Política
Fal�ncia do sistema prisional � desafio para novo governo
| Regina Carvalho Repórter O governador eleito por Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), terá um grande desafio pela frente: resolver - ou atenuar - a crise que assola o sistema penitenciário, que voltou a viver momentos truculentos nas últimas semanas com rebeliões, morte, fugas e a angústia de integrantes da Associação de Proteção e Assistência Carcerária (Apac), que foram mantidos reféns por três dias no Baldomero Cavalcanti, cenário de episódios violentos e considerado um presídio vulnerável. Novas exonerações vieram à tona, e mais uma vez presos exigiram o afastamento de um secretário de Ressocialização: o coronel PM Aurélio Rosendo, que assumiu o cargo há dez meses, no rastro da demissão e prisão de outro colega. ### NCCO tem plano de segurança para AL | PETRÔNIO VIANA Repórter A política de segurança pública para o Estado, a ser aplicada no governo do senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), deverá ser definida ou projetada a partir da próxima quarta-feira, 18, em reunião entre o governador eleito e membros do Judiciário que integram o Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCCO), criado este ano, após onda de violência. De acordo com o juiz Diógens Tenório, membro do NCCO, a reunião será a portas fechadas. ?O governador quer ouvir o núcleo com relação a um plano de segurança para o Estado. Nós temos um plano e vamos apresentá-lo?, antecipou Tenório. ### ?Sistema prisional é panela de pressão? A administração do sistema prisional alagoano será um outro desafio para o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Os números expressam a volta de momentos truculentos no sistema penitenciário. De janeiro a outubro, foram registradas 13 fugas em presídios e três rebeliões. O advogado Tutmés Ayran, que foi secretário de Justiça e Cidadania na primeira gestão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) e participou da criação do Complexo Prisional, conta como foi o processo. PV ### Lei de Execuções Penais não é cumprida O ex-secretário de Justiça e Cidadania, Tutmés Ayran, lembra ainda da possibilidade de surgimento de organizações criminosas dentro dos presídios alagoanos, a exemplo do Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, e do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo. ?Não se domina com opressão. No estatuto do PCC, existe a idéia de se espalhar. Tem que haver a preocupação para que esse nível não chegue a Alagoas. O governo tem a tarefa de se preparar para responder e fechar as portas para as organizações. Oprimir não resolve. É preciso fazer valer os direitos dos presos. A aplicação da Lei de Execuções Penais seria ótimo, uma revolução?, alerta Ayran. PV ### Rosendo vê corrupção no sistema O secretário de Ressocialização, coronel Aurélio Rosendo, prefere não rebater as críticas. Diz que há um grupo dentro da secretaria que ele comanda que tenta prejudicar seu trabalho e denuncia corrupção no sistema penitenciário. ?Soubemos que pessoas [servidores da secretaria] recebiam dinheiro para facilitar a entrada de cachaça, serra, espeto, celular e drogas. Pessoas ganhavam para fazer esse serviço?, confirmou Rosendo, declarando em seguida que determinou afastamento de pessoas envolvidas em corrupção, mas admite que o problema é difícil de ser resolvido. RC ///