Política
Pol�cia identifica assassino de Bar�-Cola
| REGINA CARVALHO Repórter Passados 42 dias desde o assassinato do segurança da Assembléia Legislativa (ALE), líder comunitário e cabo eleitoral Edvaldo Guilherme da Silva, o Baré-Cola, a Polícia Civil identificou o ex-assessor parlamentar Henrique Oliveira como um dos pistoleiros responsáveis pelo crime. ?Ele foi reconhecido por muitas testemunhas. Não tenho dúvida de que ele deflagrou os tiros?, destacou o delegado do 3º Distrito Policial (DP), Arnaldo Soares. O inquérito policial será encaminhado à Justiça depois do carnaval, mas o delegado adiantou que vai pedir prorrogação do prazo já que ainda falta o reconhecimento pelas testemunhas de dois homens que estavam com Henrique e a autoria intelectual do crime. ?Preciso que uma testemunha, que viu tudo, reconheça os dois outros homens que estavam com Henrique. Essa testemunha desistiu em cima da hora. Tenho os nomes deles e quase certeza do envolvimento, mas preciso ter a confirmação. Acredito que quando o inquérito voltar para mim, vou chegar às pessoas que mandaram matar o Baré?, relatou Arnaldo Soares. A ousadia dos pistoleiros que chegaram ao campo de futebol, no Conjunto Joaquim Leão, de ?cara limpa?, e deflagraram 16 tiros, atingindo o cabo eleitoral, chamou a atenção do responsável pelo caso. ?Isso é a certeza da impunidade?, reforçou Soares. O ?currículo? de crimes atribuídos a Henrique Oliveira é extenso. Ele é citado, com o sargento PM Raimundo Medeiros, por envolvimento em mais de 30 homicídios e outros crimes em Alagoas e Pernambuco. Os seis juízes do Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCCO) decretaram a prisão da dupla, que continua foragida. A saída deles de Alagoas, segundo a Justiça, teria sido provocada por vazamento de informações sigilosas dentro das polícias Militar e Civil. Dentre os inúmeros crimes que são citados, sargento Medeiros e Henrique teriam ainda participado do assassinato do promotor de Cupira (PE), Rossini Alves. ?Ele (Henrique) já tem prisão preventiva decretada, mas hoje também indiciei ele por homicídio qualificado?, reforçou o titular do 3º DP. De acordo com informações da polícia, Henrique foi visto dias antes do assassinato nas proximidades da residência da vítima, no Conjunto Joaquim Leão, e que observava com insistência a movimentação do local. MOTIVAÇÃO políticA O delegado Arnaldo Soares continua acreditando que o crime teve motivação política, tese levantada desde o início pela viúva de Baré - a cabo eleitoral Ana Adélia Rocha - mas que ainda não sabe a autoria intelectual. ?Pelas características e os depoimentos que tive acesso, o assassinato foi realmente político. Tenho 90% de certeza que os outros dois que participaram do crime também são pistoleiros?, destacou Soares. O delegado da Polícia Federal (PF) Joacir Avelino declarou, ontem, que as buscas ao sargento Medeiros e Henrique continuam, mesmo com o vazamento das informações. A PF recebeu a informação de que os dois teriam deixado Alagoas, mas que ainda estariam na região Nordeste. O Crime Baré-cola, que também atuava como presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Joaquim Leão, foi assassinado com 16 tiros enquanto assistia a uma partida de futebol, distante aproximadamente 50 metros de sua residência, no Conjunto Joaquim Leão. Como cabo eleitoral, Baré-Cola trabalhou para muitos candidatos. Para a viúva, Ana Adélia, o trabalho dele despertou a fúria de pessoas poderosas, já que o líder comunitário tinha forte influência na região e angariava votos nos bairros Joaquim Leão, Vergel do Lago, Trapiche e Ponta Grossa. Apesar disso, Ana alega que ele não tinha inimigos. O líder comunitário começou a atuar como cabo eleitoral quando ainda morava no Benedito Bentes e possuía uma rádio comunitária, a Mundaú FM. Entre os vários políticos com quem Baré-Cola trabalhou estão o prefeito de Maceió Cícero Almeida, o vereador Valter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, e o deputado estadual Dudu Albuquerque. Ana Adélia disse que Baré-Cola fecharia acordo, na semana seguinte a sua morte, com o deputado estadual Francisco Tenório (PMN) para um provável trabalho nas eleições deste ano.|RC