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Política

Livro analisa mito do poder na UNE

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| LUIZA BARREIROS Repórter Mesmo separados por diferenças ideológicas, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), José Thomaz Nonô (PFL), Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), Renan Calheiros (PMDB), Renildo Calheiros (PCdoB-PE) e José Serra (PSDB-SP) têm em comum o orgulho de dizer terem iniciado a carreira no movimento estudantil. ?É quase que uma credencial, seja para políticos de esquerda ou para conservadores?, observa o historiador e cientista político Alberto Saldanha. Em sua tese de doutorado ? que virou o livro A UNE e o mito do poder jovem, que será lançado na próxima quinta-feira, durante a Bienal do Livro de Alagoas ? ele investigou a origem da mística do poder estudantil, apresentado sempre como sendo em defesa dos interesses nacionais, democráticos e populares. ?Fui atrás da força construtora da imagem da União Nacional dos Estudantes para tentar interpretar alguns episódios que marcaram sua história e questionar uma tradição que atribui ao movimento um caráter genérico e imutável?, explica. O trabalho do alagoano tem como ponto de partida o livro O Poder Jovem, escrito por Arthur Poerner, em 1968. O livro se tornou uma espécie de ?bíblia? sobre o movimento estudantil, servindo, até hoje, de orientação para discursos estudantis. ?Os autores da época procuraram responder, na década de 60, o papel do movimento estudantil. E isso interfere muito na idéia do movimento estudantil como uma coisa avançada, progressista, banda de música da revolução?, explica. Com base em documentos existentes na Biblioteca Nacional e em depoimentos e entrevistas dados por ex-dirigentes da UNE, Saldanha procura encontrar a raiz do mito que cerca a história da entidade. ?O mito é recorrente na sociedade e quem entra em contato com o mito, acaba revivendo, mesmo não tendo sido daquela geração que viveu?, diz. Alagoanos Alguns alagoanos fizeram parte da história da UNE. Entre eles, Aldo Rebelo e Renildo Calheiros ? ambos ex-presidentes da entidade ?, o médico Lauro Pedrosa, o ex-vereador Thomaz Beltrão (PT), Victor Palmeira e o próprio Alberto Saldanha, que foi secretário-geral entre 1984 e 1986. Antes do doutorado na Federal Fluminense, Saldanha já havia abordado o tema movimento estudantil em sua tese de mestrado, ao analisar o comportamento de alagoanos em 1968.

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