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A lenta agonia do PSB em Alagoas

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| GILVAN FERREIRA Repórter Maior partido de Alagoas até as eleições do ano passado, o PSB pode estar a caminho da extinção ou de se transformar em uma sigla ?nanica? no Estado. Esse quadro vem se confirmando com o esvaziamento do partido. Desde a saída do seu principal líder político, o governador Ronaldo Lessa, que se filiou ao PDT, o PSB passou a minguar, e agora a sangria virou debandada. O vice-governador Luis Abílio, presidente do diretório estadual e até então candidato ao governo de Alagoas ? foi lançado no congresso do partido, em agosto ? é o próximo a deixar o PSB a convite do governador. O PSB já havia perdido para o PDT os deputados federais Maurício Quintella e Jurandir Bóia. O presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luiz, foi para o PMN, e parte da bancada estadual, prefeitos e outras lideranças se filiaram ao PDT, seguindo Lessa. Mesmo com as evidências de uma crise no partido, a secretária de Saúde, Kátia Born, tenta contornar a situação e garante que não há risco de o PSB ?acabar? em Alagoas, nem de se transformar em mais uma legenda ?nanica?. Kátia, vice-presidente do PSB, disse que a ida de Luis Abílio para PDT, anunciada por Lessa, ainda não é certa. ?O Abílio ainda não definiu se vai sair do PSB?, disse Kátia. ?Isso tudo que está acontecendo é por conta da verticalização. O que eu posso garantir é que o PSB não vai se transformar em um partido nanico. Nosso objetivo é fortalecer o partido e lançar uma chapa forte para concorrer a eleição do próximo ano?. Tentativa de acordo Uma reunião entre Lessa e dirigentes do PSB alagoano foi agendada para hoje, domingo, para tentar um acordo que evite mais prejuízos políticos para o PSB. Mas, segundo os assessores de Lessa, ele deve anunciar, até a próxima terça-feira, a data de filiação ao PDT do vice-governador Luis Abílio e de outras lideranças políticas hoje no PSB. Para analistas políticos, confirmando a saída das lideranças do PSB, o partido se resumirá a dois nomes com real potencial eleitoral: o deputado federal Givaldo Carimbão e a própria Kátia, que deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. ### Kátia, quase isolada, dá sinal de que grupo ficou rachado O assédio do PDT às lideranças do PSB causou um princípio de crise entre o governador Ronaldo Lessa e a secretária Kátia Born. Apesar de evitar assumir um confronto direto com o governador, Kátia Born, atual vice-presidente do diretório estadual do PSB, chegou a mandar um recado direto a Lessa. ?Ele (Lessa) não está mais no PSB. Ele que cuide do seu partido, que nós vamos cuidar do nosso?, declarou, na sexta-feira. Na última quarta-feira, quando anunciou a ida de Luis Abílio para o PDT, Lessa aproveitou para rebater Kátia Born e foi duro com os dirigentes do seu antigo partido. ?Eles que arrumem outro candidato ao governo. O Luis Abílio vai disputar o governo pelo PDT?, avisou o governador. Reforço no ataque O ex-secretário geral do PSB, Wellinson Miranda, que também se mudou para o PDT, seguiu na mesma linha de ataque do governador e deixou transparecer que o conflito entre os dois grupos pode se agravar. ?O governador Ronaldo Lessa está fazendo o que a doutora Kátia Born recomendou: que cuidasse do partido dele, que ela ia cuidar do partido dela. É isso que ele está fazendo: cuidando do partido dele. O governador vem trabalhando para reforçar o PDT, e convidou o Abílio e outras lideranças do PSB, que virão para somar ao partido?, antecipou. Miranda seguiu na linha do ataque e não poupou Kátia Born. ?Nós não estamos interessados no que pensa a Kátia. O nosso interesse é ter uma chapa forte para disputar as eleições do próximo ano. Posso garantir que não vamos repetir a eleição do ano passado. O PSB se dividiu e terminou sendo derrotado em Maceió. Teremos candidato ao governo, formaremos uma chapa forte para a Câmara dos Deputados e a Assembléia Legislativa e vamos trabalhar forte para levar o governador Ronaldo Lessa para o Senado?, explicou