Política
PM encontra armas com seguran�as de vereador na C�mara
LUIZA BARREIROS Repórter Dois seguranças que acompanhavam o vereador Marcelo Victor (PTB) na sessão de ontem da Câmara Municipal de Maceió foram obrigados a deixar a galeria da Casa por estarem armados. Eles eram policiais militares à paisana e estavam à disposição do pai do vereador, deputado estadual Gervásio Raimundo (PMN). ?Ninguém vai me desarmar. A minha função é defender o vereador. Agora é por conta de vocês?, disse um dos seguranças, ao deixar o local. As armas foram detectadas pela Polícia Militar (PM), que ontem montou uma operação na entrada da Câmara para revistar todas as pessoas que tinham acesso ao local, inclusive os vereadores e seus assessores. Segundo o presidente da Câmara, Arnaldo Fontan (PFL), os dois seguranças do vereador estavam armados com pistolas. Marcelo Victor disse que a informação era ?conversa? e acusou a presidência de ?criar um fato? para desviar o foco da discussão a respeito da eleição da Mesa Diretora e dos projetos de resolução que foram apresentados por ele e pela vereadora Fátima Santiago (PTB) mudando as regras da administração financeira da Casa e para a convocação da eleição. ?Não sou marginal nem ladrão e nenhum policial coloca a mão em mim?, disse o vereador, ao discursar reclamando da operação. Ele não foi revistado porque chegou à Câmara por volta das 14h30, quando a PM ainda não estava no local. Arnaldo Fontan disse que o objetivo da operação foi defender a integridade física dos vereadores. ?Não permito que ninguém entre armado aqui, a não ser a força pública?, respondeu. ### Vereadora escapa da revista; PM desiste A única vereadora que se recusou a ser revistada foi Fátima Santiago. Ela não abriu a bolsa para ser revistada e chegou a ser barrada pela PM. ?Acho que é uma atitude arbitrária. A Câmara não é lugar de marginais e me sinto agredida por essa revista?, alegou a vereadora. Um policial militar que integrava a equipe comandada pelo major PM Gilmar explicou à vereadora que a operação tinha fundamentação legal: o artigo 29, inciso 8, da Constituição Federal dá aos vereadores apenas a imunidade de opinião, palavras e votos, e o artigo 244 do Código Penal diz que todas as pessoas podem ser revistadas. Os vereadores Alan Balbino (Prona) e Dudu Holanda (PTB) deixaram o plenário e foram até o corredor de entrada, dizendo que o presidente Arnaldo Fontan havia autorizado a entrada da vereadora sem a revista. A atitude foi considerada um desrespeito pelo chefe da operação da PM, que determinou o imediato encerramento da revista. Após a sessão, Fontan disse que os vereadores não estavam autorizados a passar por cima da PM. ?O que eu disse é que eles deveriam convencer a vereadora a entrar e deixar a bolsa do lado de fora, mas eles não entenderam. Agora, terei de apresentar as desculpas da Câmara à Polícia Militar, que apenas atendeu a um pedido feito por mim?, afirmou o presidente. O pedido foi feito depois que o clima nas sessões esquentou, com discussões acirradas entre os vereadores que integram os dois grupos que disputam a Mesa Diretora da Câmara. O vereador Francisco Holanda (PTdoB) também protestou contra a revista e acabou tendo a fala cassada por Fontan, ao discursar em tom duro, dizendo que a presença da PM ?envergonhava? a Casa. Mas nem todos protestaram. Davi Davino (PSDB), disse considerar a iniciativa ?ótima?, por prevenir incidentes, já que não há nenhum controle de quem entra na Câmara. Em plenário, na discussão com Chico Holanda, Davi Davino disse que a revista servia ?para tirar vagabundo da galeria?. |LB