Política
Rigor da nova lei eleitoral preocupa publicit�rios de AL
| ODILON RIOS Repórter O rigor da nova lei eleitoral quanto à propaganda política, o encurtamento do tempo de publicidade permitida - somente a partir de 6 de julho, a três meses das eleições de outubro - está provocando calafrios no segmento de empresas publicitárias e de brindes. O setor já prevê que a ?galinha dos ovos de ouro? pode parar de chocar tanto. Que inclui, de acordo com números nacionais do segmento, a ampliação de empregos, que hoje absorve de 200 a 400 mil ocupações no País em época eleitoral. Pelas novas regras ficam proibidas propagandas de rua, em outdoors, postes de iluminação, sinais de trânsito e passarelas, além do fim de showmícios, proibição de distribuição de camisetas e brindes como canetas, chaveiros e bonés, durante o período não permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Alagoas, o publicitário Luiz Dantas prevê prejuízos superiores a 50%, contando desde estúdios de gravação de TV até gráficas, passando por serigrafias. ?Acho que de um modo geral o mercado vai sofrer, bem como o candidato, que marcaria uma maior presença na campanha, já que disputaria a eleição com maiores chances de vitória?, analisou Dantas. Segundo o publicitário, as gráficas e serigrafias serão as mais atingidas, já que elas produzem camisas, buttons e bonés. ?São as pequenas empresas que vão sofrer as maiores conseqüências e olhe que temos uma centena de serigrafias. Campanha dá muito emprego?, explicou Dantas. Uma campanha eleitoral para presidente da República, senador ou governador consome algo em torno de 30 milhões a 60 milhões de camisetas, o que equivale a R$ 90 milhões a R$ 180 milhões. Na indústria de brindes, incluindo bonés, canetas, viseiras, régua, chaves, porta-títulos, admite-se uma perda de R$ 60 milhões. Um showmício custa até R$ 200 milhões. Outdoor e mídia extensiva (adesivos, busdoor, sinalizadores, banners) não saem por menos que R$ 50 milhões. Estes valores são previstos a cada turno de eleição. ?Quando um candidato está na frente, aumenta a dimensão da campanha, das atrações para os showmícios, que serão estudadas com mais carinho, a depender do público que vai atingir?, analisou o publicitário. Chances Para ele, os candidatos menos conhecidos terão menos chances de ?aparecer? para o público. ?Não há campanha neste país, mesmo na história, que não tivesse funcionando sem adesivos ou cartazes. Não consigo entender essa reversão. O showmício dá oportunidade a quem quer se divertir. Se passar, as campanhas serão ?chochas?, muito ruins?. Outro empresário do ramo publicitário, Sidney Agra, dono de uma produtora, tem uma opinião diferente: não avalia grandes impactos no mercado publicitário se as medidas que proíbem showmícios valerem nas eleições. ?O impacto na realidade é se não for mexida na lei de TV. Assim, poderemos usar outras ferramentas de marketing. Acho que se os adesivos, botons ou outdoors não forem usados, a TV vai ser mais utilizada?. ### Dinheiro será escoado para compra de voto Outro empresário do ramo publicitário, na área de brindes, Nerilson Oliveira, tem um ponto de vista diferente: as modificações propostas no Congresso Nacional para o barateamento das campanhas ?são de uma irresponsabilidade absurda?. ?Todo mundo quer colocar a culpa nos buttons, pelo menos é o que parece. Virou uma cortina de fumaça para tudo aquilo que acontece em Brasília. Ele diz que sua empresa chega a faturar, na época de uma campanha política, entre 500% a 1.000% sobre o movimento de todo ano. ?Contratamos muitas pessoas. Não é o adesivo, button ou caneta que vai explorar o eleitor. Quem vai sofrer também são os candidatos, porque vamos voltar à Idade da Pedra, no campo publicitário?. Para o empresário, que mantém contato com publicitários do Centro Sul, especialmente fabricantes de camisetas, os efeitos das discussões no Congresso Nacional já são sentidos. ?Estamos todos com o freio de mão puxado. Não podemos contratar ninguém porque temos que esperar. Para se ter uma idéia, ao invés de termos que contratar 10 funcionários, teremos apenas dois?. Eduardo Jorge, o Robot, do ramo publicitário e que atualmente arrendou sua empresa, disse que se o projeto passar, haverá estímulo para a corrupção política. ?O político, com o dinheiro no bolso, vai escoar o dinheiro para comprar votos?. |OR