Política
Trai��o pode decidir elei��o na C�mara
| ODILON RIOS Repórter Um ar de mistério ronda os corredores do prédio da Câmara de Vereadores da capital. Isso porque ainda não se sabe ao certo se as eleições para a Mesa Diretora acontecem ou não este ano. Mas um elemento pode trazer surpresas aos parlamentares: vereadores que selaram acordos de confiança poderão mudar o voto na última hora. Dois grupos disputam as eleições na Câmara: um, liderado pelo atual presidente, Arnaldo Fontan; o outro pelo seu vice, Cristiano Matheus, ambos do PFL. Amanhã (5) termina o prazo dado pelo presidente do PFL em Alagoas, deputado José Thomaz Nonô, para que as confusões em torno da eleição, que racharam o partido, sejam encerradas. Até sexta-feira, o clima ainda era o mesmo, ou seja, Fontan e Matheus, que se dizem amigos, não abriam mão da cabeça de chapa na disputa. Um almoço, na última sexta-feira, de Nonô e Fontan, em Pão de Açúcar, poderá ter encerrado o racha. Mas há um mês, o deputado federal, em entrevista à imprensa, garantia que o assunto seria resolvido com uma ?conversa?. Até esse almoço, o quadro não estava modificado. No clima de indefinição, até o deputado federal João Lyra (PTB) foi acionado para tentar harmonizar o clima pesado no Legislativo da capital. Lyra chamou o vereador Damásio Ferreira (PTdoB) em seu escritório, em Guaxuma, e o convenceu a ficar ao lado de Fontan. Porém, vereadores que apóiam Matheus acreditam em ?surpresas? até o dia da eleição. Não se descarta que Ferreira anule seu voto. Até sexta-feira, o xadrez da eleição estava assim: no grupo de Matheus estão os vereadores José Márcio (PTB), Diogo Gaia (PFL), Marcelo Victor (PTB), Berg Holanda (PTB), Gerônimo Ciqueira (PFL), Fátima Santiago (PTB) e Chico Holanda (PTdoB). Apóiam Fontan: Galba Novaes (PL), Davi Davino (PSDB), Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca (PTB), Marcelo Malta (PCdoB), Alan Balbino (PTB), Robson Calheiros (PMDB), Eduardo Canuto (PV), Dudu Holanda (PTB) e Damásio Ferreira (PTdoB). Fora dos dois grupos estão os vereadores João Luiz (PMDB), Judson Cabral (PT) e Marcos Alves (PDT). Ver quadro abaixo ### Fontan desconversa; Matheus insiste Para o vereador Francisco Holanda, houve ?quebra de acordo? na Câmara. Declarando-se eleitor de Matheus, ele apontou: ?Houve o compromisso de não se reeleger a Mesa atual. Depois, quebrou-se este compromisso?. Perguntado se não teria havido traição, Holanda suavizou: ?Este é um termo menos elegante?. O vereador Judson Cabral, que é líder da oposição, criticou a antecipação das eleições: ?Não vejo necessidade. A Câmara tem que tratar de suas obrigações, da sua tramitação processual e se avalia o mandato e discute a eleição?. O motivo No início de outubro, Fontan conseguiu modificar o regimento da Câmara ao aprovar, em plenário, uma emenda que permitiu a reeleição da Mesa Diretora e a antecipação do processo, que só deveria acontecer em janeiro de 2007. O projeto é semelhante ao do deputado estadual Cícero Amélio (PMN), irmão de Fontan, que também modificou o regimento interno da Assembléia Legislativa e, em agosto de 2003, ajudou a reeleger o então presidente Celso Luiz para a presidência até o final de 2006. Fontan dava sua reeleição como certa. Mas ainda em outubro, uma nova chapa se apresentou para disputar a presidência, liderada por Matheus. Fontan adiou a eleição, e não revela se ela sai ou não este ano. O mandato da atual Mesa se estende até dezembro de 2006. O projeto permite a reeleição da Mesa para o biênio 2007/2008. Na semana passada, Fontan disse que não estava ?preocupado? com o assunto. Falava que a eleição estava em ?segundo plano?, mas não descartou que a votação aconteça antes do recesso parlamentar, nem a ?possibilidade? de concorrer ao cargo. ?Eleição para a Mesa Diretora, para mim, está em segundo plano. Mas não descarto a possibilidade de concorrer, não?, informou, acreditando que até segunda-feira a situação ?estará resolvida?, sem entrar em detalhes. Para o vereador Cristiano Matheus, não se chegou a acordo nenhum sobre o caso. ?Até segunda-feira [amanhã] isso vai estar resolvido. Não abro mão da disputa?. Quanto ao grupo que está ao seu lado, ele garante que coloca ?o corpo inteiro no fogo?. |OR