Política
Pol�ticos alagoanos s�o presidenci�veis
| PETRÔNIO VIANA Repórter As eleições gerais deste ano vão servir de cenário para o confronto nacional entre adversários políticos acostumados a se enfrentar em nível estadual. Pelo menos quatro políticos alagoanos têm a possibilidade - ou a esperança - de entrar na briga pela Presidência da República, uns com mais, outros com menos respaldo para essa missão. Alguns ainda disfarçam a intenção, outros anunciaram publicamente sua vontade de medir a aceitação perante o eleitorado nacional. O Brasil já teve três presidentes da República alagoanos. Os primeiros, os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, nos idos da instalação do regime republicano no País, e o mais recente, Fernando Collor de Mello, no início da década de 90. Hoje, o Estado possui mais políticos em cargos decisivos, principalmente no Poder Legislativo, do que qualquer outro Estado nordestino. Talvez por isso, mais do que em eleições passadas, os políticos alagoanos tenham resolvido investir pesado em candidaturas nacionais. Presidenciáveis Entre os alagoanos com chances de ingressar em uma chapa para o Executivo federal está o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), o vice-presidente da Câmara Federal, deputado José Thomaz Nonô (PFL), a presidente nacional do recém-criado P-Sol, senadora Heloísa Helena e o governador Ronaldo Lessa (PDT), que vem sendo apontado pelo próprio partido como possível ?cabeça de chapa? na corrida pelo Palácio do Planalto. Além desses ?presidenciáveis?, o Estado conta ainda com a presença do atual presidente da Câmara Federal, deputado Aldo Rebelo, nascido em Satuba, mas eleito pelo Estado de São Paulo; do deputado João Caldas (PL), na 4ª secretaria da Mesa Diretora da Câmara, e com o deputado Givaldo Carimbão (PSB), suplente em exercício da 3ª secretaria da Casa. O deputado Benedito de Lira (PP) é ainda um dos 14 integrantes do Conselho de Ética da Câmara, responsável pela análise dos processos de cassação dos parlamentares envolvidos nas denúncias de corrupção que abalaram o governo federal no ano passado. convenções e prévias O desfecho das negociações em torno da participação de políticos alagoanos em chapas para a Presidência da República deverá acontecer até o dia 30 de junho, prazo estipulado pela Legislação eleitoral para a realização das convenções partidárias, quando os representantes de cada partido nos estados poderão escolher os nomes considerados mais fortes para a disputa. Até lá, alguns partidos que dispõem de mais de um pré-candidato, como o PSDB e o PMDB, deverão realizar eleições prévias entre seus militantes, ou seja, uma votação interna para que o candidato seja escolhido. A convenção partidária, nesse caso, servirá apenas para homologar a escolha feita nas prévias e lançar oficialmente o nome dos candidatos. O único candidato posto até o momento é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ### Renan: o sonho de ser vice na chapa de Lula O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), de acordo com informações veiculadas por um jornal de circulação nacional, estaria articulando uma maneira de evitar a realização das prévias de seu partido com a intenção de manter o PMDB atrelado ao PT nas eleições deste ano. Calheiros, que conta com a ajuda do ex-presidente e senador José Sarney, teria ainda a esperança de participar, como vice, na chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A prévia do PMDB está marcada para o dia 19 deste mês e vai decidir entre a candidatura do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, e do atual governador do Rio Grande do Sul, Germando Rigotto. Garotinho supostamente estaria levando vantagem sobre Rigotto. Com mais cinco anos de mandato pela frente, o senador tentou forçar um ?imobilismo? nas articulações políticas em Alagoas, segurando o anúncio de sua candidatura ao governo estadual até que a sua situação em nível nacional estivesse definida. A estratégia do senador foi prejudicada pelo anúncio, no início do mês de fevereiro, da aliança entre o PMN do presidente da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), deputado Celso Luiz, e o PTB do deputado federal João Lyra que, até o momento, é o único nome posto para a disputa pelo governo. Cansados de esperar por uma definição de Calheiros e vendo as negociações entre o PMN e o PTB tomarem rumo, o grupo político do governador Ronaldo Lessa, formado por PDT, PSB, PT, PC do B e PV, antecipou o calendário de discussões e passou a buscar uma nova alternativa, uma vez qu a preferência do grupo seria pelo apoio ao senador. Entre os nomes que Lessa dispõe, está o vice-governador Luis Abílio de Souza (PDT) e o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB). Calheiros não foi localizado para comentar o assunto. |PV ### Lessa e Nonô buscam espaço nacional O governador Ronaldo Lessa (PDT) revelou, no mês passado, ter sido convidado pela cúpula de seu partido para disputar a Presidência da República. O PDT tem, além de Lessa, outro dois pré-candidatos: o senador e ex-ministro da Educação Cristóvão Buarque (DF) e o senador Jefferson Peres (AM). Segundo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, a convenção do partido, na qual será feita a escolha do candidato, não tem data marcada, mas deverá ser realizada entre os dias 15 e 30 de junho. Lupi informou que o PDT não discute a participação em uma chapa majoritária, ocupando a vaga de vice. ?Estamos discutindo os critérios