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Lessa e Lyra disputam prefeitos na elei��o

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GILVAN FERREIRA ODILON RIOS Repórteres A guerra pelo apoio político dos prefeitos municipais entre os dois grupos que polarizam as eleições no Estado vem mudando a geografia alagoana nos últimos meses. Isso porque os grupos do governador Ronaldo Lessa (PDT) e do deputado federal João Lyra (PTB) garantem ter, cada um, 70 prefeitos na base de apoio de suas candidaturas, somando 140 municípios. Mas o Estado de Alagoas só tem 102 municípios, o que significa uma diferença de 38 cidades. Na realidade, o levantamento dos dois lados mostra uma questão antiga: a ?mudança? de lado de prefeitos, que dizem apoiar um candidato, mas acabam sendo seduzidos ou pressionados por ofertas ?tentadoras? ou ameaças por parte dos líderes políticos. A Gazeta teve acesso às três listas que circulam entre os correligionários políticos do deputado federal João Lyra, do governador Ronaldo Lessa e dos senadores Teotonio Vilela Filho (PSDB) e Renan Calheiros (PMDB). A reportagem cruzou os dados com a tabela da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), que oferece o número completo dos prefeitos e seus partidos políticos e que foi consultada na última sexta-feira. Os números são bastante distantes daquilo que é divulgado pelos candidatos e revelam uma inflação dos dois lados. Na disputa pelos votos, o senador Téo Vilela, virtual candidato ao governo estadual, sairia na frente, com 47 prefeituras; João Lyra ficaria um pouco atrás, com 40. Indecisos Isto aparentemente não significaria vantagem para ninguém porque o número de gestores municipais indecisos pode virar a mesa ou gerar surpresas nas urnas: 15 ainda não sabem qual dos lados escolherão nestas eleições (Veja quem está com quem abaixo). Entre os indecisos, há uma estreita ligação política tanto com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), quanto com o governador Ronaldo Lessa. Em Cacimbinhas, por exemplo, o tucano Jorge Luiz (PSDB) deveria votar em Téo Vilela ao governo, mas teve o apoio de Celso Luiz nas eleições. Em Japaratinga, Bruno Loureiro vive um dilema: nas eleições, fechou um acordo com o presidente da Assembléia. Por outro lado, a principal obra de acesso à cidade, a construção de um muro de contenção para evitar a invasão do mar, foi financiada pelo governador. A prefeita de Poço das Trincheiras, Maria Aparecida (PSDB), deveria estar fechada com o senador tucano ao governo, mas deve ?favores? a Celso e também a Renan e Téo. Em três cidades, o jogo político parece que vai ser decidido mesmo de última hora: Porto Real do Colégio, São Brás e Olho d?Água Grande. Todas são dominadas pelo deputado do PMN Adalberto Cavalcante, que, por ser do mesmo partido de Celso, seria eleitor de João Lyra. A equação política, porém, não é bem essa. Cavalcante possui um ?brinde? do governador: a indicação do Instituto de Terras de Alagoas (Iteral). Nem o PT está do lado de fora das discussões. Em Mata Grande, primeira prefeitura do Sertão nas mãos petistas, o prefeito Fernando Lou vota na esposa do prefeito de Piranhas, Inácio Loyola (PSDB), para a Assembléia Legislativa, mais ligada ao grupo do deputado João Lyra. O prefeito de Quebrangulo, Marcelo Ricardo Lima (PSB), chegou a dizer na AMA que votaria em Lyra para governador. Porém, esqueceu de falar de seu vínculo político com Lessa, com o vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô, e com o deputado Marcos Ferreira (PMN). ### Infidelidade partidária faz mais adeptos no Sertão As questões regionais não são os únicos problemas enfrentados pelos grupos do governador Ronaldo Lessa (PDT) e do deputado federal João Lyra (PTB). A demora nas definições do candidato do ?frentão? de Lessa e a verticalização mantida vão reduzir as possibilidades de acordos mais amplos entre os grupos que vão disputar o comando do governo do Estado, a partir de 1º de janeiro de 2007. A dificuldade de acordos políticos ?fechados?, como nas eleições municipais do ano passado, transformaram a disputa por cada um dos 