Política
Ex-secret�rio indiciado por prevarica��o
GILVAN FERREIRA FELIPE FARIAS Repórteres O ex-secretário estadual de Saúde no governo Ronaldo Lessa, ex-coordenador nacional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e pré-candidato a deputado federal, Álvaro Machado (PSDB), foi indiciado ontem pelo delegado federal André Costa por prevaricação e formação de quadrilha, no inquérito que apura o desvio de R$ 3,6 milhões dos cofres da Secretaria de Saúde, que aconteceu entre maio de 2003 e junho de 2004. A decisão de indiciar Álvaro Machado foi tomada depois de seu depoimento ontem pela manhã na Polícia Federal. O delegado André Costa também pediu à Justiça Federal a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-secretário de Saúde, Álvaro Machado. Esse procedimento foi justificado diante da necessidade, segundo o delegado federal, de confirmar ou não a possível transferência dos recursos desviados dos cofres da Secretaria de Saúde. Os R$ 3,6 milhões desviados da Secretaria de Saúde tinham sido enviados pelo Ministério da Saúde para o atendimento básico aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e compra de medicamentos. ### Direção só fez denúncia um ano depois Ao sair do depoimento, que durou mais de quatro horas, o ex-secretário de Saúde Álvaro Machado afirmou que não teve nenhum envolvimento no desvio de recursos e que o ofício enviado pela CEF era ?evasivo? e não faria qualquer relação com o suposto desvio de recursos. Machado disse ainda que a decisão do delegado federal André Costa, de indiciá-lo, seria uma grande ?injustiça?. ?Eu estou sendo vítima de uma gritante injustiça, pois fui eu que fiz a denúncia ao Ministério Público e Polícia Federal, logo que fui informado do desvio de recursos da Secretaria de Saúde, que, até então, eu não sabia que estava acontecendo. Creio que cumpri meu dever, sou um homem íntegro e honesto e acredito nesses princípios?, disse Álvaro Machado, que comandou a Secretaria de Saúde de janeiro de 2001 a janeiro de 2005, sendo o que mais tempo ficou durante o governo Ronaldo Lessa. O assessor de comunicação social da Polícia Federal, Fábio Franciolli, afirmou que o delegado André Costa indiciou o ex-secretário de Saúde, Álvaro Machado, o ex-sub-secretário de Saúde, Jorge Villas Boas, e o ex-diretor-administrativo, Antônio Caldas, por considerar que os três dirigentes da Secretaria de Saúde, à epoca, poderiam ter evitado o desvio de recursos. ?Nesses casos, eles poderiam ter adotado providências imediatas após o encaminhamento de documentação da Caixa sugerindo possíveis irregularidades nas contas da Secretaria de Saúde?, diz Franciolli. GF/FF ### Acusados levaram dinheiro em meiões O ?rombo na saúde?, como ficou conhecido o desvio dos R$ 3,6 milhões, ironicamente foi denunciado pelo próprio Álvaro Machado. Em junho de 2004, ele convocou entrevista coletiva e, ao lado de Jorge Villas Boas e Antônio Guedes, apresentou cópias dos ofícios usados na fraude. Como ele, Villas Boas e Guedes também foram indiciados ontem. Irregularidade A irregularidade foi descoberta na conferência de contas da Secretaria relativas ao ano anterior, quando se descobriu que o então chefe da Contabilidade da Sesau, Eduardo Martins Menezes, realizava desde maio de 2003 transferências fraudulentas do dinheiro dessas contas para as de familiares e de empresas de conhecidos - alguns dos quais a polícia apurou que foram realmente usados de má-fé. FF ### Machado era a estrela tucana na gestão Lessa O ex-secretário de Saúde Álvaro Machado era a ?estrela? do PSDB no governo Ronaldo Lessa. Os tucanos até se gabavam de ter um dos melhores quadros no governo de ?aliança?, que se repete agora, com o senador Téo Vilela na cabeça de ?chapa?. Téo Vilela sempre foi o ?padrinho? de Machado, tanto no governo estadual, como no governo federal. Durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, Machado foi cogitado até para ministro da Saúde, mas terminou como coordenador nacional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). GF ///