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Nº 5731
Política

Renan pede calma e aguarda as pr�vias

| ODILON RIOS Repórter O destino político do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), depende hoje, mais do que nunca, das prévias do seu partido, previstas para acontecer em 19 de março. O senador faz parte do grupo aliado ao p

Por | Edição do dia 02/03/2006 - Matéria atualizada em 02/03/2006 às 00h00

| ODILON RIOS Repórter O destino político do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), depende hoje, mais do que nunca, das prévias do seu partido, previstas para acontecer em 19 de março. O senador faz parte do grupo aliado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que quer tudo, menos a realização das prévias, com a proposta de escolher o candidato peemedebista para compor a Vice-Presidência da República na corrida para sua reeleição. Pressionado por todos os lados, e com a possibilidade de ver naufragar uma aproximação política maior com o presidente Lula, via PMDB, exatamente por causa das prévias de março, o senador alagoano conversou ontem com a Gazeta, por telefone, mas foi bastante evasivo nas respostas. Sobre a estratégia do PMDB governista de tentar barrar as prévias e consolidar a aproximação com Lula, Renan foi curto: “Não tenho nenhuma informação nos últimos dias sobre isso”, disse o presidente do Congresso Nacional. Depois, o senador falou sobre o que ele chamou de “complexidade do partido”, referindo-se ao PMDB. “É complexo, o partido é grande e temos que ter calma”, disse Renan Calheiros. O senador deveria dar a resposta sobre seu destino político nas eleições de outubro após o carnaval, como vinha sustentado há alguns dias. Porém, cardeais do PMDB alagoano não acreditam que a resposta venha antes da realização das prévias, apesar de sustentarem que a candidatura do presidente do Senado ao governo está de pé. Leia matéria nessa página Renan vice de lula? Apesar de ser bastante econômico nas palavras, o senador Renan Calheiros, ao ser perguntado pela Gazeta da possibilidade em concorrer como vice em uma chapa à Presidência da República, com Lula à frente, o senador negou: “Não tem nada a ver. Já disseram que eu era candidato ao governo alagoano depois disseram que não. Temos que aguardar”, assinalou o presidente do Congresso. Desta vez, Renan não falou em novos prazos para seu futuro político este ano. “O PMDB se prepara para as prévias. Vamos avaliar o que fazer ou não fazer”, contou. Apesar de pressionado, Renan está em posição bastante confortável: se quiser, poderá não concorrer a nada este ano, e continuar como presidente do Congresso, e mandato de senador até 2011. ### Renan pode virar presidente por 15 dias Um dos coordenadores do PMDB em Alagoas, o cardiologista José Wanderley Neto, que foi candidato a prefeito de Maceió em 2004 pelo PMDB, conversou com o senador na terça-feira de carnaval. “O dia do anúncio para concorrer ao governo virá logo após as prévias”, disse o cardiologista. “Ele não é obrigado a tomar essa decisão agora”, apontou. Wanderley confirmou uma estratégia que vem sendo traçada no PMDB, para assumir o Palácio do Planalto ainda este ano. Isso porque o presidente do Congresso poderá sentar na cadeira como presidente da República, por 15 dias, tempo em que Lula estará viajando. Renan é cotado para assumir a cadeira vermelha do Planalto porque o vice-presidente, José Alencar, é candidato ao governo mineiro ou ainda, possivelmente, candidato a presidente da República. Na ordem da sucessão, o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, deveria assumir a Presidência da República. Mas, não quer. Isso porque é candidato à reeleição e, em mais alguns anos, tem o projeto de disputar a Prefeitura de São Paulo. Porém, de acordo com Wanderley, se o presidente do Congresso topar sentar na cadeira presidencial, torna-se inelegível ao governo alagoano. “Pela lei eleitoral, se Renan aceitar, não poderá ser candidato. Ele é automaticamente inelegível. Por isso, ele deve tomar a decisão depois das prévias”, contou. Porém, a inelegibililidade não é ponto de consenso