Política
MPE vai apurar den�ncias sobre Casal
| LUIZA BARREIROS Repórter A demissão do engenheiro Marcos Carnaúba da presidência da Companhia de Abastecimento d?Água e Saneamento de Alagoas (Casal) não invalida a representação feita por ele ao Ministério Público Estadual (MPE), pedindo a apuração das responsabilidades pela venda irregular de tubulações da adutora de Belo Monte-Jacaré dos Homens. A representação foi encaminhada para o MP na última segunda-feira e, no dia seguinte, Carnaúba foi demitido pelo governador Ronaldo Lessa (PDT), sob a alegação de que precisaria de alguém ?da casa? para presidir a Casal. O substituto de Marcos Carnaúba, o engenheiro Jorge Briseno, será conduzido hoje, às 10 horas, à presidência da empresa estatal. O procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, disse ontem, por telefone, que hoje dará encaminhamento à representação, após analisar seu conteúdo. Ele estava em Minas Gerais desde a última segunda-feira, onde participou do Congresso Nacional do Ministério Público, mas contou que foi informado por sua assessoria da chegada da representação da Casal. Seu retorno a Alagoas estava previsto para a noite de ontem, e hoje ele dará expediente normal na Procuradoria Geral de Justiça. Na área criminal, segundo Coaracy Fonseca, o primeiro passo será verificar se algum dos envolvidos tem foro especial, o que definirá, por exemplo, se a apuração será feita pelo próprio procurador-geral ou por uma das varas especializadas. ?Havendo irregularidades administrativas, o caso será encaminhado diretamente para a Promotoria da Fazenda Pública Estadual, que poderá instaurar um procedimento administrativo para apurar os fatos narrados?, explicou. ?Ou, ainda, dependendo dos elementos contidos na representação, a promotoria da Fazenda poderá instaurar diretamente um inquérito civil público. Tudo vai depender dos elementos de prova?, complementou. A base da representação é uma sindicância interna que constatou que, apesar de haver uma recomendação para recuperação da adutora, a venda das tubulações teria sido autorizada ?ao arrepio da lei?, pelo diretor-administrativo da Casal, Vorney Mendes, que já ocupava o cargo na administração anterior, quando o presidente da Casal era Fernando Souza, atual secretário de Infra-Estrutura. Carnaúba disse que, como gestor da Casal, tinha a obrigação de pedir a responsabilização dos envolvidos ao MPE. ### Prefeitos impedem instalação de tubos ODILON RIOS Repórter O secretário de Infra-Estrutura e ex-presidente da Casal, Fernando Souza, acusou prefeitos do Sertão de tentarem impedir a troca dos tubos da Companhia de Abastecimento d?Água do Estado de Alagoas (Casal) na adutora Belo Monte-Jacaré dos Homens. A acusação foi feita na última terça-feira, à Gazeta, por telefone. ?Eles [os prefeitos] não permitem que seja feita a troca de tubos?, disse Souza. Segundo ele, a troca de tubos de 450mm de espessura, em ferro fundido, por tubos de 100mm de espessura em PVC ?não prejudicará a distribuição de água na região?. Souza não citou nomes de prefeitos na acusação. O presidente da Casal, Marcos Carnaúba, que deixa hoje o cargo, também lembrou a existência de um ?movimento político? contra o governador Ronaldo Lessa (PDT) na região da adutora. ?A minha posição é essa: havia um movimento político contra o governador, porque os prefeitos não quiseram falar com o povo, nem permitir que a gente ligasse [os tubos à adutora]?, descreveu Carnaúba, também sem oferecer nomes. Comissão O caso foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), mas Fernando Souza disse à Gazeta que, na próxima semana, uma comissão da Casal traria a público o resultado de um relatório sobre as acusações de Carnaúba, que atingem Souza. Carnaúba não apenas reiterava que a venda de tubos da adutora havia sido ?ilegal?, nas palavras dele, como chegou a declarar que, se não fizesse a denúncia, seria ele próprio acusado da operação irregular. ?Se eu não encaminhasse ao MP, eu teria responsabilidade sobre o fato. A lei manda. Se eu não fizesse isso, meu patrimônio seria confiscado e eu seria processado com uma ação penal?, alertou. A posse da nova diretoria da Casal acontece hoje às 10h da manhã. No lugar de Carnaúba, assume o engenheiro civil Jorge Briseno. Além do presidente, também serão substituídos o diretor financeiro da companhia, Dgerson Vieira Rocha, e o diretor administrativo, Vorney Mendes. O engenheiro civil José Maurício assume a direção administrativa e o ex-diretor do Laboratório Farmacêutico de Alagoas (Lifal), Carlos Chagas, será o diretor financeiro, no lugar de Dgerson. Na terça-feira, o governador Ronaldo Lessa determinou ?investigação rigorosa? na companhia, mas, em nota oficial, Lessa não falava sobre os gastos, supostamente excessivos, em diárias, na gestão do ex-presidente da Casal e atual secretário de Infra-Estrutura, Fernando Souza. ### ALE começa investigação quarta-feira PETRÔNIO VIANA Repórter Os deputados estaduais que compõem a comissão especial formada pela Assembléia Legislativa do Estado (ALE) para investigar as supostas irregularidades na venda das tubulações da adutora Belo Monte-Jacaré dos Homens vão se reunir pela primeira vez na próxima quarta-feira, 16. Segundo o presidente da comissão, deputado Antônio Albuquerque (PFL), neste primeiro encontro serão definidos os procedimentos e os nomes das pessoas que serão convocadas para prestar esclarecimentos sobre a questão. Integram a comissão os deputados Francisco Tenório (PMN), Alves Correia (PMN), Marcos Ferreira (PMN) e Dudu Albuquerque (PSB). De acordo com Albuquerque, não é apenas a mudança das tubulações, de tubos de aço carbono de 450mm para canos de PVC de 100mm, que tem provocado revolta na região. Segundo o deputado, os tubos teriam sido negociados sem licitação e sem a autorização do Conselho Administrativo da Casal. ?A adutora foi desativada sem obedecer a critérios técnicos, sem um projeto de engenharia e sem o acompanhamento da Casal. Além disso, não há registro de entrada de nenhum centavo da venda dos tubos nos cofres da Casal?, acusa. Albuquerque declarou ainda que, segundo informações obtidas por ele, ?cada metro de tubo teria sido vendido pela Casal a um preço de 17 centavos, e revendido por 90 centavos?. ?O mais grave é que ninguém sabe quem comprou?, aponta. Na opinião de Albuquerque não existe justificativa para a exoneração do ex-presidente da empresa, Marcos Carnaúba, e de outros diretores da estatal. ?Eles foram exonerados porque entenderam o absurdo que estava sendo cometido e formaram uma comissão de funcionários para apurar. Porque cumpriram com decência as suas obrigações?, disse. Sobre as acusações do ex-presidente da Casal, Fernando Souza, de que estaria havendo uma ?ação política? para prejudicar o governo do Estado, Albuquerque foi enfático. ?Ele [Souza] deveria procurar uma maneira menos ridícula de tentar esconder o absurdo que praticou. Como se faz uma ação política com a população com sede??.