Política
Acordo evita aquartelamento da PM
| ODILON RIOS Repórter Os policiais militares e o Corpo de Bombeiros não vão mais ficar aquartelados. A decisão saiu ontem, depois que o governador em exercício, Luis Abílio (PDT) abriu o canal de negociações com os líderes da PM. O governo estadual não falou em números, mas, na próxima terça-feira será apresentado o resultado de uma simulação de números para aumento nos salários dos policiais militares e do Corpo de Bombeiros (ver detalhes nesta página). O governador em exercício, pronunciando-se por intermédio da Secretaria de Comunicação, disse que o aumento não está descartado, mas não poderia ser feito de uma só vez. ?Neste momento não poderemos dar os 24% reivindicados pela categoria, em função do pagamento da dívida pública do Estado com a União, que passou de 15% para 22%, o que onerou os cofres estaduais em mais R$ 7 milhões por mês. Mas esse estudo nos dará condições de apresentar uma proposta?, analisou Abílio. Redução ?drástica? Ainda segundo o governador em exercício, o Estado teve uma redução ?drástica?, no repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE). ?Não conheço um governante que, podendo conceder 100% de aumento, dê apenas 1%. Fiquem certos de que, pelo respeito que este governo tem por vocês e vice-versa, concederemos o valor máximo possível?, prometeu Abílio. Precatórios De acordo com a Secretaria de Comunicação, outra reunião vai acontecer na semana que vem, provavelmente na segunda-feira, para tratar sobre o recebimento dos precatórios dos policiais e bombeiros militares. Além disso, Abílio determinou à Procuradoria Geral do Estado pressa no projeto sobre a realização de cursos de formação para os soldados e cabos da PM e do Corpo de Bombeiros para propiciar à tropa meios de benefícios com a Lei de Promoções. O governador em exercício prometeu conversar com a Assembléia Legislativa sobre o assunto. ### Mais de mil PMs fora do policiamento Desde o começo da semana, Alagoas vivia a expectativa de aquartelamento dos policiais e bombeiros militares. Eles exigiam aumento de 24% nos salários, além de equiparação salarial com os PMs que fazem a segurança do Palácio Floriano Peixoto. Lideranças da PM reconhecem que alguns policiais estão fora da função, ou seja, abrem trincos de portas no Palácio, por exemplo. O presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas, major Eduardo Lucena, disse à Gazeta que ?não haveria razão para aquartelamento?, já que o governo abriu o canal de negociações. ?O governador foi sensível às propostas apresentadas. Amanhã [hoje] haverá uma reunião entre secretários para ver o que é possível obter?, disse Lucena, referindo-se à simulação salarial para aumento da categoria. Efetivo Em um efetivo de pouco mais de 7.500 policiais militares, cerca de 300 fazem a segurança apenas do Palácio. Nos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), mais de mil policiais fazem a segurança, conforme números fornecidos pelas associações. Segundo Lucena, uma das propostas apresentadas é a retirada de PMs dos três poderes e a substituição pelo Batalhão Patrimonial, ou seja, policiais que estão na reserva. ?Eles têm condições de trabalho e receberão adicional?, analisou o presidente. ?Vamos fazer um levantamento de todas as pessoas que estão nesses órgãos?, apontou Lucena. Além disso, informou o major, o governo estadual vai apresentar um programa de habitação aos policiais. A Gazeta tentou, mas não conseguiu, contato com o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas, logo após a reunião no Palácio. Porém, antes do encontro com o governador em exercício, ele disse à imprensa que os PMs alagoanos têm ?um dos piores salários do Brasil, ficando em penúltimo ou último lugar?. Segundo ele, em Brasília, um PM recebe R$ 2.800. Em Alagoas, disse Simas, o soldo é de cerca de R$ 800 a R$ 1.200, sem impostos. |OR ### Simulação para aumento salarial O secretário de Administração, Valter Oliveira, disse ontem que na próxima terça será feita uma simulação que determinará o percentual de reajuste no salário dos policiais e bombeiros militares. ?Vamos fazer algumas simulações e apresentar a proposta na terça-feira?, disse Valter Oliveira. Um dia antes, porém, em entrevista exclusiva à Gazeta, o secretário admitiu que um aumento de 24% aos policiais, de uma só vez, geraria impacto no Estado de cerca de R$ 50 milhões/ano e utilizou até a palavra ?impossível?. Não descartou, porém, o diálogo com a categoria e disse ainda que a Secretaria da Fazenda fazia estudo sobre um possível aumento. Na reunião de ontem, o gestor de Planejamento, Sérgio Dória, não estava presente, mas apresentava projeto do governo para diminuir custos, na Escola Fazendária, em Jacarecica. ?TranqÜilamente? ?A reunião foi excelente, tudo transcorreu tranqüilamente. Falamos até sobre o que ocorre na corporação?, afirmou Oliveira, sem entrar em detalhes. Ele não falou sobre negociações com os servidores da Saúde, que suspenderam a greve por 48 horas, nem com os policiais civis, que até o final da tarde de ontem estavam com as atividades paralisadas. Ontem, a Secretaria de Comunicação do Governo, não anunciou negociações do governador em exercício, Luis Abílio (PDT), com os dois setores. A Gazeta apurou que na própria reunião não se tocou nestas duas greves. A reportagem tentou contato com a assessoria de Abílio, mas não obteve sucesso. Na terça, Valter Oliveira chamou os grevistas da Saúde e da Polícia Civil de ?irresponsáveis?.|OR