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Política

Maioria � pobre, mulher e desiludida

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| ODILON RIOS Repórter As promessas são as mesmas, em todo ano de eleição: postos de saúde e policial, construção de canais, casas e escolas, mas, passada a votação, as palavras voam e as comunidades pobres e os bolsões de miséria continuam ao deus dará. A Gazeta foi a esses locais em que o poder público não chega, como Vale do Reginaldo, no Poço, e o Morro da Borracheira, no Pinheiro. Lá, os problemas são os mesmos, de eleição em eleição, falta segurança, saneamento, água encanada, esgoto. Os moradores destes dois locais formam o perfil mais exato do eleitorado alagoano, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cruzados pela Gazeta. ### Eleitores reclamam de promessas vazias Do outro lado da cidade, desponta o Vale do Reginaldo, lugar miserável espremido à beira do riacho Salgadinho e que resiste há 40 anos. O ?prestígio? do lugar atrai muitos políticos. Alguns passaram por ali, diz Madalena da Silva, 35, ensino fundamental incompleto, doze anos no Vale, um filho. ?A última promessa foi a respeito ao trânsito. Até agora nada. Promessas...?, afirma a dona de casa. ### Juiz culpa político por desilusão eleitoral Eugênio da Silva, 44, mora há cinco anos no Vale. Estudou até a quarta série, conhece bem os políticos e suas promessas. ?Vieram aqui, disseram que passaria um viaduto e tirar todo mundo daqui. Não saio daqui. Vão me colocar lá no Carminha?. O Carminha é um conjunto dentro do Benedito Bentes onde as pessoas reclamam do abandono e da violência. As reclamações de Eugênio são diferentes dos demais moradores e chegam a ser inusitadas. Perdeu a conta de quantas pessoas se jogaram do alto da ponte do Reginaldo, quarenta metros acima de sua casa. ?Prometeram colocar uma tela ali. Já vi muita gente cair da ponte e quebrar muito teto de casa aqui em baixo?. ### Promessas param na educação e saúde Para o sociólogo alagoano Cláudio Canuto, a explicação mais lógica para a desilusão do eleitorado com partidos e candidatos, vem também, e principalmente, pela sucessão de escândalos de corrupção no País. ?As promessas são práticas que se tornaram naturais, que se repetem todos os anos, a corrupção é que na verdade se transformou na desilusão do eleitor?, afirmou o cientista social. Segundo ele, a história da sociedade brasileira também serve de explicação para o fenômeno da desilusão e a quantidade de promessas. ///

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