Política
PT de Alagoas j� faz campanha de Lula
| ODILON RIOS Repórter Além das propagandas institucionais do governo Luiz Inácio Lula da Silva veiculadas em rede nacional e local de TV, sobre as principais obras nos estados brasileiros, entre elas, os novos aeroportos, adutoras e avanços na reforma agrária, quem também pega ?carona? - em ritmo de campanha eleitoral - é o PT. Desde o começo da semana, os canais de TV em Alagoas estão veiculando inserções sobre obras e realizações do governo Lula no Estado, ancoradas pelas ?estrelas? do partido: os titulares das secretarias e órgãos federais em Alagoas, a maioria deles candidatos a algum cargo na próxima eleição. O delegado federal da Agricultura, Évio Lima, chegou a dizer que o governo Lula enviou mais de R$ 1 milhão para o Estado para aplicar no campo, ?principalmente para campanha de erradicação da febre aftosa?. Em clima de campanha presidencial, Lima encerrou assim sua fala na TV: ?Estamos de mãos dadas com o governo do Estado, prefeituras, produtores e trabalhadores nesta luta conjunta que com certeza será vitoriosa?. A Gazeta tentou, mas não conseguiu localizar o secretário de Agricultura, Kleber Torres, para confirmar os números e a ações no campo. ?Reforma dá certo? Outro integrante do PT, o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gino César, disse que a reforma agrária alagoana ?dá certo? e citou exemplos de assentamentos espalhados no interior. ?Em Alagoas, há muitas experiências de produção com qualidade. Exemplo disso são os assentamentos Nova Esperança, no sertão onde se criam peixes do São Francisco, e Bom Jesus, em Maragogi, que se produz polpa de fruta?. E a conversa de Gino César prossegue na TV: ?Uma coisa importante é a autonomia dos movimentos sociais e dos trabalhadores para atuar e escolher seus projetos. Ainda há muito o que fazer, mas o que está sendo feito comprova que este governo tem compromisso com uma vida digna no campo?. O diretor-presidente do Instituto de Terras de Alagoas (Iteral), Cláudio Pereira, não contestou a informação, mas reclamou da desigualdade no campo, que ainda permanece no governo Lula. ?O governo federal tem dado alternativas aos movimentos nessas áreas, especialmente aos acampados. Mas deve se investir mais em ações nessas áreas, apesar de a meta prometida pelo governo federal não estar sendo cumprida. Falta muito para isso ainda?, detalhou o diretor-presidente do instituto. Se o clima será ou não eleitoral, hoje está previsto, na sede do Incra, o anúncio do fim da novela sobre a posição do órgão com relação à massa falida das terras da Usina Agrisa, em Flexeiras, após anos de embate entre os ex-donos e os sem-terras assentados. Candidato, mas não se sabe a quê, o superintendente do Incra vai mostrar que a elaboração dos laudos para avaliação das usinas foi concluído. No campo estadual, o secretário de Direitos Humanos, José Roberto, disse na TV que ?nunca se investiu tanto na história desse País em projetos e programas que visam combater as discriminações e garantir os direitos humanos?. Ele acrescentou ainda: ?Só tem sido possível avançar nas conquistas de mais cidadania para o povo graças ao apoio do governo de Alagoas, somado ao compromisso do governo Lula com os direitos humanos?. A Gazeta tentou, mas não conseguiu localizar o governador Ronaldo Lessa (PDT) para comentar as ações do governo Lula. ### Candidatos fazem discurso na telinha O vereador Judson Cabral, mais afastado do clima eleitoral de confete e serpentina ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, tira também uma ?casquinha? da propaganda gratuita do programa do PT para falar de suas ações na Câmara de Vereadores. ?O mandato do vereador deve fortalecer a cidadania. Meus projetos são voltados para o cidadão comum, que paga seus impostos e trabalha como você e eu. Este ano, priorizei ações de saúde pública, com projetos já aprovados e definindo para o controle da água que você consome e proibindo fumar em cinemas, shoppings, restaurantes e ambientes de trabalho. Quando o vereador cumpre o seu papel, a população reconhece?, discursou Judson, candidato ao governo de Alagoas pelo PT nas últimas eleições. Choque com Lula As ?mensagens? dos petistas vão de encontro aos dados divulgados pelo governador Ronaldo Lessa (PDT), que entrou em choque com Lula, quando este afirmou que 83% das grandes obras do Estado eram do governo federal, em discurso, há duas semanas, durante a inauguração da pedra fundamental da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Arapiraca. Lessa retrucou, e disse que tudo não passa de repasses federais obrigatórios e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria feito muito mais por Alagoas. Silêncio Apesar da aparição na televisão, com elogios ao presidente da República, o tom mesmo é de silêncio no PT alagoano. Isso porque alguns petistas reclamam que estão sendo carregados a reboque pelo Palácio Floriano Peixoto, além de terem de ouvir os desabafos do ex-aliado de Lula, o governador. PT e Lessa são aliados desde 2004, na eleição da prefeitura da capital. Atualmente, o PT é integrante do ?frentão?, tentativa de criação de um nome do governo para disputar a cadeira do Palácio Floriano Peixoto. O mais cotado é o do vice-governador Luis Abílio (PDT). Porém, outros são trabalhados, como o senador tucano Teotônio Vilela Filho e o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros. O presidente do diretório estadual do PT, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, não descartou conversas com o PSDB, inimigos no campo nacional, nem com o P-Sol, da senadora Heloísa Helena, que já avisou: o partido terá candidato próprio ao governo. Helena é ex-aliada de Lessa e ex-petista. |OR