Política
Beira-Mar deve ficar em AL at� fevereiro
| PETRÔNIO VIANA Repórter O traficante carioca Fernandinho Beira-Mar, preso desde o dia 26 de novembro na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Alagoas, no bairro do Jaraguá, deverá deixar o Estado antes do carnaval. Essa é a previsão feita pelo superintendente da PF, delegado Rogério Cota. De acordo com o delegado, a PF alagoana aguarda a conclusão de obras no presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para que a transferência do traficante possa ser feita. Também existe a possibilidade de Beira-Mar ser deslocado para um presídio em Cuiabá, no Mato Grosso. ?A instalação de equipamentos no presídio deve ser concluída a qualquer momento. O carnaval será no fim de fevereiro. Então, até lá, ele [Beira-Mar] já deve ter sido transferido?, comentou Cota. Na semana passada, a Justiça Federal recebeu a resposta do então superintendente em exercício da PF em Alagoas, delegado Arivaldo Marques, a uma petição feita pela PGE e remetida à Procuradoria Geral da República, determinando uma análise das condições da sede da PF alagoana. A transferência, no entanto, pode acontecer antes do previsto por Cota. Nesta semana, com o término do recesso do Poder Judiciário, a Justiça Federal deverá dar prosseguimento ao pedido feito pela PGE para que o traficante seja removido de Alagoas o mais rapidamente possível. O processo que pede a transferência de Beira-Mar encontra-se com o juiz federal Sebastião Vasquez, da 4ª Vara de Execuções Penais, mas os ofícios e documentos que tramitaram durante o recesso ainda não foram entregues ao magistrado. Vasquez vai analisar a documentação, juntá-la aos autos do processo e, possivelmente, até o fim de semana, definir o destino de Beira-Mar. O traficante é mantido isolado dos outros detentos da carceragem da PF, com os quais tem contato somente durante os banhos de sol. A segurança na sede da PF está recebendo reforços da Polícia Rodoviária Federal e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar. ### Um é muito, dois é demais para Alagoas PLÍNIO LINS Editor de Política A transferência, de volta para Alagoas, do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante está sendo retardada por uma razão prática e considerada lógica: não há condições de as forças de segurança de Alagoas ? aí incluindo a Polícia Federal ? arcarem com os riscos de manter no Estado, ao mesmo tempo, dois presos perigosos como Cavalcante e Fernandinho Beira-Mar, que desde novembro passa sua segunda temporada na PF alagoana. ?Um é muito, dois é demais?, admitiu à Gazeta uma fonte da área de segurança. Mesmo que os dois ficassem trancafiados em locais diferentes ? o ex-militar no presídio Baldomero Cavalcanti e o traficante permanecendo na carceragem da PF ?, as condições de segurança não seriam satisfatórias e poderiam ficar ainda mais prejudicadas, porque a vigilância sobre os presos, ao invés de concentrada num só ponto, seria dispersada em dois. Para o governo do Estado, a vinda de Cavalcante, se consumada agora, seria um grande problema político. Se já houve uma grita veemente da sociedade contra a presença de Beira-Mar ? e o próprio governador Ronaldo Lessa voltou atrás e rendeu-se ao clamor ?, uma eventual volta de Cavalcante seria desastrosa. Ontem, na 1ª Vara de Execuções Penais de Pernambuco, a informação dada à Gazeta foi de que não há previsão, pelo menos para os próximos dias, de uma decisão do juiz Adeildo Nunes sobre o retorno de Cavalcante para Alagoas, pedido por seus advogados. A justificativa oficial é de que o magistrado está com muito trabalho acumulado. Já nas fontes da segurança, o sentimento é de que a decisão judicial deve se pautar pela sensatez: esperar que Alagoas primeiro se livre de Beira-Mar, para receber Cavalcante de volta.