Miranda. DIVISÃO O atual clima de ?guerra? entre antigos aliados pode representar a divisão do grupo político que comanda o Estado desde o início da década de 90, quando o partido chega pela 1ª vez ao poder em Maceió e se consolidou, em 1998, com a vitória de Lessa para o governo do Estado. |GF ### Abílio pode ser próxima baixa na terça-feira Balançando entre o PSB e o PDT, o vice-governador Luis Abílio vem mantendo silêncio sobre sua decisão. Mas, para seus assessores, ele deve mesmo aceitar o convite do governador Ronaldo Lessa para mudar de partido. Para a imprensa, o vice-governador diz que ainda não tomou uma decisão, mas seu nome deve ser anunciado oficialmente como o mais novo integrante do PDT já na próxima terça-feira. Candidato ao governo A ida de Abílio para o PDT acaba com o discurso da vice-presidente do diretório regional do PSB, Kátia Born, que afirmava que o vice-governador era o candidato do partido para enfrentar o deputado federal João Lyra, provável candidato do PTB, pelo governo do Estado. Kátia chegou a provocar o senador Renan Calheiros (PMDB). ?A candidatura do Renan não existe. O PSB tem um candidato ao governo do Estado, que é o Luis Abílio?, garantia Kátia, no último dia 7 de setembro. Cinco dias depois deste anúncio, Lessa desestabiliza o projeto de Kátia. Ele convida Abílio para deixar o PSB e se filiar ao PDT. Abílio, que também é cotado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas (TC), recebeu a garantia de apoio para lançar sua candidatura ao governo do Estado, desde que o senador Renan Calheiros não aceite disputar o governo. Segundo Wellisson Miranda, o PDT espera uma definição do senador Renan Calheiros, que seria o candidato oficial do partido. Se Renan não aceitar, Abílio seria o candidato. ?O senador Renan é nosso candidato. Mas se ele decidir que não vai disputar o governo do Estado, o PDT vai lançar o Luis Abílio. De qualquer forma, teremos candidato ao governo?, prometeu Miranda.|GF ### Prefeitos saem em debandada do PSB Os problemas que afligem o PSB alagoano não têm origem apenas no Palácio dos Martírios, na Câmara Municipal de Maceió e na Assembléia Legislativa, onde perdeu praticamente toda a bancada estadual ? dos quatro deputados estaduais que o PSB tinha, só resta Maria José Viana, que não deve disputar a reeleição. Os deputados Dudu Albuquerque e Alves Correia seguem o mesmo caminho do governador Ronaldo Lessa, ou seja , o PDT. O deputado Sérgio Toledo, ex-líder do governo Lessa na ALE, deixa o PSB e vai para o PMN do deputado Celso Luiz. Prefeitos saem Os prefeitos eleitos pelo PSB em 2004 foram 22; desses, 12 já aceitaram o convite de Lessa e passaram para o PDT. O PSB ainda deve perder mais quatro: Reinaldo Falcão, de Água Branca; Raimundo Tavares, de Junqueiro; e Péricles Brandão, de Viçosa, já receberam convites para assinar fichas de filiação ao PDT. Ver quadro Prejuízo eleitoral Com a perda da bancada de deputados e a saída da maioria dos prefeitos do PSB, que são considerados peças-chave para as eleições à Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados, o partido de Kátia Born deve ter dificuldades para manter seu espaço político. A situação pode prejudicar o objetivo da direção do partido: eleger dois deputados federais ? Givaldo Carimbão, candidato à reeleição, e Kátia Born, que vai disputar uma das nove vagas na Câmara dos Deputados. Para eleger Carimbão e Kátia, o PSB necessitaria, no mínimo, de 140 mil votos. A única opção é tentar uma aliança com o PDT e partidos da base de sustentação do governador Ronaldo Lessa. Outra preocupação da direção estadual do PSB é com a possibilidade da manutenção da verticalização, que obriga os partidos que lançarem candidatos à Presidência da República a manterem as mesmas alianças nos estados. Como o PSB faz parte da base do governo Lula e o PDT está no campo da oposição, no caso da manutenção desse quadro, o PSB de Alagoas não poderá montar aliança oficial com o PDT de Ronaldo Lessa. Isso poderia inviabilizar as candidaturas do partido à Câmara dos Deputados. GF

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