Política
Grampo telef�nico no IZP cria tens�o e assusta servidores
PETRÔNIO VIANA Repórter A descoberta de um ?grampo? no telefone de uma das recepções do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) está provocando inquietação em funcionários e diretores do órgão estatal de comunicação. O grampo foi encontrado na manhã da última segunda-feira, na recepção que atende à TV Educativa e à Rádio Educativa FM. O IZP é o órgão governamental ligado à Secretaria Executiva de Educação do Estado responsável pela transmissão de informação oficial. O instituto é formado pelas rádios Educativa FM e Difusora AM, além da emissora de TV e do Teatro Linda Mascarenhas. O recepcionista que suspeitou do grampo levou o telefone para a direção técnica do órgão, que comprovou a instalação do equipamento. De acordo com funcionários do IZP, o clima dentro do órgão é de tensão, uma vez que a grande maioria está em estágio probatório depois do concurso público realizado em 2004. O que tem provocado temor nos funcionários é o fato de o equipamento ser um microfone, instalado no viva-voz do telefone, capaz de gravar as conversas de quem estivesse na recepção. ?Isso tem que ir para o Ministério Público e para a Polícia Federal, porque atenta contra os direitos individuais e a liberdade de expressão. As pessoas estão apavoradas, com medo de represálias. Não se sabe se era possível gravar o conteúdo das conversas por telefone, mas eram gravadas as conversas na recepção, que é um ambiente de congregação. Então, qualquer opinião pessoal podia ser ouvida. E também dava para saber para qual número as pessoas telefonavam?, reclamou um funcionário do IZP. ### Diretor suspeito responde por assédio O motivo da instalação da escuta telefônica no Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), segundo comentários de dentro do órgão, teria sido um caso amoroso entre o diretor administrativo do IZP, Ivanerges Amâncio de Amorim, e uma recepcionista identificada apenas como Carol. Amorim já responde na Justiça a um processo por assédio sexual. De acordo com um funcionário do IZP, o diretor teria ameaçado funcionários que descobriram o grampo, a ponto de um recepcionista consultar um advogado. Na sala de Ivanerges fica a central de câmeras do IZP, por onde ele assistiu à descoberta da escuta telefônica. Todos os corredores do órgão são monitorados por câmeras e, depois da descoberta do grampo, funcionárias têm manifestado receio até mesmo de usar o banheiro. Uma reunião entre a direção do IZP e membros do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, para discutir a condução do caso, foi confirmada para hoje. A preocupação dos profissionais de comunicação é com a existência de outros grampos, principalmente nas redações do órgão. Para o presidente do IZP, Luciano Rocha, não existe necessidade de acionar a polícia. ?Vamos abrir uma sindicância para apurar os fatos. Não acionei a polícia porque não é o caso. Esse é um caso isolado, com motivações individuais e até passionais, mas como ocorreu dentro do órgão, vamos investigar?, disse. O presidente do IZP não confirmou a informação de que o afastamento de dois funcionários já estaria definido. |PV ### Secretário defende apuração completa O secretário executivo de Comunicação, Joaldo Cavalcante, até o início da noite de ontem não havia tomado conhecimento da descoberta da escuta telefônica no Instituto Zumbi dos Palmares (IZP). Ao ser informado do caso pela reportagem da Gazeta, Cavalcante entrou em contato com o presidente do órgão, Luciano Rocha. Na opinião do secretário, uma descoberta desse tipo, em um órgão de comunicação estatal, pode ser considerada grave. ?Em primeiro lugar, é um crime colocar uma escuta telefônica sem autorização judicial. É obrigação da direção do IZP apurar esse fato e punir os responsáveis?, disse Cavalcante. O secretário declarou que concorda com as providências que estão sendo tomadas pelo presidente do IZP. ?A atitude do presidente é correta. É preciso tratar o caso com transparência para que isso não volte a acontecer?, avaliou. Por outro lado, Cavalcante acredita que seja ?desnecessário? comunicar o acaso ao governador Ronaldo Lessa (PDT). ?Não vejo necessidade, no momento, de mobilizar o governador. A forma como o assunto está sendo tratado pelo IZP é suficiente para dar uma resposta à sociedade?, argumentou o secretário. De acordo com funcionários do IZP, ainda não foi feito nenhum comunicado oficial do órgão aos servidores. Esses servidores esperam que o governador, por ter sofrido perseguições durante o regime militar, possa impedir que um fato como esse venha a se repetir. |PV