Política
TRE, PF e Receita se unem contra fraude
| ODILON RIOS Repórter O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), a Polícia Federal e a Receita Federal começam a investigar, esta semana, denúncias de cadastramento de eleitores no interior alagoano e o ?mapeamento eleitoral? da periferia de Maceió, alerta dado pelo próprio presidente do TRE, desembargador José Fernando Lima Souza. Na PF, será pedido o uso do serviço de inteligência da instituição para se descobrir quem estaria por trás da rede de compra de votos no Estado. Na Receita Federal, o objetivo é aumentar a fiscalização para coibir a utilização de caixa dois, e omissão de receita utilizada durante a campanha eleitoral e não contabilizada pela Justiça Eleitoral. Lima Souza adiantou que o próprio superintendente da PF, Rogério Cota, já acionou agentes para investigar o mapeamento da periferia da capital, em que os eleitores já estariam previamente definidos e ?listados? para votar em candidatos. As denúncias de caixa dois durante as campanhas eleitorais abalaram a maioria dos partidos na esfera nacional. Isso porque se mostrou que a prática é mais comum do que se pensa, ou seja, os candidatos fingem entregar toda a prestação de contas aos TREs do País. A partir das denúncias no País, a Justiça Eleitoral promete endurecer na fiscalização das campanhas neste ano. De acordo com o presidente do tribunal, Lima Souza, a proposta é uma varredura em todo o Estado. O Ministério Público Estadual também está incluído nas visitações desta semana, mas Souza não adiantou exatamente o que será pedido ao procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca. ### Eleição pode custar R$ 50 milhões em AL Apesar de grande parte dos eleitores alagoanos está em situação de miséria absoluta, como comprovam os dados sociais dos institutos de pesquisa, as eleições deste ano prometem ser as mais caras da história, na visão do próprio Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas e de publicitários ouvidos pela Gazeta. Os valores das campanhas em Alagoas começam a circular na área publicitária, que prevê neste ano fortes mudanças nas estratégias política e mercadológica, depois do estouro dos escândalos, especialmente envolvendo dinheiro não contabilizado em campanha, o famoso caixa dois, e partindo exatamente do ?valerioduto? e sua rede de empresas de publicidade, no episódio já conhecido por todos os brasileiros. O publicitário Luiz Dantas prefere não falar do lado ?corrupto? das eleições. Mas aposta em valores elevados para se eleger aspirantes a cargos públicos ou veteranos nas funções. Não fala em compra de votos ou ?tatuagens? de eleitores, mas em verba gasta na área publicitária. ### ONG mostra valores de campanha em AL O site Às Claras, da Transparência Brasil, Organização Não-Governamental que tenta combater a corrupção nas eleições, aponta números da prestação de contas que os candidatos forneceram à Justiça Eleitoral em todos os estados brasileiros. Em Alagoas, nas eleições de 2004, incluindo os eleitos, os não eleitos, suplentes e eleitos pela legenda, as eleições representaram uma receita de R$ 21.367.149,00 (R$ 21 milhões). Deste valor, só os eleitos gastaram R$ 12.513.034,00, segundo os dados fornecidos pelos candidatos à Justiça Eleitoral. O valor é o dobro do que foi gasto nas eleições de 2002, com as despesas dos partidos chegando R$ 11.647.514. Os que gastaram mais para se eleger foram os candidatos a deputado federal: R$ 3.579.349. Em segundo lugar foram os que tentaram uma vaga ao governo: R$ 2.873.861. As usinas são as maiores doadoras nas campanhas alagoanas. OR ### Candidatos não revelam ?padrinhos? Eles dizem não saber quanto vai custar suas campanhas neste ano. Também não falam dos doadores. O vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL), é bem econômico ao ser perguntado sobre este assunto: ?Não tenho a menor idéia. Esta resposta só darei à Justiça?, explicou. Nonô é candidato ao Senado. Briga pela vaga com o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). OR ### Câmara quer financiamento público Proposta de reforma política da Câmara Federal, publicada em janeiro do ano passado e intitulada ?A proposta de reforma política: prós e contras? expõe que, a arrecadação ilícita através de caixa dois ?é uma prática corriqueira?. As dificuldades, segundo o estudo da Câmara, estão em saber ?quanto é arrecadado, mas as diversas denúncias revelam que o fenômeno é generalizado. Um agravante neste caso é que os recursos não são somente do caixa dois de empresas tradicionais, mas de redes conectadas ao crime organizado e à informalidade (bicheiros, empresários de bingo, igrejas, narcotráfico)?, completa o relatório, que analisa a situação em todo o contexto brasileiro e dedica uma parte especial ao estudo e propostas de caixa dois. ?Sair da situação atual não é tarefa das mais simples. A opção proposta pela comissão de reforma política é proibir que os candidatos recebam recursos privados e passem a fazer campanhas exclusivamente com os recursos públicos?, expõe o relatório. OR ///