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Marcos Mello critica corrup��o e injusti�a

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| EDITORIA DE POLÍTICA Florianópolis (SC) ? Ao discursar na noite de segunda-feira, em nome dos presidentes das 27 seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na abertura dos trabalhos da 19ª Conferência Nacional da categoria, o presidente da seccional da OAB de Alagoas, Marcos Bernardes de Mello, atacou duramente os políticos brasileiros envolvidos nas denúncias de corrupção da chamada crise do mensalão e mensalinho e pediu que os advogados mostrem toda a indignação contra esse estado de coisas. Mello fez violentas críticas aos poderes Legislativo e Executivo, que são alvo das denúncias de corrupção e das investigações das CPIs do Congresso, mas não poupou o Judiciário. ?O Judiciário, apesar de ser o mais vetusto, não se impõe por não cumprir sua missão de fazer justiça. E justiça tardia, já o dizia Ruy, é injustiça?, observou. Para Mello, ?é de fazer corar frade de pedra a desfaçatez dessa canalha ao sustentar que o dinheiro recebido da corrupção não seria imoral nem ilícito, porque teria sido destinado a pagar despesas de campanha?. Ele acrescentou: ?É revoltante a falta de vergonha nas prestações de contas à Justiça Eleitoral de ínfimas quantias que, como pelo milagre da multiplicação, financiaram campanhas milionárias; é desalentador vermos patrimônios enormes nascerem do nada, sem que seus titulares sejam incomodados ou molestados pelo Fisco, enquanto um mísero assalariado qualquer é levado às agruras do inferno se deixar de declarar um único real?. Marcos Mello pediu aos advogados que lutem pela punição de cada culpado no caso do mensalão e que se mantenham indignados, ?porque advogado sem indignação é advogado morto?. ### Jobim e Thomaz Bastos: lições da crise O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, também participaram da abertura da Conferência dos Advogados. Eles discursaram depois de Marcos Mello. Bastos defendeu uma reforma política urgente e classificou como fundamentais os debates promovidos pela OAB neste momento de crise política. Ao discursar em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Thomaz Bastos fez um discurso institucional, focado na atuação do Judiciário, e destacou a importância de os advogados discutirem livremente, criando condições para um debate sobre a crise presente e erros cometidos. ?É fundamental que os advogados criem as condições para o debate dos ajustes que precisam ser feitos e, principalmente, que seja um debate com farol alto, olhando para o futuro, a fim de que possamos construir um Brasil de instituições fortes, livres e democráticas, ou seja, construir um Estado de Direito Democrático?. Thomaz Bastos considerou a crise que atinge o País séria, importante e acrescentou que ela tem que ser ?resolvida, metabolizada e digerida? por instituições sólidas, como a OAB e o Ministério Público. E disse que é exatamente para contribuir no combate dessa crise política que essas instituições têm que ser fortes, acreditadas e respeitadas pela população. Jobim O presidente do STF, ministro Nelson Jobim, afirmou que a crise política atual não pode conduzir somente às punições dos protagonistas dos escândalos de corrupção, mas precisa também deixar lições que ajudem o País a avançar. ?Dentro da experiência que vivemos agora, precisamos conduzir aos apenamentos necessários, mas também devemos extrair disso tudo o que foi, dentro das regras do jogo político-democrático, que conduziu às distorções?, disse Jobim. Para ele, há indícios de que entre os fatores responsáveis pela crise estão a concentração de recursos nas mãos do Poder Executivo e as regras vigentes do processo eleitoral.

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