Política
APE promete incomodar governo Lessa
| ODILON RIOS Repórter A Associação dos Procuradores do Estado (APE) promete incomodar o governo estadual com uma série de questionamentos, desde o inchaço da máquina pública, passando pela tramitação de processos na Procuradoria Geral do Estado (PGE) e supostas pressões de membros do governo contra procuradores para apressar processos. A decisão saiu ontem, depois de uma assembléia realizada no meio da tarde, no auditório da PGE e com a presença de poucos procuradores de Estado. A primeira ação saiu ontem mesmo e foi anunciada pelo presidente da Associação, Augusto Galvão. Segundo ele, será enviado um ofício à procuradora-geral do Estado, Idelva Pinto, solicitando o afastamento de um servidor, filho de uma ?pessoa influente?, como classificou o presidente, do cargo de assistente na Procuradoria da Fazenda. ?O fato é que esta pessoa não tem nem o segundo grau completo, e para o exercício do cargo é exigido o título de bacharel em Direito. Então, isso é um absurdo. Coloca-se uma pessoa lá dentro que não tem qualificação, que não conhece o Direito, que não sabe mexer em processos, que não pode dar assessoria ao pessoal da Procuradoria da Fazenda, que é o que eles precisam. Então, o que fazer??, perguntou Galvão, apontando que esta não será a primeira medida de fiscalização sobre o governo. ?A associação promete ficar atenta?, avisou. ### Processo apressado foi indeferido A APE começa a se movimentar quando, segundo informações de procuradores, haveria insatisfação com membros do governo estadual e com o próprio governador Ronaldo Lessa (PDT). O presidente da APE, Augusto Galvão, destacou um desses casos. ?Semana passada, um procurador do Estado recebeu um processo às duas horas da tarde, e, às três, o secretário ligava para ele, cobrando o parecer; às cinco horas, ligou novamente. Então, o procurador simplesmente indeferiu o pedido. Jamais por questão pessoal. A procuradoria é absolutamente impessoal, mas se o secretário está precisando do processo de volta, ele não teve condições de analisar o pleito. Não se analisa um processo em duas horas, três horas?, descreveu Galvão. Segundo ele, o procurador, que não teve o nome identificado, indeferiu, ou seja, rejeitou o processo. ?São situações iguais a essa que estão acontecendo?, resumiu. Outro fato que incomoda a APE é o ?inchaço da máquina administrativa? no governo Lessa, nas palavras do presidente. ?O Estado de Alagoas de dezembro de 1998 é muito diferente do Estado de Alagoas de hoje, em termos de máquina administrativa. Na época, existiam 18 secretarias de Estado. Hoje, são 46. Centenas de cargos foram criados. Inclusive eu vou, para poder provar o que estou falando, conversar com alguns colegas no sentido de a gente fazer um levantamento do número de cargos que existia no final de 1998, quando o governador foi eleito, e o número de cargos que ele criou de lá para cá?, detalhou. De acordo com ele, há em tramitação na procuradoria um pedido de criação de 150 cargos na Uncisal. ?É um absurdo. A máquina do Estado está inchada. Existem três secretários extraordinários. Para que secretaria extraordinária? Secretaria do Sertão, não sei de onde?, reclamou Galvão. |OR