Política
IZP substitui diretor afastado do cargo
| PETRÔNIO VIANA Repórter O substituto do ex-diretor-administrativo e financeiro do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), Ivanerges Amâncio de Amorim, já foi escolhido. Trata-se de Mário Sérgio Quintella Fonseca, que já exercia cargo comissionado no Departamento de Recursos Humanos do IZP. Amorim foi afastado de suas funções na última sexta-feira, depois que uma escuta telefônica, supostamente instalada por ordem dele, foi descoberta em uma das recepções do instituto. O novo diretor também é um dos componentes da comissão de sindicância instalada pelo presidente do IZP, Luciano Rocha, para investigar internamente a instalação do grampo. Na manhã de ontem, de acordo com o presidente da comissão de sindicância, Ricardo Teles Gomes, a comissão se reuniu rapidamente para acertar alguns detalhes da investigação. A entrada da polícia no caso ainda não foi definida. Também na manhã de ontem, o presidente do instituto esteve reunido com representantes da Telemar, no sentido de providenciar a varredura que vai verificar todos os telefones do IZP para garantir que não existem escutas instaladas em outros aparelhos do órgão. ?Entramos oficialmente em contato com a Telemar e eles explicaram até onde podem fazer esse serviço. A empresa disse que pode fazer o trabalho externamente, mas não internamente. Eles vão indicar uma outra empresa que trabalha com isso e presta serviço a Telemar?, explicou Luciano Rocha. De acordo com Rocha, o laudo técnico da auditoria será anexado ao relatório final da comissão de sindicância, que deverá concluir os trabalhos no mês de janeiro. Rocha disse ainda que pretende se manter afastado do caso para não interferir no andamento das investigações. ### Recepcionista descobriu a instalação O grampo telefônico instalado em uma das recepções do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) foi descoberto pelo recepcionista Dorcivan dos Santos Leite no último dia 19. Dorcivan estranhou a fiação que saía do aparelho e o levou ao departamento técnico do IZP, onde foi constatada a escuta telefônica. O recepcionista chegou a ser ameaçado pelo ex-diretor-administrativo e financeiro do órgão, Ivanerges Amâncio de Amorim, suposto responsável pela instalação da escuta. Amorim foi afastado das funções comissionadas na última sexta-feira, como forma de punição e para que ele não atrapalhasse o trabalho da comissão de sindicância criada para apurar o caso. O afastamento definitivo de Amorim do IZP só deverá acontecer com a conclusão do trabalho da comissão de sindicância que apura o caso. O ex-diretor é funcionário efetivo do órgão e sua exoneração depende de processo administrativo interno. Dorcivan e outra recepcionista do IZP também foram afastados, de acordo com o presidente do órgão, Luciano Rocha, para que suas imagens fossem ?preservadas?. Dorcivan declarou, na semana passada, que entraria de férias no próximo dia 2 e que o afastamento teria sido uma ?antecipação? dessas férias. O ex-diretor do IZP teria mantido um caso amoroso com a recepcionista que foi afastada do órgão. O caso terminou em um processo por assédio sexual e teria motivado a instalação do grampo. De acordo com comentários de dentro do IZP, Amorim já teria se envolvido com uma outra funcionária do órgão, que acabou demitida. A pessoa que morava com essa funcionária teria sofrido ameaças por parte de Amorim. Na semana passada, Dorcivan Leite denunciou que havia sido ameaçado por Amorim. De acordo com o recepcionista, Amorim teria dito que Dorcivan estava ?falando demais? e que iria ?assumir a responsabilidade? pelo que estava dizendo. Dorcivan analisa a possibilidade de processar o ex-diretor por causa das ameaças. Sindicato As investigações em torno da instalação do grampo telefônico em uma das recepções do IZP tiveram início depois que o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) foi acionado por profissionais que trabalham no órgão, preocupados com a possibilidade de existência de outras escutas nas redações do órgão, que aglomera uma emissora de TV, uma rádio AM e uma rádio FM, responsáveis pela divulgação de informações oficiais. O sindicato procurou a direção do IZP e cobrou a adoção de medidas que garantissem que as redações do instituto estivessem livres de grampos. As medidas sugeridas pelo Sindjornal em uma reunião realizada na última sexta-feira, como a instalação da comissão de sindicância para apurar o caso e a realização de uma auditoria nos telefones do órgão, estão sendo adotadas pela direção do órgão. O Sindjornal pretende ainda acompanhar o trabalho da comissão. O clima no IZP ainda é de tensão. |PV