Política
Acervo s� depende de decreto de Lula
| LUIZA BARREIROS Repórter O início do funcionamento do Memorial à República, inaugurado pelo governo do Estado no último dia 15, ainda depende da assinatura de um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto estabelecerá o memorial alagoano como uma subsede do Museu da República, com sede no Rio de Janeiro, que ficará responsável pela sua administração, manutenção e acervo. Segundo o diretor-geral do museu carioca, Ricardo Vieiralves de Castro, o texto do decreto já está pronto e foi encaminhado para o Gabinete Civil da Presidência da República. ?A expectativa é de que no início do próximo ano o Memorial já esteja funcionando como um museu?, afirmou, em entrevista por telefone, à Gazeta. O decreto do presidente Lula modificará o anterior, assinado pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek, que em 1960 transformou o Palácio do Catete, antida sede da Presidência da República, em museu. O diretor conta que recebeu a proposta de ampliar o Museu da República para Alagoas há dois anos, quando o governador Ronaldo Lessa (PDT) esteve no Rio de Janeiro divulgando o projeto Alagoas de Corpo e Alma. ?A proposta dele é que fosse estabelecida uma proximidade maior entre Alagoas e o nosso museu, principalmente porque saíram do Estado os dois primeiros presidentes da República [Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto], e na história mais recente, o ex-presidente Fernando Collor de Mello?, contou. Ricardo Vieiralves conta que logo em seguida recebeu o projeto do Memorial e levou para ser discutido com o ministro Gilberto Gil, da Cultura, já que o museu carioca integra a estrutura do ministério. ?O Gil se empolgou e levou para o presidente Lula, que deu sinal verde?, lembra. Segundo Vieiralves, a idéia é tornar os museus nacionais realmente nacionais, através da construção de subsedes em todo o País. ?A criação de subsedes democratiza o acervo disponível, já que a maioria da população não tem como, por exemplo, vir ao Rio para visitar o Museu da República?, justifica. Criando uma subsede em Alagoas, que será a primeira fora do Rio, será possível, segundo Ricardo Vieiralves, realizar exposições, movimentar o acervo e ao mesmo tempo abrir a possibilidade de captação, em Alagoas e no Nordeste, de novos elementos históricos para compor o acervo atual. ?A sede em Alagoas é a ponta de lança para captação de acervos e uma forma de trazer o Nordeste para o cenário central da República?, diz o diretor. AGENDA Vieiralves virá a Alagoas no dia 12 de dezembro para conhecer a estrutura ? conheceu apenas o projeto do arquiteto Alex Barbosa ? e dar início a uma agenda de trabalho para colocar o museu em funcionamento. Foi de Ricardo Vieiralves e equipe a idéia de incluir no projeto um café e uma lojinha de souvenirs. ?Todo museu precisa de recursos para a auto-manutenção. Além disso, turistas, principalmente os estrangeiros, procuram objetos históricos do País. Vamos comercializar o artesanato local voltado para o tema República?, diz. ### Memorial a Teotônio: abandono após sete meses Sete meses depois de ter sido inaugurado, o Memorial Teotônio Vilela ainda não recebeu acervo nem está aberto à visitação pública. Erguido na Praia da Pajuçara, sob severas críticas de arquitetos e, principalmente, de moradores ? que reclamam por terem perdido a visão do mar ? o monumento, apesar de novo, é hoje a imagem do abandono. A sala destinada ao memorial está vazia (guardando apenas algumas vassouras e baldes) e o belísimo vitral da artista plástica Marianne Peretti ? com a bandeira do Brasil estilizada ? já foi alvo de vândalos e está quebrado em três pontos. Do lado de fora, o gramado está seco e amarelado porque não recebe água regularmente. A estátua de bronze do Menestrel das Alagoas está coberta por um limo verde, e o polêmico espelho d?água está vazio: as piscinas suspensas dão lugar apenas ao lixo que se acumula. Fundação Construído pelo governo do Estado ? custou R$ 600 mil ? em homenagem ao alagoano que ficou conhecido por sua luta pela anistia e redemocratização do País, a obra foi feita em cima de um projeto mais amplo concebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O compromisso era de que após a construção, a administração do acervo caberia à Fundação Teotônio Vilela. Segundo a presidente da Fundação, Nice Vilela, havia a expectativa de que o museu fosse inaugurado no próximo dia 27, na passagem dos 22 anos de morte do seu pai, Teotonio Vilela. ?Ficou tecnicamente impossível inaugurar nessa data e a previsão agora é de que até o próximo dia 5 de dezembro o memorial esteja pronto e aberto à visitação?, informou Nice.|LB ### Fundação espera ter ajuda do governo A presidente da Fundação Teotônio Vilela, Nice Vilela, diz que há uma expectativa de que seja firmado um convênio com o governo do Estado para que haja uma ajuda financeira por parte da Secretaria de Cultura para a manutenção do Memorial. ?Já falamos informalmente com o governador Ronaldo Lessa e estamos aguardando a formalização do convênio para que a Fundação administre o local, mas com apoio de verba do governo?, explicou. Segundo ela, o local destinado ao museu receberá dois painéis ? um fotobiográfico e um com frases selecionadas do senador Teotônio Vilela ? que estão sendo concebidos pela designer Gisela Abad, de Pernambuco. ?Na outra vitrine, ficarão os óculos, o chapéu, a bengala e uma identidade que pertenceram ao meu pai?, explicou Nice Vilela, que contou com a assessoria da museóloga Carmem Lúcia Dantas. Vigilância Por enquanto, é a própria família e a Fundação que estão custeando as despesas com a construção do acervo e outras que surgiram, a exemplo da segurança privada do local. ?Quando meu irmão José Aprígio ainda estava vivo, foi ele que decidiu que pagaríamos a vigilância. Segundo ele, a gente não poderia deixar que o Memorial acabasse antes mesmo de começar?, contou, referindo-se ao empresário morto em setembro. Nice diz que, mesmo com todo o interesse da família em preservar a memória de Teotônio Vilela, deve haver um apoio governamental. ?A rigor, todos esses equipamentos são culturais?, justifica.|LB ### Espelho d'água suspenso vai ser transformado em praça O projeto concebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer para o Memorial Teotônio Vilela não foi exatamente o que acabou sendo construído. O projeto original era da sede da Fundação (tendo o memorial como anexo), numa área muito maior, localizada no bairro da Cambona. O resultado é que a adaptação feita na orla da Pajuçara acabou tendo uma série de ?defeitos?, a exemplo da inexistência de banheiro e do espelho d?água que, suspenso, não pode ser visto por quem passa na rua. Segundo Nice Vilela, a Serveal já tem em mãos um projeto arquitetônico de transformação do espelho d?água em uma praça. A obra vai ser executada pela mesma construtora que fez o memorial. ?Além da reclamação dos moradores por conta de doenças, o espelho estava se transformando num piscinão de Ramos, usado por pessoas que saíam da praia?, comentou. Também será feita uma proteção para o vitral. |LB