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Lessa e Mano se acusam pela d�vida

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| ODILON RIOS Repórter A dívida pública de Alagoas, hoje em R$ 5,5 bilhões, virou um jogo de empurra entre os governos Ronaldo Lessa e Manoel Gomes de Barros (1996-1998), que não assumem a autoria do débito e acirram ainda mais o clima de campanha eleitoral. Lessa e Mano fazem parte de grupos políticos adversários. Lessa é candidato ao Senado ano que vem; Mano tenta uma vaga na Câmara Federal, apoiado pelo deputado federal João Lyra (PTB), atualmente principal rival político de Lessa. O pomo da discórdia foram os dois acordos assinados, cada um em um governo, envolvendo a dívida pública alagoana. Em 1996, o governo Suruagy-Mano assinou um acordo repassando a maior parte de sua dívida para o governo federal, assumindo o compromisso de pagar 15% da receita líquida do Estado durante 300 meses. Seis anos depois, em 2002, quando a dívida estava em R$ 2 bilhões, Lessa fez outro acordo, que transformou a rolagem das Letras Financeiras do Tesouro Estadual em dívida federal ? a polêmica negociação conhecida na imprensa como a das ?Letras podres?. Na campanha de 1998 ao governo, Lessa reclamava dessa negociação no governo Mano. A nova dívida teve um prazo de carência de dois anos, que terminou em setembro, e o repasse aos cofres da União passou de 15% para 22% da receita. Para Lessa, a culpa pela dívida é mesmo do governo Mano e argumenta: ?Claro que foi ele [Mano], eles sabem. Quem contraiu a dívida foram eles. Toda a dívida que em seis anos eu contraí são R$ 11 milhões que a gente não começou a pagar. A gente deve quase R$ 6 bilhões?. Rixas e débitos O governador detalhou o problema da dívida e voltou a acusar o ex-governador pela dívida: ?Para se ter uma idéia, desse dinheiro que o governo federal está me cobrando, boa parte nós tiramos para pagar seis meses de débitos que o senhor Manoel Gomes de Barros não pagou. Em 1999, quando eu assumi, o governo federal bloqueou as contas de Alagoas. Por quê? Porque o governo passado, que o próprio Fernando Henrique apoiou, que era o Mano, havia seis meses não pagava a dívida do Estado, e aí o dinheiro foi desbloqueado, com uma liminar, e eu só pude pagar quando nós pagamos as Letras e um deságio; aí é que eu paguei esse débito enorme do governador anterior?. Na declaração, dada na última sexta-feira, 11, no Palácio Floriano Peixoto, Lessa usou um tom eleitoral, atacando o slogan ?apaixonado por Alagoas?, da campanha de Lyra, e disse que pagou, nos últimos sete anos, R$ 2 bilhões, ?o buraco que esses caras deixaram?, como declarou o governador. ?Esse Estado quem acabou foram eles, esse que fica dizendo que é apaixonado por Alagoas fica achando que prefeitura e governo são usinas, com todo respeito de quem administra usina, mas gente é diferente, ele está pensando que aqui é gado?, atacou. ### Mano ataca Lessa e diz que agiu bem Para o ex-governador Manoel Gomes de Barros, o culpado mesmo pela dívida alagoana é o acordo de 2002 do governador Ronaldo Lessa (PDT). ?Não me considero culpado. Tinha que rolar a dívida do Estado. Essa dívida se acumulou durante 20 ou 30 anos, sei lá. Nós calculamos o comprometimento da receita do Estado em 15%?, afirmou Mano. Segundo ele, após o governo Divaldo Suruagy (1995-1997), que renunciou ao governo em 17 de julho de 1997, havia sete folhas atrasadas no Estado. ?O que aconteceu foi a federalização da Ceal e o governo adiantou R$ 300 milhões. A dívida do Estado era menor que as das Letras podres?, classificou. ?Fiz o que era possível na época?. As Letras Financeiras do Tesouro Estadual são uma modalidade de empréstimo do governo, no qual se lançam as letras no mercado para captar recursos. As instituições financeiras interessadas compram essas letras e as resgatam no período e valores previamente combinados. Governável ?Eu deixei o Estado governável, pagava todo mundo no dia 3 de cada mês. Esse governador [Lessa] é um ditador, um nazista?, classificou Mano. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Procuradores, Omar Coêlho, que era procurador-geral do Estado na época do governo Mano ? e pretende se candidatar a deputado federal pelo PFL ?, a dívida do Estado é responsabilidade de Lessa. ?Se a memória não me falha, quando Suruagy assumiu o governo, em 1995, o Estado devia aproximadamente R$ 400 milhões aos cofres da União. No fim da gestão do Suruagy e com a ascensão do Mano, esse governo concluiu com uma dívida de R$ 1,8 bilhão. Hoje, segundo o próprio governador afirma, a dívida é de R$ 5,5 bilhões. Matematicamente, a gente vê que houve um acréscimo de mais de R$ 2,5 bilhões, e a que se deve isso??. ?Ronaldo Lessa passou sete anos nos 15% e não reclamava. Está gritando hoje porque em 2002 ele fez a rolagem das letras e colocou mais 7% para descontar?, lembrou. Grande erro O secretário coordenador de Planejamento, Gestão e Finanças, Sérgio Dória, diz que a dívida é ?herança do passado?, admite que vem sendo paga no governo Lessa, mas disse que ela vem sendo corrigida pelo Índice Geral de Preços (IGP). ?Eu acho que o único grande erro de Ronaldo [Lessa], e que eu não faria, era assumir a dívida dos outros?. Para Dória, a única dívida que Lessa fez foi com o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur): R$ 11 milhões. ?O restante é correção. Qualquer outra história é mentirosa?, afirmou. Sobre o acordo assinado em 2002, Dória lembrou da contratação do escritório Levy & Salomão para negociar com os credores, e disse que em 1999 o governo assumiu ?resíduos de dívidas? do governo Mano. Dos R$ 400 milhões conseguidos em 2002 com o acordo das letras, 83% foram para os precatórios, 16% foram para pagar salários atrasados ?e o restante foi investimento?. |OR

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