Política
Governo pode ir � Justi�a para se livrar de Beira-Mar
| ODILON RIOS Repórter Medidas para a transferência do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar da sede da Polícia Federal em Alagoas para outro Estado estão sendo analisadas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), por determinação da Secretaria de Defesa Social. A informação foi dada ontem pelo secretário Paschoal Savastano. A idéia, contou o secretário, é que a PGE ?encontre a medida judicial adequada? para a transferência do traficante. ?A procuradoria terá que fazer a reflexão. É a própria procuradoria que vai ter de encontrar este caminho?, adiantou Savastano. Enquanto a secretaria utiliza esta estratégia, argumentou o secretário, o governo tenta um contato com o Ministério da Justiça e com a Presidência da República, por meio do próprio governador Ronaldo Lessa (PDT). A Gazeta tentou contato com o procurador-geral do Estado, Wilson Protásio, durante toda a tarde de ontem, mas seu celular não atendia às ligações. Em entrevista ontem à Rádio Gazeta, o prefeito Cícero Almeida (PTB) reclamou da atenção dada ao traficante. ?Deixa o cara preso lá. O que ele quer é que se levante polêmica?, analisou. ?Claro que ele não é um bom inquilino. Que ele pague na Justiça?, afirmou. A Gazeta apurou que uma das iniciativas jurídicas, já estudada pela PGE, é uma Ação Civil Pública pedindo a imediata transferência de Beira-Mar de Maceió. A estratégia não é nova. O penúltimo Estado que abrigou o traficante carioca, Santa Catarina, também entrou com uma ação deste tipo no Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de o STF julgar a transferência, Beira-Mar foi transferido para a carceragem da Polícia Federal alagoana, no bairro de Jaraguá. ### Rua fechada e PM reforçando vigilância MARCOS RODRIGUES Repórter A presença em Maceió do traficante internacional de drogas Fernandinho Beira-Mar não desagrada apenas moradores. Até a Polícia Militar não gosta da idéia de deslocar efetivos da periferia para vigiar um preso de responsabilidade federal. Beira-Mar, que está na sede da Polícia Federal (PF), no bairro de Jaraguá, além de mudar a rotina dentro da superintendência, também interfere na de quem mora no entorno do prédio. Na semana passada, o problema ficou pior porque a PF, por intermédio de um pedido na Justiça Federal, conseguiu o apoio da Polícia Militar para vigiar o acesso ao prédio. Com isso foram montadas barreiras e uma das pistas de acesso foi interditada. Incômodo Para vizinhos do prédio, a nova rotina está causando irritação. O músico Edval Roberto de Oliveira, 26, conta que para se livrar das barreiras os carros ameaçam subir na calçada. ?O pior são as revistas feitas nas bolsas da gente?, reclama Edval. Já o funcionário de um bar próximo à PF não tem o que reclamar. É ele quem produz as quentinhas que são servidas aos presos. ?Existem seis pessoas presas lá. Acho que o Beira-Mar também come da nossa comida?, disse o rapaz, sem querer se identificar. Para reforçar a segurança do prédio, a PM deslocou homens de áreas de risco. Segundo o coronel Brito, do Comando de Policiamento da Capital, a periferia ficou desprotegida com a operação que envolve 20 militares.