Política
Pal�cio � abandonado ap�s mudan�as
CARLA SERQUEIRA Repórter Não há nenhum projeto sendo encaminhado que garanta a utilização e manutenção do Palácio Floriano Peixoto. Até agora só existem idéias, mais nada. Desde que mudou de endereço, no dia 10 de março deste ano, o governo de Alagoas só tem olhos para o ?espelhado? Palácio República dos Palmares. ?O destino certo do antigo palácio vai depender mesmo do que pensar o próximo governador, a ser eleito em outubro?, afirmou o coordenador do Centro Administrativo do Estado, Ricardo Vieira. Nem a segurança do prédio é mais a mesma. A Gazeta transitou nas dependências do Palácio Floriano Peixoto sem ser interrompida por nenhum vigilante. Chegou a percorrer facilmente a cozinha e a sala de jantar da Residência Oficial, onde, minutos antes, o governador Luis Abílio almoçara. Identificações só foram solicitadas à imprensa no portão de grades, quando a equipe deixava o prédio para alcançar a Praça dos Martírios - que, ao lado do centenário palácio, compõe, hoje, ?os fundos do poder alagoano?. Inutilidades Cadeiras, mesas, estantes e birôs velhos estão amontoados na parte exterior do Palácio Floriano Peixoto, no local onde antes dava passagem à imponente ?Sala dos Conselhos?, demolida recentemente para dar lugar a um jardim. Ninguém mais trabalha nos antigos gabinetes, trancados, apesar de vazios. Poeira e lixo é possível observar das caixas de ar-condicionado, instaladas nas laterais do prédio. ?Ainda não sabemos o que será feito com estes móveis. Alguns serão reaproveitados aqui, no novo palácio?, revelou Ricardo Vieira, coordenador do Centro Administrativo e também um dos engenheiros responsáveis pela construção do Palácio República dos Palmares. ### Historiador sugere palácio como novo Arquivo Público O Palácio Floriano Peixoto pode ser transformado na sede da Secretaria Executiva de Cultura (Secult). ?Gastamos com aluguel do prédio onde está hoje a Secult, no Farol, e estudamos a possibilidade da secretaria ser instalada no porão do palácio?, revelou o coordenador do Centro Administrativo do Estado, Ricardo Vieira, sem saber quanto o governo gasta com o aluguel. ?Também queremos instalar uma pinacoteca?, diz ele, ao afirmar que de certo mesmo, só existe uma coisa: ?A utilização do prédio histórico será feita em prol da cultura?. Para o historiador Luiz Sávio de Almeida, destinar o Palácio Floriano Peixoto para a conservação e promoção da cultura alagoana seria um sinal de valorização. ?Concordo com a instalação da Secult no palácio. Mas tenho outras sugestões?, começa dizendo o pesquisador. ?Falta em nosso Estado um grande Instituto de Pesquisa Científica e no Palácio Floriano Peixoto poderia ser criado um. Outra sugestão que deixo é transferir o arquivo público para lá. Isso seria a primeira coisa que eu faria?, diz ele. ?Não sei se é viável, teria que fazer estudos, mas acredito que lá, nosso arquivo histórico receberia mais atenção?, diz. O historiador conta que antes do Palácio Floriano Peixoto ser inaugurado, em 1902, a sede do governo ficava próximo à Praça dos Palmares, também no Centro. ?Ficava bem perto da Assembléia Legislativa?, observou, ao lembrar dos fatos históricos que tiveram como cenário o palácio, mais conhecido como Palácio dos Martírios. ?Aquele prédio é, sem dúvida, um marco do poder em Alagoas. Em 1922, houve uma grande greve em Maceió. O porto ficou parado por quase um mês e as manifestações, como há alguns dias assistíamos, se davam na Praça dos Martírios?. CS ### A história também é feita de anedotas Além de fatos importantes para a história de Alagoas, o Palácio Floriano Peixoto foi palco também de ?anedotas?, como definiu o historiador Luiz Sávio de Almeida. Ele apresentou algumas pérolas alagoanas: ?Dizem que essa é real, eu jamais acreditei. Quando Silvestre Péricles perdeu o governo para Arnon de Mello, em 1951, ele ficou tão indignado que entregou o palácio todo ?cagado? ao novo eleito. Era ?merda? em todas as paredes do prédio. Este fato vive ainda hoje no imaginário popular?. CS ///