Política
PMs amea�am aquartelamento dia 20
| ODILON RIOS Repórter O referendo pela comercialização de armas de fogo, no dia 23 de outubro, pode não contar, em Alagoas, com a segurança da Polícia Militar. Isso porque cabos e soldados da PM ameaçam se aquartelar, ou seja, sair das ruas e ficar nos quartéis, para tentar pressionar o governo estadual a conceder melhoria salarial e de condições de trabalho. ?Nós enviamos ofícios ao governo solicitando audiência para a questão salarial, reajustando a data-base dos PMs, mas não houve indicativo da possibilidade de se discutir essa questão?, disse o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas. ?Nossa paciência acabou desde que ele [o governo] não cumpriu a data-base de 2004, de setembro, e que só saiu em abril deste ano, e a data-base de 2005, que ainda não foi cumprida?, afirmou o presidente. Segundo ele, apesar de o governo afirmar que houve aumento na PM este ano, o que foi concedido, em verdade, segundo Simas, foi o reajuste da data-base do ano passado. ?Nós pedimos um reajuste de 24%, mas, ainda assim, está muito aquém da nossa realidade, que é de defasagem?, alertou o líder dos cabos e soldados. ?Estamos fazendo uma enquete com as unidades do interior e da capital para um aquartelamento de advertência no dia 20 de outubro?, avisou Simas. ?Se não tivermos resposta, a responsabilidade será do governo. Isso será para mostrar o desprezo que o governo faz com a Segurança Pública?, analisou o presidente da Associação dos Cabos e Soldados. O aquartelamento vai durar um dia, mas Simas não descartou a idéia de a medida se estender até o dia do referendo. ?Há possibilidade de não fazermos a segurança neste dia [do referendo]. Ao invés do referendo, queremos discutir as nossas condições de trabalho?. fora de atividade De acordo com Simas, a corporação tem atualmente 7.600 PMs na ativa, porém, deste total, cerca de 2 mil estão fora de atividade ou, na linguagem comum entre cabos e soldados, estão no ?estaleiro?, ou seja, não podem exercer as funções. Os motivos, contou o presidente, são muitos: alcoolismo, depressão e até desnutrição, devido aos baixos salários e ao desconto dos empréstimos em folha, na maioria dos soldados e cabos da PM. ?80% dos PMs não têm condições de trabalhar na rua?, avaliou Simas. ?Os companheiros do Sertão nos procuram para denunciar a carga excessiva de trabalho?, refletiu. Ainda de acordo com o presidente, este ano houve três tentativas de suicídio na tropa. ?Tudo por conta da atual situação da PM. Hoje, temos 40% dos companheiros recebendo menos que o salário mínimo por causa dos empréstimos?, detalhou. ?Os companheiros moram em favelas. Um soldado nosso mora na favela do Dique Estrada, atrás do Papódromo, na beira da lagoa?. ### Reunião 2ª feira tentará reabrir diálogo Uma reunião entre o secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, e o vice-governador Luis Abílio (PDT) ocorreu ontem, no fim da tarde, no Palácio Floriano Peixoto. Não colocou um ponto final na discussão sobre o aquartelamento, mas, segundo o secretário, outro encontro está marcado para segunda-feira, entre Abílio e o comandante da PM, coronel Edmilson Cavalcante. ?Nessa reunião será marcado o diálogo entre o vice-governador e as associações?, explicou Savastano. ?O referendo está marcado, já há o processo de liberação das diárias, está tudo pronto. Vamos resolver esta situação através do diálogo?, analisou. Savastano viaja quarta-feira a Brasília para um encontro sobre segurança pública. ?Antes disso, vamos resolver?, prometeu. Privilégio De acordo com o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas, até a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa estaria sabendo da situação dos PMs. A Gazeta tentou contato com o presidente da comissão, o deputado petista Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, mas seu telefone estava desligado. Questionado sobre qual o melhor lugar em Alagoas para um PM trabalhar, Simas respondeu rapidamente: o Palácio Floriano Peixoto, sede do governo. O motivo: ?Um PM, em começo de carreira, recebe R$ 470. No Palácio, com os adicionais, o salário chega a R$ 1.500?. ?Os batalhões que fazem a segurança da ordem pública não recebem a mais, e a gente trabalha por três ou quatro?, completou. De acordo com Simas, ?é fácil fazer segurança pública com uma visão humanista. Mas quem vê a segurança pública percebe que ela está entregue às baratas?, explicou. As reclamações sobre as condições dos militares já vieram à tona este ano quando oficiais do Corpo de Bombeiros Militar enviaram mensagens à imprensa alagoana denunciando as supostas condições de descaso da corporação e reclamando dos salários. Os denunciantes foram punidos. |OR ### Lessa reclama de greves e sindicalistas Em visita às obras do futuro Centro Administrativo, atrás do Palácio dos Martírios, o governador Ronaldo Lessa ficou irritado com o clima de aquartelamento na PM e avisou: ?Se depender de mim, não tem nada?. Segundo Lessa, as negociações estão sendo conduzidas pelo vice-governador Luis Abílio. ?O Palácio não tem obrigação de receber ninguém, entendeu? Existe secretário para discutir as coisas. Por que só tem que conversar com o governador? Salário eu não discuto mais com ninguém, quem discute isso é Luis Abílio. As conseqüências do aumento não vão ser no próximo ano? Quem vai ser o governador não é o Abílio? Então, o problema da Saúde, da Polícia Civil, de aquartelamento, deixa tudo com o Abílio. Ele vai conduzir isso porque não vou dar um aumento que vai cair nas costas dele. A condução, a liderança de todo esse processo de salário, é do Luis Abílio. Se depender de mim, não tem nada?, explicou. Abílio assume definitivamente o governo quando Lessa se afastar, em abril, para disputar uma vaga no Senado. Sobre as acusações de sindicalistas da Polícia Civil, que acusaram Lessa de ?ao invés de aumentar o salário de servidores, construir monumentos?, o governador disparou: ?Quem foi o analfabeto que disse isso? É uma besta quadrada! Esse Centro Administrativo foi feito para atender ao povo, não é para atender a servidor, que existe para atender à população?. Ele acusou líderes sindicais do serviço público: ?Vivem às custas dessas lideranças, a maioria das vezes não fazem nada e ficam dizendo bobagem?. O Centro Administrativo deverá concentrar os órgãos públicos para revitalizar o Centro. O Palácio será transformado em ponto turístico, para receber visitas oficiais ou para posses. ?Ninguém trabalhou mais por esses servidores do que eu. Eu queria que eles lembrassem quantas folhas atrasadas havia, qual o salário médio deles e quanto aumentei?. O governador ainda afirmou estar cansado. ?Cansaço de quem não tem a compreensão da importância do Estado, da seriedade do que a gente está vivendo, da necessidade de atender os mais pobres, miseráveis, gente com fome. Esse povo [servidores] tem salário, recebe em dia, tem um aumento real considerável. Essas lideranças são irresponsáveis. Eles estão sendo irracionais. A começar pelas lideranças da Polícia Civil e por esta greve idiota da Saúde?. E finalizou: ?Vão trabalhar?. |OR