Política
Premiados lembram assassinato impune
| LUIZA BARREIROS Repórter A cobrança do fim da impunidade dos acusados do assassinato do vereador de Coqueiro Seco Renildo José dos Santos marcou a quinta edição do Prêmio Renildo José dos Santos de Direitos Humanos, cuja premiação ocorreu ontem, na Assembléia Legislativa Estadual (ALE). Renildo foi brutalmente assassinado em 10 de março de 1993 e até hoje ? 12 anos depois ? as cinco pessoas pronunciadas pela Justiça como autoras intelectuais e materiais do crime não foram submetidas a julgamento. O prêmio foi criado em março de 2001, pelo Grupo Gay de Alagoas (GGAL) em parceira com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Fórum Contra a Violência e a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia. Entre as cinco pessoas premiadas, ontem, estava o juiz Ivan Brito, que em 1995 mandou a júri popular o fazendeiro José Renato de Oliveira e Silva e os militares Marcelo Falcão, Paulo Jorge de Lima, Antônio Virgílio dos Santos e Valter da Silva. Renildo era homossexual, fazia oposição ao então prefeito Tadeu Fragoso, filho do fazendeiro acusado, e chegou a ser ameaçado de morte por ele. Depois de ser aplaudido de pé pelos presentes, Brito disse que não fez nada mais que sua obrigação como magistrado. ?Lamento que após 10 anos da sentença de pronúncia o caso não tenha ido a julgamento. Se demorar mais um pouco, há o risco de ocorrer prescrição?, alertou. Após a decisão ter sido mantida pelos tribunais superiores e de haver desaforamento para Maceió, o caso está nas mãos do juiz José Braga Neto, da 9ª Vara Criminal, que já teve que desmarcar o julgamento uma vez, por não ter conseguido intimar o fazendeiro José Renato. Também foram premiados o jornalista Ricardo Mota, o vereador Judson Cabral (PT), a autora de novelas Glória Perez (que não veio nem mandou representante) e o Sindicato dos Urbanitários de Alagoas. Judson Cabral disse em seu discurso que não há democracia sem luta pelos direitos humanos. ?Onde quer que eu esteja, sempre vou contribuir para que os homossexuais tenham os direitos reconhecidos?, disse. Ricardo Mota disse não lamentar as ausências dos deputados à solenidade ? apenas Paulo Fernando dos Santos (PT) e Gilberto Gonçalves compareceram. ?O papel do jornalista é ampliar as vozes dos que lutam pela causa dos direitos humanos?, disse. ### MP recebe Prêmio de Direitos Humanos O Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público de Alagoas (MP-AL) foi escolhido ontem para ser um dos agraciados com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos. A premiação é conferida anualmente pela Presidência da República a pessoas e organizações cujos trabalhos em prol dos direitos humanos sejam merecedores de reconhecimento e destaque por toda a sociedade. A premiação ocorre no próximo dia 12, no auditório do Ministério da Justiça. O Núcleo do MP será um dos quatro agraciados na categoria Instituições Públicas. Outros premiados Desde 1995, quando o prêmio foi criado pelo governo federal, pessoas ou instituições de Alagoas estiveram entre os premiados de três edições . Em 1999, a juíza de Direito Nirvana Mello foi premiada por seu trabalho no combate à prostituição infantil em Porto Calvo. Em 2003, foi a vez do Centro de Gerenciamento de Crises, Direitos Humanos e Polícia Comunitária da PM de Alagoas ser premiado na categoria Segurança Pública. No ano passado, a Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Alagoas (Adefal) foi a vencedora na categoria Pessoa com Deficiência. |LB