102 prefeitos de Alagoas em uma ?guerra? sem limites, que abriu espaços para as tradicionais ?traições? políticas. TANTO UM, COMO OUTRO Em Pão de Acúçar, o prefeito Antônio Carlos Rezende, o Cacalo, do PTB, revela uma situação insólita na relação entre prefeitos e os candidatos ao governo do Estado. ?Eu sou filiado ao PTB, do deputado João Lyra, a quem tenho predileção, mas ainda precisamos conversar. Mas a verticalização transformou a política em uma verdadeira loucura. Em Pão de Açúcar, a tendência do nosso grupo é ter dois palanques. O ex-prefeito Jorge Dantas, que é do nosso grupo, vai subir no palanque do senador Téo Vilela, e eu devo subir no palanque do João Lyra?, revelou o prefeito Cacalo. ?Vou onde ele mandar? A situação dos municípios de Piranhas e Olho d?Água do Casado, no alto sertão de Alagoas, é ainda mais grave. O prefeito de Piranhas, Inácio Loiola, do PSDB do senador Téo Vilela, já antecipou que não vai votar no senador para o governo do Estado. ?Eu sou um catingueiro [sertanejo], sou um homem de grupo e costumo cumprir com a minha palavra. Eu sou seguidor do deputado Celso Luiz e vou para onde ele mandar. Ele [Celso Luiz] já definiu o apoio ao deputado João Lyra, e na minha avaliação ele é o melhor candidato. Eu acho que Alagoas pode ser uma referência para o Nordeste, mas o que está faltando é um bom administrador. Por isso, vou votar no João Lyra?, afirma Inácio. O prefeito de Olho d?Água do Casado, Wellington Freitas, o ?Xepa?, irmão de Loiola, segue o mesmo caminho e, mesmo sendo filiado ao PMDB do senador Renan Calheiros, disse que vai acompanhar o voto para João Lyra. Xepa diz que não acredita em represálias de Calheiros. Ele chega a sugerir que ?dificilmente? os prefeitos que já declararam apoio ao deputado João Lyra vão mudar o voto. GF/OR ### Partidos tentam conter debandada geral O senador Teotonio Vilela Filho tenta diminuir o impacto causado pelo avanço do deputado João Lyra (PTB) sobre os prefeitos do PSDB. Pelo que a Gazeta apurou, dos 13 prefeitos tucanos, pelo menos seis já definiram apoio ou estariam bem próximos de fecharem acordos com a candidatura de Lyra. Além do prefeito de Piranhas, Inácio Loiola, Téo Vilela não teria apoio dos demais tucanos Vasco Rufino, de Novo Lino; Maria Aparecida Ferreira, de Poço das Trincheiras; Manuel Valente Lima, de Tanque d?Arca; João Pinheiro, de Jaramataia; e Jorge Amorim, de Cacimbinhas. ?Eu não conheço e não vi nenhuma lista de apoio. Eu ainda vou começar a conversar com os prefeitos de Alagoas. Isso vai acontecer a partir da próxima semana, já que somente na segunda-feira é que vou definir se serei ou não candidato a governador. Esse processo ainda vai amadurecer e só depois dessa definição é que haverá algo de concreto, mas posso dizer que não terei dificuldades de pedir apoio aos prefeitos?, disse Téo Vilela. Apesar do seu discurso de tranqüilidade, Téo enfrenta a desconfiança de alguns dos seus aliados. Um deles é o prefeito de São José da Tapera, José Antônio Cavalcante, que, apesar de aparecer na relação de apoio do senador, disse à reportagem que ainda tem dúvidas sobre quem vai apoiar na eleição para o governo. ?O senador Téo Vilela ainda não me disse que era candidato. Ainda preciso de uma definição mais concreta e é preciso que ele deixe as coisas mais claras. Ele é do meu partido e devo apoiá-lo, mas ainda precisamos conversar. Eu já tenho apoios fechados, vou votar no Nonô para deputado federal?, contou Cavalcante. A desconfiança com relação ao apoio ao senador Téo Vilela está diretamente ligada ao seu conhecido perfil de indecisão. Em 2002, Téo se lançou candidato e depois desistiu da candidatura para apoiar a reeleição de Ronaldo Lessa. Em 2004, voltou a se lançar candidato, desta vez a prefeito de Maceió, e novamente desistiu da candidatura em favor do cardiologista José Wanderley, do PMDB. CARAVANA LYRISTA Enquanto o senador Téo Vilela tenta minimizar a infidelidade dos prefeitos do seu partido, o deputado João Lyra ?amarra? os prefeitos do PTB ao seu projeto político-eleitoral. Até a última sexta-feira, dos 17 prefeitos ?petebistas?, somente dois