Política
C�pula nacional do PDT descarta Lula
| PETRÔNIO VIANA Repórter O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, descartou ontem a possibilidade de uma aproximação entre seu partido e o grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de outubro deste ano. Durante esta semana, o governador Ronaldo Lessa (PDT) confirmou que o presidente havia pedido, na semana passada, para que ele fosse o interlocutor dessa aproximação. ?Não há nenhuma possibilidade de sentar com o presidente Lula para discutir isso. O Lula teria que mudar muito para a gente ter essa chance. Com esse Lula eu não quero diálogo?, afirmou Lupi. Ontem, Lessa declarou que estaria presente em uma eventual reunião entre seu partido e o presidente para tratar do assunto, mas disse não ser mais ?o advogado que era antes?. ?Eu não diria que sou favorável a uma aproximação. Diria que iria para o diálogo?, ponderou. Em visita ao Estado para receber a comenda Zumbi dos Palmares, uma homenagem feita pela Câmara Municipal de Maceió, Carlos Lupi enfatizou: ?Lula não é mais um político de esquerda?. ?Deixou de ser há muito tempo. Ninguém agrada ao capital e ao trabalho ao mesmo tempo. Esse Lula não é aquele que nós elegemos?, atacou. Lupi informou que os partidos mais próximos, hoje, de compor alianças com o PDT são o PPS, o PV e o PSB. ?Nós temos uma conversa muito profunda com esses partidos. A tendência mais natural é a aliança com esses partidos?, observou. Lupi comentou também que existe hoje uma relação ?muito afetuosa? entre o PDT e o P-Sol, que lançou esta semana a candidatura da senadora Heloísa Helena à Presidência, mas revelou que se sente ?rejeitado? na discussão sobre uma possível aliança. ?O projeto do P-Sol é um projeto individual, muito deles, não tem muito essa amplitude de alianças. Depende mais deles do que de nós. Eu me sinto um pouco rejeitado nesse projeto de aliança porque o P-Sol não dá nenhuma demonstração de querer essa aliança?, disse. Na opinião do presidente do PDT, o lançamento de uma candidatura própria do partido à Presidência ?é uma questão de sobrevivência?. ?O partido, sem candidatura própria, não tem cara, fica sem perfil para a sociedade. Eu acho que nós temos essa necessidade?, argumentou. O senador Cristovam Buarque (DF) também foi homenageado e é um dos três pré-candidatos do PDT à Presidência, com o senador Jefferson Peres (AM) e o próprio Ronaldo Lessa. Buarque concorda com Lupi quanto à candidatura própria. ?A candidatura própria é a única forma de unificar o partido. O partido que não tiver candidatura própria em cada Estado vai ser um partido diferente?, avaliou. Buarque disse aceitar ser candidato à Presidência, ?mas é o PDT que vai decidir?. ?Eu não vou disputar com Lessa ou com Jefferson Peres. Se o PDT me escolher eu estou pronto?, avisou. Para Lessa, é necessário avaliar ?os ganhos e as perdas? para o partido em cada Estado. Em Alagoas, segundo Lessa, ?se o PDT lançar candidato, embola o meio-campo?. Segundo o secretário-geral do PDT, Manoel Dias, que também veio a Maceió, a definição em torno da candidatura própria do partido deverá ser tomada até o final de abril. Compareceram ainda à solenidade o vereador carioca Brizola Neto, também homenageado, e o vice-governador Luis Abílio, que assume o governo em definitivo na tarde de hoje.