loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Suspeita de crime pol�tico em Macei�

Ouvir
Compartilhar

REGINA CARVALHO Repórter Ana Adília Rocha, viúva do líder comunitário Edvaldo Guilherme da Silva, 44 anos, mais conhecido como ?Baré-Cola?, denunciou ontem que o assassinato de seu marido teve motivação política. A vítima trabalhava como segurança da Assembléia Legislativa (ALE) e atuava como cabo eleitoral de vários políticos. Baré-Cola recebeu oito tiros, no último sábado, enquanto assistia a um jogo de futebol, no campo do São Paulo, a 50 metros da sua residência, no Conjunto Joaquim Leão, no Dique Estrada. ?Acho que o crime foi praticado por gente grande da política, porque estava muito bem planejado. Todo mundo sabe que ele morreu por causa de problemas políticos?, contou Ana Adília, casada havia 22 anos com o líder comunitário, com quem teve três filhas. A viúva denuncia ainda que seu esposo pode ter sido morto por causa das eleições deste ano. ?Não foi gente daqui. Ele era querido por todos do bairro. Meu marido foi assassinado por conta das eleições deste ano. Alguém que estava se sentindo incomodado?, desabafou. ?Baré-Cola? atuava como presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Joaquim Leão e atualmente era cabo eleitoral do deputado estadual arapiraquense Dudu Albuquerque (PDT). Também possuía uma rádio comunitária, a Mundaú FM, que foi remanejada recentemente da sede da associação para o Edifício Brêda, no Centro de Maceió. A vítima estava assistindo a um jogo de futebol, promovido pela associação, quando foi assassinada. Em sua casa há várias fotos de Baré-Cola com autoridades e políticos. ?Recebemos ligações de muita gente, inclusive do governador Ronaldo Lessa?, contou Ana Adília. Ela avisou que vai continuar fazendo o trabalho do marido, como cabo eleitoral. Em área ?dominada? pelo deputado estadual Marcos Barbosa (PMN), como reconhecem os próprios moradores do Joaquim Leão e bairros próximos, Baré-Cola é apontado como o grande responsável pelo crescimento do apoio à candidatura do deputado Dudu Albuquerque. ?Todas as casas desses bairros próximos, no Joaquim Leão, Vergel do Lago, Trapiche e Ponta Grossa têm um adesivo do Dudu. Meu marido ia trabalhar para ele este ano?, informou a viúva do líder comunitário. Ela destacou que, nesta quarta-feira, Baré-Cola iria se reunir com o deputado estadual Francisco Tenório (PMN), para acertar os últimos detalhes de um acordo com o parlamentar. ?Ele ia conversar para fazer a campanha do Chico para deputado federal?, conta Ana Adília. ### Três homens sem máscara deram tiros A viúva relata que o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), chamou Baré para ser segurança da Assembléia. ?Acho que foi porque ele tinha porte físico. Ele também trabalhou muito tempo com Temóteo Correia (deputado) e era amigo do deputado Luiz Pedro. Tudo ele conversava comigo e nunca me disse que tinha inimigos?, contou a viúva. Embora afirmem que o crime teve motivação política, parentes não apontam os possíveis responsáveis pelo assassinato. ?Ele não permitia que na rádio se criticassem políticos. Só ajudava pessoas carentes. Ele não tinha rivais?, relatou o cunhado da vítima, Leiva Rocha. Ana Adília conta que, na noite do último sábado, quando ela estava em casa e seu esposo foi assassinado, ouviu vários disparos. Ao chegar no campo de futebol, Baré já estava dentro de um veículo para ser levado para o Pronto-Socorro. ?Contaram que foram três homens de cara limpa em um Corsa azul-marinho. Eles se aproximaram do meu marido, que estava sentado num banco. Dois deles atiraram no Baré. Soube que deram 16 tiros, três deles para cima?, disse. De acordo com a viúva, os assassinos gritaram para que as pessoas se afastassem. ?Um deles era branco, outro tinha cavanhaque e outro era baixo. Ainda tentaram perseguir o carro dos assassinos, mas eles desapareceram no Trapiche?. Ana contou que a placa do carro estava amassada para que não fosse identificada. Na última eleição, o líder comunitário trabalhou para o prefeito Cícero Almeida e o vereador Toroca. Ligado à ex-prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB), Baré desistiu de apoiar o candidato à prefeitura Alberto Sextafeira. ?Ele disse para a Kátia que Sextafeira não ia ganhar e ficou do lado do Cícero?, contou a viúva. Baré-Cola, que também foi presidente da Associação dos Moradores do Benedito Bentes, foi enterrado no domingo. ?Meu marido foi o homem forte do Toroca aqui nessa região. Conseguiu muitos votos para ele. Ele dizia que não nasceu para ser político, gostava de ser cabo eleitoral e que só parava de trabalhar quando seu candidato era eleito?, detalhou Ana Adília. |RC

Relacionadas