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Nº 5732
Política

Lessa v� compl� contra sua candidatura

| ODILON RIOS Repórter O relatório da Controladoria Geral da União (CGU), que apontou um aumento de 403,48% na construção do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares e questionou a compra de merenda escolar sem licitação, segundo o relatório, de empre

Por | Edição do dia 11/03/2006 - Matéria atualizada em 11/03/2006 às 00h00

| ODILON RIOS Repórter O relatório da Controladoria Geral da União (CGU), que apontou um aumento de 403,48% na construção do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares e questionou a compra de merenda escolar sem licitação, segundo o relatório, de empresas fantasmas, foi encarado ontem pelo governador Ronaldo Lessa (PDT) como um complô para desestabilizar a sua suposta candidatura a presidente da República, pelo PDT, ou saindo como vice em uma possível chapa com o prefeito tucano de São Paulo, José Serra. Lessa se afasta do governo no dia 30 de março, para tentar concorrer ao Senado, pelo menos nas previsões palacianas. Em seu lugar, assume o vice, Luis Abílio (PDT), que pode sair como candidato em um “frentão”, com partidos da base de sustentação política do Palácio, mas sem densidade eleitoral ou peso político em cargos palacianos. “Ultimamente tem aparecido muitas coisas estranhas. A Folha de São Paulo dedica duas páginas batendo no Estado de Alagoas. Doutor, ali tem coisa”, disse Lessa, errando o nome do jornal. O Estado de São Paulo publicou duas páginas mostrando a suposta má colocação de Alagoas no ranking nacional de miseráveis. O governo contesta as informações. Mais adiante, continuou: “Bastou dizer que meu nome poderia ser candidato a presidente da República, começou a retaliação com o Estado. Qual a inimizade que tenho com São Paulo? Qual a briga que tive com São Paulo? A não ser uma crítica que fiz ao governo federal. A partir daí, o que começou de pancadaria. Quer dizer, esse filme eu já vi antes, esse tipo de governar, de perseguir. Comigo não tem problema”, disse o governador, explicando que “não querem deixar que eu seja candidato”. Lessa evitou contestar os dados publicados pela controladoria, apontando supostas irregularidades no encaminhamento de recursos na máquina pública, dinheiro dos cofres da União. “Devemos analisar, verificar onde houve realmente falhas. Por exemplo, vi a resposta do técnico mostrando que os livros estão guardados. Não tem a obrigação de distribuir no mesmo ano. Achei uma resposta que pode ser uma resposta plausível”. Lessa se referia a livros didáticos que estariam apodrecendo na Secretaria de Educação. Depois, o governador disse não ter “o controle do que está acontecendo em todos os lugares” e admitiu: “É possível que tenha falhas, que devem ser corrigidas”. Mais adiante, porém, vieram os ataques: “Espero que não haja exageros no relatório. Acredito em exagero. Tem muita gente querendo aparecer”. Depois, continuou: “Os órgãos responsáveis terão que dar resposta. Agora, a CGU tem práticas de outros momentos de ficar mostrando o rabo dos outros e não mostra o seu”, afirmou. ### Sessão de ataques atinge até Nonô Faltam 20 dias para o governador Ronaldo Lessa (PDT) deixar o governo e assumir a candidatura ao Senado, presidência da República ou vice-presidente, mas Lessa resolveu começar ontem mesmo a sessão de ataques. Primeiro, contra o complô que estaria sendo formado contra a sua candidatura. Segundo, contra um dos velhos inimigos políticos, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL). Nonô é apoiado pelo deputado federal João Lyra (PTB), pré-candidato ao governo e inimigo de Lessa. O vice-presidente da Câmara tenta puxar o tapete do governador, na política, em dois campos: assumindo uma candidatura ao Senado ou disputando a vaga de vice em uma composição com o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). O governador ontem respondeu a uma suposta entrevista de Nonô, na imprensa, dizendo que a era Lessa “estava desmoronando”. E chegou a dizer que o deputado usava entorpecentes. “Eu tenho pena dele. Deve estar tomando alucinógeno. Esse governo está sólido”. Lessa e Nonô são primos e chegaram a brincar na infância, segundo o governador. “Respeito o Nonô, a inteligência e até a