Política
Especialista diz que voto eletr�nico amplia chance de fraude
O professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Rezende, afirmou que a urna eletrônica criou riscos de novos tipos de fraude, antes impensáveis, e que a adulteração de votos agora é possível ?por atacado?. Crítico da segurança do sistema eletrônico, em uso desde 1996, Rezende afirma que a nova modalidade de voto tornou a apuração ?privada? e chama o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ?o dono da urna?. Ele sugere a possibilidade de o próprio TSE promover a fraude e sustenta que o órgão não assegura a transparência necessária para dissipar as dúvidas sobre a confiabilidade desse sistema. Rezende coordena um programa de extensão em criptografia e segurança computacional da UnB. Ele é doutor em Matemática pela própria Universidade de Brasília e Ph.D. em Matemática Aplicada pela Universidade da Califórnia em Berkeley. Rezende criticou a participação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações (Cepesc), ligado à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), na preparação do sistema do voto informatizado. Esquema O órgão é responsável pelos sistemas criados para impedir a violação dos disquetes retirados das urnas e inseridos nos computadores da Justiça Eleitoral, mas, segundo ele, o TSE não permite que fiscais dos partidos fiscalizem esses programas. De acordo com o professor, a fraude do voto eletrônico é simples. ?Bastam quatro linhas de números, misturados com X ou Y e pronto. Está montada uma fraude eleitoral em escala nacional. Um em cada 40 votos poderá, por exemplo, ser transferido de um candidato para outro, modificando a escolha dos eleitores. Em tese, qualquer técnico de informática que tenha acesso aos programas de sistema eletrônico de votação do TSE pode realizar tal operação?, ressaltou Rezende. Ele acrescentou que como o acesso aos códigos-fonte (espécie de DNA do programa) é restrito ao TSE, o sistema eleitoral se torna inauditável pelos partidos políticos. Neste caso, fica sempre a dúvida se a hipotética fraude mencionada teria condições de ocorrer. Fiscalização De acordo com Pedro Rezende, não há como saber também se o modo operacional e os aplicativos de voto utilizados nas mais de 400 mil urnas eletrônicas de todo o País estariam funcionando em perfeitas condições. Ninguém, a não ser o TSE, pode certificar a correta funcionabilidade do sistema que vai ser utilizado nas eleições deste ano. ?O TSE quer um sistema que dê rapidez ao processo eleitoral, mas não permite a sua correta fiscalização?, afirmou o especialista. ?Sem o acesso aos códigos-fonte e à verificação de integridade dos arquivos em todas as etapas, fica impossível saber se houve fraude ou não?, completou. Rezende alerta, no entanto, para outras formas possíveis de adulteração do processo eleitoral. Além do TSE, a empresa que criou os ?softwares? também possui acesso aos códigos-fonte. Outro complicador mencionado pelo espe-cialista é a transmissão dos programas que serão utilizados pelos cartões de memória das urnas eletrônicas, que é feita por uma empresa terceirizada. ?Em todas as etapas em que esses programas passarem, há, sim, a possibilidade de adulteração?, salientou Rezende.