Política
Grupo mant�m controle do PT alagoano
| GILVAN FERREIRA Répórter O Campo Majoritário, tendência liderada pelo deputado federal José Dirceu, acusado de envolvimento em denúncias de corrupção do ?mensalão?, conseguiu manter o poder no diretório estadual do PT de Alagoas, na eleição que aconteceu no último domingo. A eleição foi tranqüila e mostrou que, mesmo enfrentando a pior crise dos 25 anos do PT, os militantes do partido votaram pela manutenção no grupo que comanda os destinos do PT há mais de 10 anos. Segundo a direção do PT em Alagoas, 30% dos 6.331 filiados com direito a voto participaram da eleição. O candidato do Campo Majoritário a presidente estadual do PT, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, que disputava a reeleição, foi anunciado vencedor já no primeiro turno, mesmo faltando apurar 50% das urnas. A vitória de Paulão ? que disputava a eleição contra o ex-deputado estadual Paulo Nunes, da tendência Articulação de Esquerda, e o sindicalista Luiz Gomes, o Professor Luizinho ? era considerada fato consumado. Até o início da noite de ontem, Paulão tinha recebido 1.596 votos, ou 75% dos votos válidos. O ex-deputado Paulo Nunes aparecia com 171 votos, e o Professor Luizinho havia conseguido 121 votos. Pelos números anunciados, ainda que parciais, não haverá necessidade de um segundo turno em Alagoas. Eleição municipal A eleição para o diretório municipal PT também não teve surpresa. A sindicalista Lenilda Lima, da Democracia Socialista (DS, apoiada por Paulão), recebeu 76% dos votos válidos (547) e venceu a eleição com folga no primeiro turno (ver entrevista na página A2). Os outros dois candidatos ? Valdir Dias, 76 votos, e Marcos Antônio Alves, o Marcão, 65 votos ? não ofereceram risco à candidatura apoiada pelo Campo Majoritário. ### Berzoini abre larga vantagem em AL Seguindo a tendência das eleições para os diretórios estadual e municipal, o candidato Ricardo Berzoini, do Campo Majoritário, mantinha até ontem, nas apurações em Alagoas, uma ampla vantagem sobre os outros seis candidatos à presidência do diretório nacional do PT. Apurados 50% dos votos, Berzoini tinha 1.225 votos. O segundo colocado, Raul Pont, tinha 221; o terceiro, Valter Pomar, tinha recebido 128 votos. A soma dos outros quatro candidatos ? Plínio Sampaio, Markus Sokol, Maria do Rosário e Gegê ? não ameaçava a liderança do ex-ministro do governo Lula (leia mais na página A9). Segundo o deputado Paulão, o resultado da eleição ?serviu para fortalecer o PT e reaproximar a militância do partido?. Para Paulão, o PT necessita reformular a sua prática política e partidária. Ele sugeriu a necessidade de diálogo e uma reaproximação do partido com os movimentos sociais e os demais partidos do campo da esquerda. ?O PT precisa expurgar os dirigentes que comprovadamente se envolveram em atos de corrupção, mas que haja um amplo espaço para defesa. Nós também defendemos que o partido discuta mais com a sociedade e se reaproxime dos movimentos sociais e dos partidos do campo de esquerda, como o PCdoB e o PSB?, disse. Alianças para 2006 Paulão reafimou que, no âmbito local, o partido vai defender uma aliança com o PDT, PSB, PMDB, PCdoB, PL, PHS e outros partidos. Ele afastou a possibilidade de alianças petistas com o P-SOL da senadora Heloísa Helena, com o PSTU e com o PTB do deputado federal João Lyra. ?Nós estamos abertos para uma discussão com os partidos da base de esquerda, mas não vejo possibilidade de uma aliança com o P-SOL e o PSTU, que vêm tendo uma postura que eu considero equivocada. Esses dois partidos mantêm a mesma postura do PFL e do PSDB nas CPIs. Eles (P-SOL e PSTU) estão tratando os partidos da direita como aliados, inclusive defendendo, como o PFL, o impeachment do presidente Lula. Acho que é um equívoco essa postura dos dois partidos. Por isso, avalio que não existe nenhuma possibilidade de um acordo político. Também estamos fora de uma aliança com o PTB do deputado federal João Lyra, que representa a direita em Alagoas?, revelou o presidente reeleito do PT alagoano. Sobre o seu próprio destino político, Paulão disse que pretende disputar uma vaga de deputado federal, mas a candidatura depende de uma discussão interna no PT e de negociação com os partidos aliados. |GF