Política
Governistas articulam plano B para 2006
| ODILON RIOS Repórter Enquanto o governador tenta em Brasília uma solução política para reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL) que o tornou, por unanimidade, inelegível por três anos, o Palácio Floriano Peixoto começou a colocar em prática um plano B. A busca é por alternativas que possam substituir Lessa, caso não haja reversão na inelegibilidade. No governo, Lessa faz sua parte. Evita críticas muito duras ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que poderia influenciar para evitar a saída do governador da disputa ao Senado por Alagoas em 2006. No Palácio, a estratégia é o fortalecimento de dois nomes: o vice-governador Luis Abílio (PDT) e a secretária de Saúde e ex-prefeita Kátia Born (PSB), antes descartada das previsões palacianas, mas, discretamente, de volta ao cenário político. Abílio é candidato ao governo do Estado, mas a campanha não tem animado nem seus aliados. Até sexta-feira, o que apontava a candidatura de Abílio ao governo eram os adesivos espalhados em carros de membros do Palácio ou em motos que entram e saem da Vice-Governadoria, no bairro do Farol. O fortalecimento do nome do vice passa por problemas, a começar pela ainda não anunciada decisão política do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), de ser ou não candidato ao governo do Estado. Para Abílio, uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) ?a princípio? estaria descartada, como antecipou o próprio vice-governador, em entrevista na semana passada à Gazeta. ?Olhe, essa questão do Tribunal de Contas acho que já descartei. Não existirá vaga no Tribunal de Contas antes de 2007. Tenho compromisso com o governador, tenho compromisso com a sociedade de ele [Lessa] saindo, eu assumir o governo do Estado. Esse é o meu grande compromisso?. A vaga no TC pode ser aberta por intermédio de uma decisão política do governador Lessa. O vice-governador assume definitivamente o governo em abril de 2006. Há duas semanas, Lessa chegou a cogitar, nos bastidores, entregar o governo a Abílio em dezembro, mas a proposta foi rapidamente descartada. O argumento utilizado é que a imagem de Lessa poderia ser engolida por um rival político: o vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL), possível candidato ao Senado. ### Antes descartada, Kátia volta à ribalta A secretária estadual de Saúde, Kátia Born, por decisão interna do PSB, não participa da disputa pelo governo estadual, mas seu nome é arquitetado para o Senado, caso Lessa não reverta a inelegibilidade no TSE. ?Se o senador Renan Calheiros não for candidato a governador, tranqüilamente o PDT lança Luis Abílio?, disse Kátia, na semana passada, à Gazeta. A secretária era considerada carta fora do baralho no PSB e mal aparecia no programa político da sigla. O motivo principal era a rejeição nas pesquisas, logo quando ela saiu da prefeitura da capital, no fim de 2004. Nos últimos meses, porém, ela vem sendo pressionada a ser a possível substituta de Lessa. Na versão da secretária, que não confirma a candidatura ao Senado, seu nome ?está bem em todas as pesquisas?. ?Hoje sou presidente estadual do PSB, o partido está fortalecido, meu nome aparece bem em todas as pesquisas no Estado. O governador até diz: ?Também, com essa candidatura a federal?. E olhe que eu não comecei a fazer campanha?. Já na versão de partidos, tanto aliados quanto adversários, o nome da secretária sequer aparece nas pesquisas. Não por rejeição, explicam fontes, mas por acreditarem que ela estaria fora de qualquer horizonte político, a não ser na Câmara Federal, onde disputaria vaga com o também pessebista Givaldo Carimbão. Para as mesmas fontes ouvidas pela Gazeta, a candidatura de Kátia ao Senado seria o ?suicídio político? da ex-prefeita. Mas um caso é lembrado. Durante a campanha do ano passado ao governo municipal, uma moradora de uma das grotas em Maceió cuspiu no chão, próximo à então prefeita, reclamando que Kátia não havia levado melhorias ao local. A prefeita agarrou a mulher e entrou em sua casa, agarrando um saco de pão e um pouco de café: ?Não fiz nada aqui, mas diga quantas vezes um prefeito entrou na sua casa e comeu o pão que a senhora comprou??. A mulher não respondeu. Fora do páreo Fora da disputa pelo governo, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), descobriu que as pesquisas encomendadas por seu partido não têm mostrado um desempenho favorável ao seu nome, pelo menos ao governo. Ele venceria no sertão alagoano, mas no Agreste e na capital, seu nome despencaria. Em números gerais, ficaria em terceiro ou quarto lugares, em qualquer cenário. Nos testes, foram incluídos um possível apoio de Renan ao senador Teotônio Vilela Filho, o deputado federal João Lyra (PTB) e a senadora Heloísa Helena (P-Sol), que espera um congresso do seu partido, em março, para definir se sai candidata ao governo, ao Senado ou à Presidência da República. ?É muito difícil?, resumiu Celso, sem adiantar se sairá candidato a deputado estadual ou ainda ao Senado. |OR