Política
Esquerda domina voto entre sem-terras
| SEVERINO CARVALHO Repórter Maragogi ? Entre acampados e assentados, eles totalizam 20 mil e 250 famílias em Alagoas, de acordo com dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No Brasil, são milhões. Com a proximidade das eleições, os sem-terra são assediados por candidatos e cabos eleitorais em busca de votos, sobretudo aqueles que vivem em condições de miserabilidade, sob a escaldante lona preta. Para garantir o avanço no processo de reforma agrária, as lideranças orientam as bases para que votem apenas em políticos que defendam a causa dos pequenos trabalhadores rurais. ### Líderes assumem perfil político radical A radicalização do movimento sem-terra no Estado pode ser medida por um de seus representantes, o Marrom (do MLST), que ganhou notoriedade ao aparecer no Jornal Nacional da TV Globo como um dos mentores da invasão seguida de quebra-quebra do Congresso Nacional, em junho. ?Tenho 16 anos de militância no movimento agrário. Há algum tempo atrás não trabalhávamos a questão do voto, mas despertamos e temos a consciência de que tudo passa pela política?, enfatizou Marrom. ### ?Só não votamos nos latifundiários? Levando em consideração critérios sociais e de segurança, os oficiais do Centro de Gerenciamento da Polícia entram em ação para negociar o desbloqueio de rodovias pelos sem-terra e por outros grupos, antes que seja acionado o Batalhão de Operações Especiais (Bope) para desocupar o trecho de imediato e pelo uso da força. ### Ser ou não ser: Heloísa ou Lula? Os movimentos sociais em Alagoas convergem para o mesmo lado, a esquerda, mas no âmbito nacional terão de resolver um dilema. As lideranças garantem que os sem-terra vão decidir entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Heloísa Helena (P-SOL). Na prática, a orientação levada às bases nem sempre funciona. Vivendo em condições sub-humanas e decepcionados com escândalos de corrupção, muitos dos sem-terra ignoram a ideologia pregada pelos líderes. ///