Política
Renan: conven��o dar� rumo ao PMDB
| ODILON RIOS Repórter O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) falou ontem, em Maceió, sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que suspendeu as prévias do PMDB, previstas para este domingo, 19 (leia mais na página 8). A decisão foi tomada no final da manhã de ontem. As declarações do senador foram dadas pouco depois da 4ª Reunião Ordinária do Colégio de Corregedores a Justiça Eleitoral, em um hotel da orla da capital. Renan disse que não conhecia o conteúdo da liminar, do presidente do STJ, ministro Edson Vidigal. Mas, contou que a manutenção das prévias feria o estatuto do PMDB. ?Não discuti as prévias, elas foram feitas à revelia do que o estatuto recomenda fazer, convocamos uma convenção para o dia 8 para que o partido decida afinal sobre candidatura própria, sobre alianças estaduais de modo que temos priorizado outra discussão. Essa decisão não conheço, ouvi falar?, explicou, referindo-se à decisão. O PMDB nacional já entrou com pedido para cassar a liminar de Vidigal. Convenção O senador acredita que a convenção do partido, marcada para o dia 8 de abril, dias após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção ou não da verticalização, poderá decidir pela candidatura própria ou não do PMDB. Renan acredita que a manutenção do dispositivo constitucional que amarra nos estados os acordos políticos fechados na esfera nacional, não trará vantagens ao partido. Também não quis opinar sobre a possível manutenção da verticalização, como já pensam parlamentares do Congresso Nacional. ?Mantida a verticalização, é difícil o PMDB ter candidato próprio ou fazer aliança com o PSDB ou PT?, detalhou, evitando responder às críticas de pemedebistas como o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto e o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, pré-candidatos a presidência da República pelo PMDB. ?Não tenho priorizado a resposta a estas colocações. Nosso debate é outro: se vamos ter ou não verticalização. Se tiver verticalização, a tendência do partido é não ter candidato a presidente, para possibilitar as alianças estaduais. Agora, se tivermos uma candidatura que possa levar o partido a vitória, é tudo o que o partido quer e deseja. Uma candidatura que possa unir as candidaturas do PMDB?, analisou. Perguntado se esse quadro existia no PMDB Nacional, o presidente do Congresso foi taxativo: ?Hoje, lamentavelmente não existe. As pesquisas mostram isso?. Pelas pesquisas, os candidatos peemedebistas perderiam as eleições, logo no primeiro turno. Sobre a divisão do PMDB, em duas alas, a governista e oposicionista, o senador não entrou em detalhes. ?Estamos aguardando a decisão do Supremo. Essa decisão vai embasar as outras decisões que o partido tomará. De modo que quase que nós fizemos durante a semana um acordo para decidir sobre as prévias só depois da decisão do Supremo porque se o supremo mantiver a verticalização, vamos ter dificuldades com as alianças estaduais. Não sabemos a tendência. É prudente aguardar?. A respeito das investigações na CPI dos Bingos, que começam a respingar no ministro da Fazenda, Antonio Palocci, Renan se limitou a dizer: ?O que for preciso para salvaguardar a investigação o Congresso vai fazer. É meu dever funcional. Reafirmo isso?. ### Ministro do TSE diz que foi voto vencido O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), César Asfor, disse ontem, durante o encontro de corregedores, que defendeu a não verticalização das eleições, mas acabou reconhecendo que foi voto vencido, já que o TSE acabou mantendo o dispositivo constitucional. Segundo ele, pela interpretação legal, as discussões sobre o assunto não envolvem a constitucionalidade ou não do dispositivo, mas sua aplicabilidade nas eleições deste ano ?A discussão não é sobre a constitucionalidade, mas sua aplicabilidade nas eleições deste ano sem que houvesse um interstício de um ano?, disse. Há duas semanas, o TSE decidiu pela manutenção da verticalização, seguindo a tendência de 2002, nas eleições presidenciais. O Congresso Nacional promulgou emenda à Constituição Federal mantendo a verticalização. O assunto deverá ser decidido até o dia 23 de março pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Renan E A VERTICALIZAÇÃO Ontem, o senador Renan Calheiros fez uma palestra sobre Reforma Política, durante a 4ª Reunião Ordinária do Colégio de Corregedores e Justiça Eleitoral. Dizia-se a favor da verticalização, mas com uma ?profunda reforma política?, elogiou o Congresso Nacional que, sob a sua presidência, analisou mais de 2 mil proposições e falou dos debates sobre a reforma política e eleitoral, como a minirreforma. ?Observo dois objetivos: o primeiro é a segurança e estabilidade das instituições; o segundo é o aprimoramento dos mecanismos políticos?, apontou, lendo seu discurso, que não abordou temas políticos nem fez alusão ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. PALESTRANTES Depois, foi a vez do advogado Adriano Soares, que fez um discurso criticando a reforma política e, em muitas ocasiões, parecia responder às colocações do senador. ?A reforma política é uma empresa inglória. Apenas soluções negociadas. É um equívoco discutir que a área jurídica tenha sempre as respostas prontas. Não há reforma política pronta como uma receita de bolo?. TELEFONEMAS Renan não escutou todo o discurso de Soares. Entrou em uma sala para atender a uma ligação telefônica. Voltou cinco minutos depois. Logo após, o senador se ausentou de novo, para atender a um segundo telefonema. Foi no instante em que um coral da Igreja Adventista entoava duas músicas. Renan retornou na segunda. Durante toda a palestra, o senador sorria, mas mostrava preocupação ao assinar um calhamaço de papéis sobre a mesa. Ao final, tirou fotos com personalidades jurídicas, conversou com a imprensa longamente, parecendo mostrar cansaço. Na saída do hotel, depois de cumprimentar corregedores e desembargadores, atendeu a uma terceira ligação ao celular. Parecia apenas ouvir, com o olhar para cima. ALAGOAS Os detalhes sobre as coligações no Estado e a definição sobre seu futuro político, se será ou não candidato ao governo, segundo o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), poderão sair neste ou no próximo fim de semana. A informação foi do próprio senador. Ele não comentou as composições que estavam sendo construídas no Estado, em torno de candidaturas ao governo, do seu grupo político, como a do senador tucano, Teotônio Vilela Filho, ou em uma possível desistência do integrante do PSDB, uma chapa com o médico cardiologista José Wanderley (PMDB) e a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB). ?Não há nenhuma definição quanto às candidaturas. Entendo que essa definição acontecerá ou neste fim de semana ou durante a próxima semana. Vou fazer tudo para que tenhamos essa definição?, analisou. A candidatura de Renan ao governo é praticamente descartada e o fato vem acelerando o clima de campanha no Estado. |OR