Política
C�mara vai apurar saques at�picos realizados ap�s mudan�as de fundos
A Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados vai apurar se houve informação privilegiada no caso dos saques atípicos da semana que antecedeu a mudança nas regras dos fundos de renda fixa. Ela decidiu convocar o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para prestar informações sobre as mudanças. Requerimento nesse sentido, do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), já foi aprovado pela Comissão. A data ainda não está definida. Os deputados querem saber por que o governo decidiu antecipar as alterações nas regras de contabilidade dos fundos, que estavam previstas para o mês de setembro. A mudança repentina pegou os investidores de surpresa, resultando na perda de recursos aplicados nos fundos de investimentos. Mas há suspeitas de que nem todos os investidores foram surpreendidos pela mudança. Há denúncias de que grandes investidores teriam sacado quantias volumosas dos fundos de investimentos às vésperas da alteração nas regras - o que levanta suspeitas de que esses investidores teriam acesso a informações privilegiadas. A Comissão de Finanças e Tributação também quer apurar o que ocorreu. Risco Ricardo Berzoini defende que a reunião com o presidente do Banco Central seja aberta, para que as explicações do governo sobre o fato sejam dadas de forma transparente. ?Na verdade, o risco que ocorre toda vez que se toma uma decisão abrupta como essa que o Banco Central tomou é que alguém se beneficie, ou por vazamento de informação ou por direcionamento de informação. Obviamente, isso requer uma investigação. Uma audiência pública é o ponto de partida para dar início a uma investigação, que pode ser pela Comissão de Fiscalização da Câmara, pelo Ministério Público ou outros instrumentos que nós tenhamos para fiscalização?. A carteira de fundos de renda fixa de algumas instituições financeiras encolheu até 42,6% na semana anterior às mudanças de cálculo das cotas, que causaram prejuízo de até 7% para os investidores. O campeão dos saques foi o Banco do Estado do Amazonas (BEA), comprado pelo Bradesco em janeiro: R$ 30,737 milhões foram resgatados entre os dias 21 e 28. No caso do Banco do Estado de Goiás (BEG), arrematado no ano passado pelo Itaú, as retiradas foram de R$ 59,537 milhões, ou 37% do total, no mesmo período. Segundo a direção do Bradesco, os saques no BEA foram de um único cotista do fundo BEA FIF Curto Prazo e envolveram ?recursos públicos destinados a despesas programadas antes da privatização?. Resgate O Itaú não quis comentar os resgates no BEG. De acordo com relatório do site Fortuna, com base em dados da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid, que representa a indústria de fundos), houve resgate líquido de R$ 1,8 bilhão na semana que antecedeu o anúncio das novas regras, conforme revelou, na última quinta-feira. Entre os dias 14 e 21, a captação havia sido positiva em R$ 1,7 bilhão. As instituições em que ocorreram o maior volume de saques foram, pela ordem, Banco do Brasil, Votorantim Asset, Nossa Caixa, Mellon Brascan DTVM, BEG, Pactual Asset, ABN Amro Real, Unibanco, Dresdner Asset Management, HSBC Investment Bank, Itaú e BEA. O diretor-executivo do Votorantim Asset, Marco Antônio Fichtner, disse que não houve retirada, mas sim uma mudança de classificação do fundo FIF Vintage, de renda fixa exclusivo para empresas, para outro de renda variável. Quase R$ 70 milhões saíram dos fundos do Mellon Brascan por causa da venda da área de private bank para o Investa, do Grupo Itaú, explicou Roberto Pitta, diretor comercial da instituição. ??Não teve nada a ver com a nova metodologia??, afirmou. BB, Pactual Asset e Unibanco consideraram a movimentação de saques normal. Nossa Caixa, ABN e Dresdner Asset não comentaram o caso. Os bancos, no entanto, devem ter problemas com a contabilidade de suas carteiras de títulos, já que em alguns casos a marcação pelo valor de mercado, e não de face, traria perdas milionárias.