Política
PV aguarda Justi�a para expulsar Pag�o
| PETRÔNIO VIANA Repórter A vice-presidente nacional do Partido Verde (PV), presidente da executiva estadual e do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Sandra Menezes, vai aguardar a manifestação da Justiça e do diretório do partido em Rio Largo para definir sobre a expulsão do vereador Alexandre Cardoso da Silva, o Júnior Pagão, do partido. Júnior Pagão é acusado de liderar uma quadrilha envolvida em assaltos, seqüestros e roubo de cargas. Até o momento, sua filiação ao PV está suspensa. Na última sexta-feira, depois de uma reunião do diretório estadual do PV, foi encaminhado um ofício ao presidente do partido em Rio Largo, Sérgio Carvalho, solicitando ?mais esclarecimentos e informações? sobre o vereador e seu envolvimento com a contravenção. Carvalho foi convocado para uma reunião a ser realizada ontem, na sede do partido. Entretanto, Carvalho não foi localizado e não compareceu ao encontro. De acordo com Sandra Menezes, caso o dirigente não se manifeste em um prazo não estipulado, mas não superior a uma semana, a direção do partido em Rio Largo, responsável pela filiação de Júnior Pagão, deverá ser destituída. Nesse caso, as filiações no município não sofrerão prejuízo e uma eleição será convocada para a escolha de uma nova diretoria. ?Se o PV não tiver informações, se o diretório não se manifestar, a gente vai ter que destituir o diretório?, avisou Sandra. ?A gente não pode julgar ninguém, muito menos o Partido Verde. O PV é um partido diferenciado, não prejulga ninguém. Até agora, não existe prova. É óbvio que a gente não quer nos nossos quadros pessoas que estejam comprometidas com o crime, mas não sou eu que vou prejulgar ninguém e nem vou expulsar uma pessoa sem a Justiça ter se manifestado?, ponderou Sandra Menezes. O estatuto do PV prevê a suspensão da filiação de integrantes suspeitos de cometer irregularidades ou atos criminosos. Para a presidente estadual do PV, o perfil de pretensos candidatos que se filiam ao partido difere muito do que acabou por ser revelado sobre Júnior Pagão. ?A violência está totalmente fora do estatuto do PV. Então, é muito difícil você perceber que uma pessoa que queira se filiar ao PV tenha esse sintoma de violência. Normalmente, são pessoas abertas, sem preconceitos?, observou. A presidente do IMA lembrou do caso do vereador por Maceió, Paulo Corintho, que somente conseguiu assumir o mandato no fim do ano passado, depois do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-AL) tê-lo inocentado das acusações de compra de votos nas eleições de 2004. ?Se nós tivéssemos expulsado o Paulo Corintho, e depois a Justiça o declarasse inocente, como nós ficaríamos??, questionou. Sandra Menezes explicou que é preciso ter cautela para que não seja tomada qualquer atitude precipitada por parte do PV. Para ela, Júnior Pagão deveria se apresentar de uma vez à polícia. ?A gente não pode fazer o papel da Justiça. Em todo lugar tem gente que é boa e que é má. Eu não sei quem é esse cara [Júnior Pagão], não conheço ele. A gente está dando o direito dele se defender por meio do seu diretório, mas cada um tem que responder pelos seus atos?, argumentou. Depois da divulgação nacional do caso, a direção nacional chegou a pedir explicações ao diretório alagoano sobre a situação. O paradeiro do vereador continua desconhecido pela Polícia Civil. ### Partido Verde abre leque de apoio político com esquerda A vice-presidente nacional do PV, Sandra Menezes, declarou ontem seu apoio à candidatura da senadora Heloísa Helena (P-Sol) para a Presidência da República nas eleições de outubro deste ano. Na opinião de Sandra, que também preside o Instituto do Meio Ambiente de alagoas (IMA), a candidatura da senadora alagoana deverá crescer e ganhar força durante o período de campanha eleitoral. ?Meu voto é dela. Se ela me quiser de vice, melhor ainda?, brincou Sandra. De acordo com a presidente do IMA, o compromisso de apoiar a candidatura do governador Ronaldo Lessa (PDT) na disputa por uma vaga no Senado Federal está mantido. ?Esse compromisso, nem eu nem a executiva estadual abrem mão. Vamos apoiar o governador para o Senado, não há dúvida disso?, comentou Sandra. O acerto, entretanto, não é consenso no partido e tem caráter ?individual?, ou seja, não se estende aos outros candidatos apoiados pelo grupo político de Lessa. Para Sandra Menezes, na disputa pelo governo do Estado, ?a pessoa que daria continuidade ao projeto? de Lessa seria o vice-governador Luis Abílio de Sousa (PDT). Entretanto, na avaliação de Sandra, ainda não há nada definido. ?Tem aí o João Lyra [PTB, deputado federal e candidato ao governo]. Eu admiro o Lyra como empresário, por causa da questão ambiental, por sempre ter atendido às reivindicações do IMA. Mas não tenho relação política com ele?, revelou. A definição do partido deverá sair antes do mês de abril, quando as candidaturas majoritárias estiverem mais claras. Um outro compromisso do PV, segundo Sandra Menezes, é com a executiva nacional. O partido ?precisa fazer candidatos? para a Assembléia Legislativa do Estado (ALE) e para a Câmara Federal, no sentido do PV alcançar a ?cláusula de barreira?, para que o partido tenha direito a receber os recursos do fundo partidário. O PV tem hoje 8 deputados federais e pretende dobrar esse número. Aliados Os prováveis aliados do PV, dentro do Estado, para as eleições deste ano, na opinião de Sandra Menezes, devem sair da esquerda. Ela aponta, entre os prováveis aliados do partido, o PCdoB, PCB e PAM. De acordo com Sílvio Camelo, que tem articulado as candidaturas proporcionais do PV, cerca de 15 nomes já estão colocados para a disputa, mas ainda não está definido quem disputará as vagas na ALE ou na Câmara Federal. De acordo com Nilton Lins, que também cuida das articulações do PV, está descartada a possibilidade de aliança, na proporcional, com o PSB, o PSDB, PMDB, PDT - de Lessa - PFL e PTB - de Lyra. O PV não deverá se coligar com o PT a nível estadual, uma vez que saiu da base de sustentação do governo federal. |PV