prefeitos ainda não tinham declarado apoio a Lyra. Segundo os assessores do partido, faltavam pequenos detalhes para que os prefeitos de Boca da Mata, José Tenório, e de Passo do Camaragibe, Márcia Albuquerque, ?embarcassem? na caravana ?lyrista?. Os assessores do PTB explicaram que, no caso do prefeito José Tenório, a dificuldade estaria no fato de, apesar de ligado a Lyra, ele faria parte do grupo político do suplente do senador Téo Vilela, o usineiro João Tenório. Já no caso da prefeita de Passo do Camaragibe, Márcia Albuquerque, a explicação seria sua relação de parentesco com o ex-prefeito de Atalaia, Zé de Pedrinho, inimigo político de Lyra no município. ?A Márcia é casada com um filho de Zé de Pedrinho, que foi prefeito de Atalaia, e na última eleição foi derrotado pelo candidato do deputado João Lyra, Chico Vigário. Por isso, ela estaria tentando resolver essa situação, mas deve sim chegar a um acordo para apoiar o deputado João Lyra para o governo de Alagoas?, disse o assessor do deputado. GF/OR ### Vale tudo na hora de atrair os prefeitos No vale tudo da política, a atração dos prefeitos pode incluir pressões para a mudança de lado, com obras para as cidades ou acordos pouco conhecidos pela maioria dos eleitores. Em troca de apoio, os prefeitos recebem os recursos ?prometidos?, ?verbas extras? e a liberação de dinheiro para obras nos municípios ou outras vantagens oferecidas pelos caciques que esperam o apoio na eleição. Governo No interior O governador Ronaldo Lessa (PDT), por exemplo, adota a estratégia do Governo no Interior, forma de se aproximar politicamente de cidades mais afinadas com o discurso do Palácio. Já os prefeitos que não ?rezam? por sua cartilha e negam apoio ao seu grupo político ficam à margem dos benefícios, que em ano eleitoral chegam com mais facilidade. Criticado por alguns prefeitos, que reclamavam do suposto descaso com as suas reivindicações e as dificuldades de acesso ao Palácio dos Martírios, Lessa vem trabalhando para desfazer essa idéia, segundo ele, uma coisa criada por alguns prefeitos. ?Trabalho silencioso? Já o deputado federal João Lyra adota a tática da superação do ?discurso tradicional?, como chamou ao conversar com a Gazeta na última sexta-feira. Não exclui os prefeitos ?do outro lado? e disse que aqueles que apóiam o ?frentão? estão cansados de Lessa. ?Temos prefeitos que vão esperar a proximidade das eleições para se declarar. Alguns dizem a mim que não agüentam. Eu digo que devem esperar as convenções?, apontou Lyra, colocando-se sempre como ?pré-candidato ao governo estadual?. Porém, declarou em tom eleitoral: ?Meu querido, estou neste trabalho grande com as prefeituras, digo, até silencioso?. GF/OR ### Prefeitos dizem que não são prestigiados Os casos dos prefeitos que cedem às tentações de algum dos lados que disputam a cadeira marrom do Palácio Floriano Peixoto em ano de eleição chegam a ser comuns, segundo relataram alguns prefeitos à Gazeta. Outros, ao falar no assunto, são bastante econômicos nas palavras. É o caso do prefeito de Chã Preta, Audálio Holanda (PSDB). Ele diz que ?não é comum? prefeito firmar compromisso com um candidato e escolher o outro lado no dia da votação. Garante que nunca fez ou fará isso. ?Possivelmente, pode ter acontecido. A pessoa deve ser correta e leal. Eu jamais falharia em compromisso?, disse. Já Chico Vigário, de Atalaia, diz que os prefeitos só são procurados em época eleitoral. ?Não temos prestígio?, apontou. E diz que ?é comum? a troca de lado dos prefeitos: ?A política é dinâmica?. O prefeito de Jacuípe, Amaro Jorge (PPS), um dos ?indecisos? pela lista divulgada pela Gazeta, reclama que sua cidade nunca teve obras federais ou estaduais em 48 anos de existência. Amaro Jorge fala dos padrinhos políticos, deputados estadual (Arthur Lira) e federal (Benedito de Lira), ligados ao deputado João Lyra. ?Consegui duas emendas via Arthur Lira, no Estado, e via Benedito de Lira, no governo federal?. Ele reclamou da ?falência? na cidade e pediu compromisso. ?As verbas só dão para pagar obras?. |GF E OR

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