da escolha do nosso candidato, com uma candidatura própria. Não discutimos a possibilidade de ser vice de ninguém?, avisa, sem no entanto esconder que o partido tem mantido ?conversas permanentes com outras legendas no sentido de firmar alianças para a disputa eleitoral. ?Temos conversado muito com o PPS do Roberto Freire [deputado federal e presidente do PPS], com o PV e com o P-Sol, mas estamos em fase embrionária. Entre os meses de abril e maio teremos uma definição sobre as alianças?, planeja Lupi. O presidente do PDT confirma o convite feito a Lessa. ?Hoje, o nome de Lessa ultrapassa as fronteiras de Alagoas, é uma referência para o Brasil. Fizemos o convite e ele aceitou, colocou seu nome à disposição do partido. O PDT tem simpatia pela candidatura dele à Presidência, mas estamos avaliando em conjunto o que é melhor, se é isso ou candidatura ao Senado?, explicou. Lupi criticou a determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-AL) que suspendeu a propaganda institucional do governo estadual e declarou ainda acreditar na reversão, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) que tornou o governador inelegível por três anos. ?Vamos alegar a suspeição do TRE de Alagoas porque temos certeza de que ele está sofrendo influência dos rivais políticos de Lessa. E ainda suspenderam a propaganda do governo quando até o governo federal tem feito sua propaganda normalmente?, observou. ?Interlocutor? O vice-presidente da Câmara Federal, deputado José Thomaz Nonô (PFL), declarou, na terça-feira de carnaval, que pretende ser o vice em uma possível composição nacional com o PSDB na disputa pela Presidência da República. O deputado enfatizou que já teria conversado com os dois pré-candidatos do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, José Serra, e teria arrancado deles declarações de apoio à sua participação na chapa. ?Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já disse que está do meu lado. Hoje, eu sou o maior interlocutor entre o Estado e o PSDB, mais até do que o Téo [senador Teotônio Vilela Filho, PSDB]?, desafiou Nonô. No ano passado, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), havia lançado seu nome na disputa pelo Palácio do Planalto mas, segundo Nonô, Maia seria hoje o seu maior ?cabo eleitoral?. Neste mês, Maia deverá comunicar se vai desistir de sua candidatura. O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), através de sua assessoria, comunicou que vai esperar a realização da convenção do partido, na segunda quinzena deste mês, para se manifestar. O senador reforçou a possibilidade de aliança com o PSDB. ?Todas as coligações deveriam ser auto-explicativas e a aliança com o PSDB, naturalmente, seria assim?, disse. PV ### A difícil escolha de Heloísa: Senado, Alagoas ou Brasil O P-Sol, partido criado em 2005 depois da expulsão da senadora Heloísa Helena, com o apoio dos deputados federais Luciana Genro e João Batista, o Babá, do PT, motivada pela crítica em relação à política econômica adotada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vai disputar sua primeira grande eleição. A senadora alagoana Heloísa Helena, destaque nos quadros do P-Sol, tem o apoio quase unânime de seu partido na disputa pela Presidência da República. A senadora ainda não confirma oficialmente sua pré-candidatura, mas é apontada como a única integrante do partido com chances de participar significativamente da corrida presidencial. Atualmente, Heloísa Helena aparece com variações entre 5% e 8% nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com o presidente do P-Sol em Alagoas, Mário Agra, a candidatura da senadora ainda não pode ser considerada irreversível. ?Só vamos ter uma definição no congresso do partido em abril. O nome da senadora está posto. No congresso, vamos avaliar se ela será candidata à Presidência, ao governo do Estado ou ao Senado?, pondera Agra. Para o representante regional do P-Sol, a candidatura de Heloísa Helena não será apenas representativa. ?Vamos entrar para ganhar. O partido que não pensa assim está morto. Mesmo com as dificuldades de ser um partido recém-formado, com pouco tempo na TV, mesmo com o boicote de alguns segmentos, a candidatura já ultrapassa as expectativas iniciais?, revela. Pesquisas Mário Agra observa o crescimento da candidatura da senadora alagoana nas pesquisas de intenção de voto. ?Nas pequisas, estamos sempre aparecendo em quinto, quarto ou terceiro lugar. Sem a candidatura de Serra [José, PSDB, prefeito de São Paulo] e de Garotinho [Anthony, PMDB, ex-governador do Rio de Janeiro], somos a terceira opção nesse momento. Os candidatos de partidos com maior estrutura e mais apoio não tem aparecido tão bem quanto ela?, avalia Agra, que dividirá seu tempo entre sua candidatura, provavelmente a deputado estadual, e a coordenação nacional da campanha de Heloísa. Sobre a aparição da senadora em uma revista de circulação nacional, direcionada ao público feminino, com a imagem totalmente diferente do que de costume, com os cabelos soltos, maquiagem e sobrancelhas feitas, Agra informa que não se deve esperar uma mudança brusca no perfil de Heloísa por causa das eleições. ?Não vai haver mudança de perfil. Ela fez a matéria por insistência da revista. Não esperem por uma Heloísa Helena light?, brinca. O P-Sol não faz planos para o futuro da senadora caso ela dispute a Presidência e seja derrotada. ?Nem discutimos isso. Estamos avaliando o projeto para 2006. Depois, só depois?, disse Agra. |PV