Política
Em Alagoas, folia n�o p�ra conversas pol�ticas eleitorais
| ODILON RIOS Repórter Enquanto a maioria dos alagoaos se diverte neste carnaval, os políticos estarão desfilando no bloco das articulações, definindo os detalhes para as eleições deste ano. Os caciques terão um carnaval bastante diversificado: estarão em Paris, Barra de São Miguel ou em Maceió, de cama. É o caso do senador Teotônio Vilela Filho (PSDB). Em entrevista por telefone na última sexta-feira, o governador Ronaldo Lessa (PDT) disse que o senador está com diverticulite, uma inflamação que se manifesta no intestino grosso. Mesmo deitado, no sábado, Téo Vilela vai receber, em seu apartamento, no Edifício Terrazas, na Ponta Verde, o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) e Lessa. Assunto: eleições. ?A princípio, a reunião será lá, na casa do Téo?, disse o governador. Lessa teve reunião na última quinta-feira com os partidos que formam o ?frentão?, todos aliados de Lessa e com cargos na estrutura estadual. Convidou Renan, Téo e o deputado federal João Caldas (PL). Não foram. Segundo o governador, os senadores queriam reunião reservada. Lessa disse ainda que neste fim de semana vai encontrar prefeitos alagoanos. Quer visitar cidades do interior. Nega a proposta política, mas, no Palácio Floriano Peixoto, a idéia é que o governador possa evitar uma debandada de chefes do Executivo para o lado do pré-candidato a deputado federal João Lyra (PTB), seu principal inimigo político. ?Acho que o governo não deveria ter pressa [em definir candidato próprio]. Quem tem pressa é quem precisa se limpar, criar imagem, etc. O governo tem que trabalhar e na hora adequada apresentar candidato. As forças políticas é que estão cobrando de nós uma posição e acho que a gente tem que atender às forças políticas. Se não for assim, o governo está fazendo campanha eleitoral?. Horas depois de ter dito isso, na quarta-feira, Lessa reuniu o ?frentão? em sua casa, na mansão no Santa Amélia. O discurso da tropa de choque palaciana é outro: pressionar Renan para uma definição e evitar o avanço de Lyra no Estado. Churrasco de carneiro A proposta é que Renan decida, depois do carnaval, se vai ou não concorrer ao governo alagoano. O encontro com Lessa e Téo neste sábado não exclui o senador de ficar este fim de semana em sua casa de praia, na Barra de São Miguel. Lá, está sendo preparada carne de carneiro, prato predileto do senador, e, na mesa, prefeitos e aliados, com um cardápio político mais incrementado. Na sexta-feira, a previsão era de que Renan nada dissesse neste fim de semana. O anúncio sobre sua candidatura ou não poderá vir após um pequeno ?censo?, nesta semana, em Brasília. Prefeitos aliados de Renan foram convocados para ?conversar?. Assunto: eleições. A presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Rosiana Beltrão (PRP), foi chamada pelo senador na terça-feira, logo depois da visita de Lula: ?Precisamos conversar, prefeita?; ?Pois não, senador. Qual o assunto??; ?Política?, reproduziu Rosiana, também prefeita de Feliz Deserto, em contato com a Gazeta, semana passada. Depois do ?censo?, o presidente do Congresso Nacional reúne a imprensa (discute-se que seja na Casa da Comunicação, no Trapiche da Barra), para dar a resposta. O governador duvida que ele aceite concorrer ao governo estadual. ?Renan pode avaliar se ao sair do cenário nacional ele consegue ter essa mesma força política?, contou Lessa, em entrevista coletiva semana passada. A ?dica? de Renan parece ter saído no discurso de terça: se ele seria mais ?útil? como governador ou presidente do Senado? Os prefeitos serão os primeiros a dar a resposta.