entre advogados na área eleitoral, ouvidos pela Gazeta. De um lado, acredita-se que Renan ficaria inelegível a qualquer coisa (menos se topar concorrer à Presidência da República). Do outro, Renan não só poderia sentar na cadeira de presidente como se candidatar a qualquer cargo eletivo, incluindo ser vice em uma possível reeleição de Lula. |OR ### José Costa: decisão sobre AL somente após as prévias O cardiologista José Wanderley, do PMDB, tem um diagnóstico sobre a situação política do senador. “Ele está calmo, mas a pressão é grande. Mas, de fato, ele tem vontade de ser candidato ao governo. Mas, na política, como na vida, as circunstâncias conduzem a gente, mais do que a vontade pessoal”, apontou o cardiologista. Outro cardeal peemedebista, o advogado José Costa, que conversa com Renan de maneira quase constante, afirma que a decisão do Renan sobre concorrer ou não ao governo alagoano sairá após o dia 19 de março, data das prévias do PMDB. “Uma coisa é o partido ter candidato a presidente e essa possibilidade ser esvaziada. Dentro dos trabalhos políticos, essas hipóteses são consideradas”, apontou. A análise de Costa leva em conta também a situação do PSDB, hoje dividido entre dois nomes à Presidência da República: o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Se os dois saírem dos governos, quem assume a vaga é o PFL. Se o Serra sair do cargo, fica em situação difícil, sem mandato por três anos porque terá de entregar a prefeitura ao PFL”. E disse que o PMDB espera a decisão do PSDB. “Em tese, o PMDB possui candidatos menos viáveis que o PSDB”, afirmou José Costa. Rasteira Os aliados peemedebistas do presidente Lula trabalham com a possibilidade concreta de derrubar as prévias do PMDB. A rasteira seria dada com o aval do Planalto e teria quatro articuladores do PMDB: Renan, o ex-presidente e senador José Sarney (AP), o líder peemedebista no Senado, Ney Suassuna (PB), e o deputado Jader Barbalho (PA). A jogada inclui ações na Justiça contestando os critérios da realização das prévias, forçar alguns estados a não realizarem a eleição do dia 19 e lançar um terceiro nome para forçar a realização de um segundo turno. As inscrições para novos nomes irão até o dia 10 de março. Dois candidatos seguiam disputando as prévias: o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, e o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. |OR ### PMDB diz que aliança Lyra-Celso não assusta Pelo menos para o PMDB alagoano, a aliança entre o deputado federal João Lyra (PTB) e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), não chega a causar grandes sustos. O advogado José Costa acredita que o presidente do Congresso, Renan Calheiros, caso aceite ser candidato ao governo alagoano, e escolher como vice a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB), terá o apoio de cerca de trinta municípios ao redor da terra do fumo. “Celso tem muitas prefeituras, mas não tem mais votos que a Célia”, provocou. Sumiu Ex-aliado do governador Ronaldo Lessa (PDT), até ontem, Celso estava sumido do cenário político. Não se sabia se estava na capital ou no Sertão com seu rebanho político. O governador estava na mansão do Santa Amélia, no Tabuleiro do Martins. Estava incomunicável e, segundo pessoas próximas, “bem humorado” e se recuperando da cirurgia na coluna, feita em janeiro. O candidato de Lessa e do “frentão” ao governo, seu vice Luis Abílio (PDT), estava, até ontem em Paris, capital da França. A previsão é que retorne na semana que vem. No TSE Uma decisão na semana passada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acabou, sem querer, favorecendo Abílio. Isso porque o tribunal decidiu que um vice-governador poderá concorrer à reeleição nas eleições deste ano, mesmo se estiver ocupando interinamente o cargo de governador de Estado seis meses antes do pleito. Na prática. Isso significa que, a partir do dia 30 de março, data na qual Lessa deverá se afasta para concorrer ao Senado, Abílio poderá dividir as ações como governador e candidato ao governo, nas eleições de outubro. |OR

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