Política
Novo motim em pres�dio deixa quatro presos feridos
CARLA SERQUEIRA Repórter O governo de Alagoas enfrentou, ontem à noite, mais um motim e tentativa de fuga no sistema prisional alagoano. Quatro presos foram feridos, na tentativa de fuga do presídio Rubens Quintella. Por volta das 18h, um grupo de detentos, escoltado por agentes penitenciários, foi levar o lixo para fora do prédio, quando alguns tentaram fugir pelos fundos do presídio. Um foi baleado no braço e outros três feridos com arma branca por outros presos, já dentro do presídio. Todos foram encaminhados para a Unidade de Emergência Armando Lages, no Trapiche da Barra. O motim foi assistido pelo diretor do presídio Rubens Quintela, major PM Santos, e pelo secretário de Ressocialização, Aurélio Rozendo. Duas viaturas da Polícia Militar faziam a vigilância das laterais do prédio, enquanto homens do Grupamento de Agentes Penitenciários (GAP) tentavam conter os presos que até às 20h gritavam em cima do telhado. Durante o motim, para não morrer, cerca de 20 presos foram levados para um setor nos fundos do presídio. ?São presos de bom comportamento, mas odiado pelos demais. Quando tem alguma confusão, eles têm de deixar a enfermaria, onde estão alojados, para não serem vítimas?, explicou o secretário Aurélio Rozendo. De acordo com ele, é comum o início de uma confusão dentro do presídio, quando os 183 presos, lotados no Rubens Quintella, escutam o estampido de um tiro. ?Eles escutam o tiro e ficam agitados?, afirmou. Ele disse também que os presos estarem no telhado é comum. ?Eles tentam escapar por tudo que é buraco. Processo de evasão é natural?, disse ele. O secretário Aurélio Rozendo explicou que o grupo de presos estava encarregado de auxiliar nos serviços gerais do presídio, no caso de ontem, o transporte do lixo das celas para a porta da unidade é uma tarefa delegada aos mais comportados. ?Um deles foi baleado, mas com bala sem efeito letal?, afirmou Rozendo, que aguardava o retorno dos feridos. ?Vou ouvi-los para saber as motivações do ato?, disse. Até o fechamento desta edição, os nomes dos presos feridos não haviam sido divulgados. ### Morte de Fidélis abriu série de rebeliões nos presídios GILVAN FERREIRA Repórter A tentativa de fuga, que provocou o motim de ontem à noite no presídio Rubens Quintella, reiniciou a temporada de conflitos no sistema prisional de Alagoas, que está em crise desde o assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, executado dentro do presídio Baldomero Cavalcanti em 28 de outubro do ano passado. O secretário de Ressocialização, Valter Gama, o diretor do presídio Baldomero Cavalcanti, delegado Jair Macário, e mais diretores do presídio chegaram a ser presos, acusados de envolvimento no assassinato de Fidélis. O clima no sistema prisional foi agravado com uma série de rebeliões no presídio Rubens Quintella, em uma delas, no dia 16 de novembro, os presidiários assassinaram dois presos; um deles, Cristiano dos Santos, 29, teve sua cabeça degolada. Depois dessa série de rebeliões, o governador Ronaldo Lessa decidiu nomear um oficial da PM, considerado ?linha dura?, para comandar o sistema prisional do Estado. O tenente-coronel Aurélio Rozendo assumiu o cargo e decidiu implantar uma série de medidas, que incluíram a transferência de presos e demissão de agentes penitenciários. Fim da calmaria Depois de um período de ?calmaria?, o sistema prisional voltou a ser abalado com a fuga, no último dia 30 de dezembro, de 36 detentos do presídio Baldomero Cavalcanti. Durante a fuga, considerada a maior do sistema nos últimos 12 meses, o detento Fábio José de Oliveira, o ?Tatuagem?, que cumpria pena por furto, assalto à mão armada e formação de quadrilha, foi morto, em uma suposta troca de tiros com a guarda do Baldomero Cavalcanti. Os presos do presídio Rubens Quintella tinham tentando outras duas fugas nos últimos 15 dias.