petistas nas três instâncias ? municipal, estadual e nacional. Serão escolhidos presidentes, integrantes dos diretórios, conselhos de ética e fiscal. O quórum mínimo nas cidades é de 15% dos filiados, nos Estados, a metade dos municípios habilitados e para que a eleição nacional tenha validade é necessário que a metade dos Estados tenha alcançado o quórum.