Política
Lessa demite Marcos Carna�ba da Casal
| ODILON RIOS Repórter Horas depois do presidente da Companhia de Abastecimento d?Água e Saneamento de Alagoas (Casal), Marcos Carnaúba, ter entregue uma representação ao Ministério Público Estadual (MPE) pedindo a apuração de possíveis irregularidades na venda de tubulações da adutora de Belo Monte-Jacaré dos Homens, o governador Ronaldo Lessa (PDT) determinou a exoneração de Carnaúba do cargo. A decisão saiu depois de uma reunião na segunda-feira, fim da tarde, mas Carnaúba só soube ontem de sua exoneração através da imprensa. Ontem, em conversa com a Gazeta, por telefone, Carnaúba disse que estava em Brasília, discutindo em setores do governo federal, como o Ministério das Cidades e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) o futuro da Casal. ?Soube [da minha saída] pelos jornais?, confirmou. ?Não sei o motivo da minha substituição?, analisou. Censura Carnaúba, a partir de ontem ex-presidente da Casal, contou que elaborou uma nota, que seria distribuída aos jornais, paga pela Casal, que detalhava o motivo de a presidência da companhia ter decidido entregar uma representação ao MPE pedindo a apuração de supostas irregularidades na adutora sertaneja. ?A nota falava da venda ilegal dos tubos da adutora e que estávamos encaminhando o caso ao Ministério Público?, explicou. Segundo ele, a nota seria distribuída pela Secretaria de Comunicação do Governo, mas foi ?censurada?, de acordo com ele, pelo Palácio Floriano Peixoto. Na versão de Carnaúba, o secretário de Administração, Valter Oliveira, teria ligado para o diretor financeiro da Casal, Dgerson Vieira Rocha, falando sobre a suspensão da nota à imprensa. Contactado pela reportagem, Rocha confirmou que a direção da Casal enviou a nota à imprensa. ?A Casal entendia que deveria dar um esclarecimento ao público porque a tubulação estava sendo roubada?, contou. O secretário estadual de Comunicação, Joaldo Cavalcante, confirmou uma parte do relato do ex-presidente e do diretor financeiro da Casal. ?Não havia sentido em publicar uma nota que não estava de acordo com o Conselho Administrativo?, disse o secretário, dizendo que não houve ?censura? à nota. ### Gastos em mordomias e Casal falida As confusões em torno da Casal viraram rotina no âmbito da empresa estatal, de economia mista. Em agosto, o presidente, Marcos Carnaúba, pediu à Controladoria Geral do Estado (CGE) uma inspeção financeira e orçamentária. Carnaúba assumiu no dia 4 de julho a presidência da Casal. Isso aconteceu logo depois que o presidente anterior, Fernando Souza ? atualmente secretário de Infra-Estrutura ? foi denunciado, através de um dossiê, por gastos considerados excessivos ?sem nenhuma preocupação com a ética e a boa gestão do dinheiro público?, conforme um documento distribuído pelo Sindicato dos Urbanitários, depois de sua posse na Seinfra. FALIDA O suposto excesso de gastos de Fernando Souza com diárias, viagens e despesas em restaurantes às custas da Casal, apontado no dossiê, contrasta com a falência da estatal. Um relatório encerrado em dezembro de 2004 e publicado segunda-feira no Diário Oficial do Estado destaca os ?escassos investimentos federais e estaduais? na companhia, e aponta que a Casal está com um prejuízo de R$ 692.791.508, seu capital de giro é de R$ 466.684.176, os processos judiciais cíveis, trabalhistas e tributários totalizam R$ 171.393.517. ?Esses fatores levantam dúvidas quanto à sua continuidade operacional e indicam a necessidade de obtenção de rentabilidade futura e/ou a necessidade de ingresso de recursos sob a forma de capital e/ou financiamento a longo prazo?, diz o relatório. |OR ### Depois de confusão, posse será amanhã O secretário de Administração, Valter Oliveira, informou que a posse da nova diretoria da empresa acontece na quinta-feira, às 15 horas, na sede da Casal, junto à reunião do Conselho de Administração da empresa. Além de Carnaúba e Dgerson Vieira, o diretor administrativo, Volney Mendes, será substituído. No lugar de Marcos Carnaúba assume o engenheiro Jorge Brizeno, que cuida da área de manutenção da companhia. O engenheiro civil José Maurício assume a direção administativa e o ex-diretor do Laboratório Farmacêutico de Alagoas (Lifal), Carlos Chagas, será o diretor financeiro, no lugar de Dgerson. A queda do presidente da Casal acontece nove dias depois que a companhia instalou ? por ordem de Carnaúba ? uma Comissão de Sindicância para apurar a venda, supostamente irregular, de 14km de tubos de ferro fundido de 450mm da adutora Belo Monte-Jacaré dos Homens. O resultado da sindicância aponta que a decisão de venda das tubulações, feita em março passado, aconteceu sem o conhecimento da Assembléia Geral dos Acionistas da Casal. Contactado ontem pela Gazeta, o secretário de Infra-Estrutura, Fernando Souza, ex-presidente da Casal, disse que não houve ilegalidade na transação e que a Assembléia Geral teve conhecimento do assunto. Ainda de acordo com Fernando Souza, parte dos tubos da adutora estava ?inservível?. ?Quando se fala em sucata, é coisa estragada. Parte estava estragada, parte inservível?. Ele explicou ainda que os tubos que abasteciam as cidades servidas pela adutora sertaneja ?estavam superdimensionados? e foram substituídos por tubos de PVC, de 100mm. ?Não vai haver comprometimento do abastecimento?, garantiu. A Gazeta tentou ouvir o vice-governador Luis Abílio (PDT), mas, por telefone, sua assessoria informou que ele preferiu dizer que a situação da Casal seria tratada pelo governador Ronaldo Lessa (PDT). Segundo o governo, o caso Casal ?será apurado até o fim?. |OR