loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 03/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Verti-confus�o - Editorial

Ouvir
Compartilhar

O Congresso Nacional já não parece tão preocupado em evitar que o Tribunal Superior Eleitoral interprete a lei que regulamenta as próximas eleições: acatará a decisão do Supremo Tribunal Federal de preservar o princípio da anualidade, mantendo a verticalização. Quais os reflexos desses fatos? Comecemos com o que acontece em Brasília e em São Paulo. O governador paulista Geraldo Alckmin, com a desistência forçada do favorito José Serra, será o candidato do PSDB à Presidência da República e sua atual cadeira será ocupada pelo presidente regional do PFL. No plano federal, já existem sinais de uma coligação PSDB-PFL. No PMDB, esgrimam os que almejam candidatura própria e os que desejam assentir ao governo petista. O PDT, em oposição ao governo Lula, aguarda a decisão da Justiça para saber se o governador de Alagoas está inelegível ou não. Aqui em Alagoas, com a ausência do preferido, Renan Calheiros, apresta-se a candidatura-estepe do senador e usineiro-licenciado Teotonio Vilela ao governo estadual, abocando o PSDB, PDT e PMDB. O deputado José Thomaz Nonô, do PFL, coloca-se candidato ao Senado em oposição aos Martírios e ao Planalto. O PMDB do senador Renan Calheiros apóia a reeleição de Lula e a candidatura à Câmara Alta de Lessa que, por sua vez, apóia Alckmin. Como seriam então formados os palanques, visto a verticalização exigir que as coligações feitas para a eleição presidencial sejam seguidas por todos os estados? Será que os prefeitos do PSDB, PMDB ou PDT deixarão de votar em Lula ? que tanto os tem ajudado ? para apoiar o candidato tucano de São Paulo ou mesmo o tucano daqui? E como o candidato-estepe de Alagoas vai se viabilizar, tendo que lidar com este emaranhado de interesses que demandarão dele envergadura, competência, apetência, fibra, coragem e bom entendimento com a classe política? Isto sem falar nas traições, que ocorrerão. O senador Teotonio Vilela, por exemplo, sabe que traição é uma questão de datas. Ele próprio foi agente de algumas, sendo este, aliás, um campo que lhe é bastante familiar. Enfim, a verticalização, criada pelo ministro Nelson Jobim para ser uma contribuição ao fortalecimento do sistema partidário e unidade doutrinária, preâmbulo de uma indispensável e sempre adiada Reforma Política, acabou servindo para embaralhar o processo eleitoral, falsear candidaturas e confundir a cabeça do eleitor.

Relacionadas