Política
Secret�rios trocam governo por elei��es
| ODILON RIOS Repórter A oito dias da saída do governador Ronaldo Lessa (PDT) - que passa o bastão a seu vice, Luis Abílio de Souza (PDT) - para dar partida a sua corrida às eleições, pelo menos dez secretários de Estado também trocam a máquina administrativa pela maratona eleitoral. A previsão é de que todos os secretários (veja lista nesta página) estejam fora do governo até segunda-feira, 27, prazo do governo para que integrantes de cargos comissionados no primeiro escalão deixem suas funções, se quiserem disputar as eleições deste ano. Pela lei eleitoral, os comissionados que irão participar do pleito de outubro devem sair dos cargos até 31 de março. O próprio Lessa já anunciou que deixará o cargo na próxima quinta, 30, quando o vice Luis Abílio assume o restante do mandato. Figurinhas carimbadas Velhas caras do governo Lessa devem assumir as secretarias, na gestão de Abílio. É o caso do Instituto do Meio Ambiente (IMA), com a saída da presidente, Sandra Menezes, que deve ser candidata à Câmara federal pelo Partido Verde. Quatro nomes são cotados para assumir o IMA: Álder Flores, Antônio Wilton, Antônio de Pádua e Ricardo César, todos integrantes do instituto. ?Todos são ligados à questão ambiental. É importante colocar um quadro técnico no assunto?, disse Sandra Menezes. Sandra é um dos membros mais antigos do governo e está na administração há sete anos. No primeiro ano da gestão Lessa era diretora técnica do IMA. ?Vou tentar uma vaga na Câmara por causa da cláusula de barreira. Mas, também, vai depender de como o partido se comporta?, disse. Álder Flores chegou a ser indicado secretário do Meio Ambiente, na Prefeitura da capital, no início do governo Cícero Almeida (PTB). Uma série de confusões, incluindo discordâncias com o deputado federal João Lyra (PTB), padrinho da campanha do prefeito, acabaram inviabilizando a permanência do ambientalista, que era presidente do IMA na gestão da ex-prefeita Kátia Born. Cara ?velha? Outra cara ?velha? no governo Lessa é a do sub secretário de Cultura, Paulo Pedrosa, ou Paulo Poeta, como é mais conhecido, que assume a Secretaria no lugar do titular Eduardo Bonfim, que ainda vai definir seu futuro político. Poeta é ex-diretor do Teatro Deodoro e nas horas vagas participa de filmes como Mulheres do Brasil, com o aval do governo Lessa, gravado em Alagoas. Bonfim, há duas semanas, estava na Bienal Internacional do Livro em São Paulo, encerrada no último 19. Ele lança hoje o livro Agrarismo e Industrialismo, doalagoano Octávio Brandão, cuja primeira edição é de 1928. ?A partir daí vou me descompatitibilizar do governo?, disse o secretário. Sobre seu futuro político, resumiu: ?Não defini ainda a estratégia. Estou pensando?. Esta é a segunda passagem de Bonfim pela Cultura. Ano passado ele também atuou como secretário Executivo do ex-ministro da Coordenação Política da Presidência da República, o alagoano Aldo Rebelo. Na secretaria de Turismo, com o afastamento de Eugênio Sampaio, não há grandes novidades porque a vaga está ?guardada? para outro membro, indicado pelo clã Sampaio. Eugênio diz que ainda ?está pensando? em ser candidato, mas diz receber ?pressões? da família. Ele não disse à reportagem, mas a idéia da família é lançar Eugênio para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa. ### Davino, Mourão, Bandeira e Genilda desistem da disputa Alguns membros do governo eram tidos como certos na campanha eleitoral, como o diretor geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, que se colocava como candidato a deputado. Ontem, porém, mudou o discurso. ?Nunca disse que seria. Disse que existia a possibilidade?. Ele não revelou os motivos de se excluir da disputa. Considerado um dos ?homens de confiança? do governador, Davino sempre teve a cabeça posta a prêmio no cargo, quando ainda era secretário de Defesa Social. Ele e o ex-secretário da pasta, Paschoal Savastano, trocavam tantas farpas ano passado que Lessa teve de entrar na confusão. Outra figura que estará fora das eleições e, como Davino, permanece no governo até o final do ano é a secretária de Minorias, Patrícia Mourão. ?Vou continuar amiga do governador?, disse. ?Com certeza não vou disputar nada este ano?. Mourão já se candidatou a vereadora e passou pelas secretarias de Turismo, de Articulação Externa e Extraordinária. Outro que pedia votos nos corredores do Palácio Floriano Peixoto e deixou de lado as eleições foi o secretário coordenador de Desenvolvimento Humano, Petrúcio Bandeira. Era candidato à Assembléia Legislativa. ?Tomei a decisão. Continuo no Governo?, destacou. Para a Assembléia, um dos nomes cotados é o do secretário de Esportes, Alberto Sextafeira. Genilda não quer A ex-deputada Genilda Leão, sempre lembrada nas conversas políticas como possível candidata, também quer continuar gerindo a Secretaria Extraordinária. ?Passou aquela época de fazer campanha com propostas. O trabalho está difícil?, disse. A secretária de Saúde, Kátia Born, candidata a deputada federal, disse que vai entregar um hospital em Porto Calvo e outro em Rio Largo. ?Isso não é eleitoreiro. Rio Largo é meu xodó. Por to Calvo estamos entregando um hospital?. Ela disse que sai do cargo na terça-feira. Em Porto Calvo, a secretária conseguiu levar o governador Ronaldo Lessa (PDT) para a inauguração. Ela está na secretaria há um ano e dez meses e foi prefeita da capital. Vai tentar uma vaga na Câmara Federal que já foi de Selma Bandeira (morta em acidente de carro) e Ceci Cunha (assassinada). ?Vou trabalhar e fazer boas confusões?. Na disputa à Câmara Federal também está o secretário de Assistência Social, Jurandir Bóia, há seis meses na secretaria. Bóia é suplente de deputado federal. Os petistas José Roberto (Direitos Humanos) e Thomáz Beltrão (Fapeal) também saem do governo, mas não sabem o que disputarão. Fátima Borges (Articulação) é candidata a estadual desde o início do ano passado. O secretário de Recursos Hídricos, Ronaldo Lopes, ainda está pensando se sai ou não da função na próxima segunda. Dará a resposta hoje ou amanhã. ?Penso em disputar a deputado estadual, mas estou vendo? A revoada de secretários não será tão grande na prefeitura da capital. O secretário Régis Cavalcante, o sub-secretário de Comunicação, Anilvaldo Miranda, e o diretor da Guarda Municipal, João Mendes, vão sair do governo, mas ainda esperam as definições em torno da verticalização das eleições. |OR