Política
Lessa x Almeida vai parar na pol�cia
| ODILON RIOS Repórter A guerra política entre o prefeito Cícero Almeida (PTB) e o governador Ronaldo Lessa (PDT) chegou à delegacia. A queixa foi feita na semana passada pelo procurador-geral do município, Paulo Nicholas. Nicholas informou ontem, por telefone, que a Procuradoria Geral do Município fez um Boletim de Ocorrência (BO), no 1º Distrito, para investigar a suposta participação de estudantes e sem-terra em um quebra-quebra que houve, na quinta-feira passada, na sede da prefeitura, na Praça dos Martírios, em frente ao Palácio Floriano Peixoto. Na confusão, janelas foram depredadas, o muro da garagem do prédio foi derrubado e o gabinete do prefeito foi atingido com pedradas. ?Estamos aguardando as providências da Polícia Civil?, disse o procurador-geral. Segundo ele, o Boletim de Ocorrência foi feito na mesma quinta-feira passada. Porém, o que mais vem azeitando o clima de desentendimento entre Almeida e Lessa é a suposta não-participação da Polícia Militar, que poderia, segundo Nicholas, tentar conter estudantes e sem-terra. ?Não é do meu conhecimento que a PM tenha feito alguma coisa?, analisou o procurador, acusando ainda pessoas ligadas ao P-SOL, PSTU e PT pelo quebra-quebra na prefeitura. O P-SOL não assumiu a autoria da depredação (ver detalhes abaixo). De acordo com o diretor da Guarda Civil Municipal, João Mendes, a Guarda Municipal ?fez a sua parte?, mas foi ?pega de surpresa?. Afirmou ainda que foram feitos contatos com a Polícia Militar para reforçar a segurança do prédio da prefeitura, mas não houve resposta. ?Houve uma coisa inesperada. A Guarda estava no local e não havia um número muito grande de estudantes protestando diante da prefeitura?, relatou. ?De repente, chegam os sem-terra, que não tinham nada a ver com aquilo, e foram convencidos pelos estudantes a depredar. Depois, foram embora?, completou Mendes. Nas contas do diretor da Guarda Municipal, para tentar evitar a depredação do prédio da prefeitura, seriam necessários entre 200 e 300 homens da Guarda Municipal. ?Como era um momento de emergência, pedi o apoio da PM, e a PM não veio?. Segundo a versão do diretor João Mendes, a Guarda Municipal não tinha como se deslocar imediatamente para aquela área e conter estudantes e sem-terra. ?O reforço foi pedido diversas vezes, e ninguém foi?. A Gazeta tentou contato com o comandante da PM, coronel Edmilson Cavalcante, mas sua assessoria informou que ele estava resolvendo problemas pessoais e forneceu o contato com o subcomandante, coronel Kleberon de Melo. A assessoria do subcomandante foi informada sobre o assunto, foram fornecidos os contatos com a Gazeta, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. ### Depredação dividiu prefeito e governador Na sexta-feira passada (25), em Rio Largo, o governador Ronaldo Lessa (PDT) negou que a Polícia Militar tivesse sido chamada pela prefeitura para conter a manifestação dos estudantes e sem-terra em frente à sede do Executivo Municipal ? que acabou na depredação do edifício. Lessa culpou o prefeito Cícero Almeida (PTB) pela depredação. Em nota oficial publicada sexta-feira passada, a prefeitura disse que o governo foi ?omisso? por não ter enviado reforço da PM para a prefeitura. A depredação piorou as relações políticas entre Lessa e Almeida. P-Sol Também em nota oficial, o P-Sol, por meio do presidente estadual da legenda, Mário Agra, chamou o prefeito de ?ditador?, ao ter desmarcado com os estudantes uma reunião que definiria o aumento da passagem de ônibus na capital. Disse ainda que a atitude faz lembrar os tempos ?tenebrosos? da ditadura militar brasileira. ?Ao fechar os olhos para a condição de extrema dificuldade financeira da imensa maioria da população de Maceió e autorizar, unilateralmente, o aumento das passagens de ônibus, o prefeito Cícero Almeida desrespeitou o movimento pacífico, o que resultou nos conflitos ocorridos no último dia 24 de novembro na sede da Prefeitura Municipal de Maceió?, diz Agra na nota. ?O P-Sol, ao contrário de recuar com as intimidações da prefeitura e dos empresários do transporte coletivo, continuará até o fim ao lado dos estudantes, dos trabalhadores e da população em geral contra o aumento extorsivo das passagens e pela implantação, já, do passe livre nos ônibus urbanos de Maceió?, conclui a nota de Agra, sem assumir que o partido tenha ajudado a depredar a sede da prefeitura, conforme versão do governo municipal. |OR