arrogância dele. Por incrível que pareça, gosto muito dele”. REbatida Do outro lado da cidade, no Centro de Cultura e Exposições, o deputado federal respondeu aos ataques. “Não sei se o governador será candidato porque ele tem problemas na Justiça. Eu não tenho”. Nonô se referia ao processo de inelegibilidade contra Lessa, que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando o governador de abuso de poder político. Nonô disse que sabia estar bem atrás nas pesquisas ao Senado, mas explicou que a exposição de Lessa na mídia é maior. “A história recente na política mostra que candidatos que estiveram na frente durante a campanha perderam nas eleições. Essas estimativas me credenciam a acreditar que posso humildemente derrotar o governo”. E, ainda mais provocador, afirmou: “O governador se julga imbatível. Tenho outra alternativa ao Senado. Tenho 24 anos de vida pública imaculada. Ele mostra o que fez e eu mostro o que fiz”. Verticalização O governador voltou ontem a criticar a verticalização nas eleições, que foi decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), derrubada por meio de emenda do Congresso Nacional e hoje está no Supremo Tribunal Federal (STF), graças a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “A verticalização está oportunística”. Se for mantida, a verticalização pode prejudicar o PDT alagoano, caso a legenda se coligue com o PSDB, do senador Teotônio Vilela Filho. O PT estaria fora da composição, já que nacionalmente PT e PSDB estão separados. |OR ### Tom das críticas contra TRE diminui Um dia depois do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL) ter decidido, por unanimidade, manter suspensa a propaganda do governo nos meios de comunicação, o governador Ronaldo Lessa, que até quarta-feira atacava o juiz-relator da decisão, Evilásio Feitosa, diminuiu o tom das críticas. “Foi uma decisão que agora eles corrigem a forma de interpretação. Não sei se foi certa. Acho até que foi covarde quando não pegam o governo federal que está aparecendo, não pega a prefeitura que bota o padrinho do prefeito, esse não tiraram. Negócio covarde esse tipo de julgamento, que foi direcionado. Mas, foi menos ruim. Eles disseram que, tirando a minha cara, pode ser”. De maneira indireta, Lessa se referia ao prefeito Cícero Almeida (PTB) e o pré-candidato ao governo, deputado federal João Lyra (PTB). “Lamento que eles não façam com os outros. Gostaria que os outros tivessem o mesmo tratamento que eles dão a mim”, disse o governador, referindo-se aos juízes do tribunal. Outdoors Ontem, o secretário de Comunicação, Joaldo Cavalcante, disse que os outdoors espalhados na cidade com a frase “Alagoas no Rumo Certo” não são propaganda eleitoral fora de época. “Os outdoors entraram no começo deste ano”. A Gazeta apurou que o governo estuda recorrer contra Lyra para tentar impedir a suposta aparição do deputado nos meios de comunicação. A idéia é estimular os partidos da base a entrar com ações no TRE contra a suposta propaganda fora de época do deputado federal. Duas ações foram engavetadas pelo tribunal: uma do PDT e outra do PSB. O PTB também estuda recorrer contra a campanha “Alagoas no Rumo Certo”. O governo já vai recorrer contra a suspensão da exibição das peças publicitárias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Guerra jurídica No dia 14 de fevereiro, o juiz Evilásio Feitosa requereu a suspensão da propaganda do governo alegando que o Executivo estava fazendo propaganda eleitoral fora de época. O governo reagiu e entrou com um agravo de instrumento, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), mas os juízes do tribunal decidiram derrubar o agravo e seguir a orientação do relator, ou seja, suspensão da propaganda e manutenção da liminar. O autor da ação foi o PTB, de Lyra. Limites Atacado por Lessa, o juiz disse ter agido de acordo com a lei: “Não se proíbe o Estado de fazer publicidade. O Estado pode fazer, mas dentro do limite da Constituição Federal”, apontou na quinta-feira, após sessão do TRE. De acordo com Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propaganda eleitoral só estará autorizada a partir de 6 de julho, quando os candidatos poderão realizar campanhas mais explícitas, com uso da mídia. |OR

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