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Nº 5647
Política

PF DEFLAGRA OPERAÇÃO PARA APURAR CRIMES COMETIDOS PELA BRASKEM

Batizada de “Lágrimas de Sal”, investigação mira diretor, gerentes, técnicos e consultores da empresa

Por Da Redação - com agências | Edição do dia 22/12/2023 - Matéria atualizada em 22/12/2023 às 04h00

A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a Operação Lágrimas de Sal, para investigar possíveis crimes cometidos durante os anos de exploração de sal-gema pela Braskem em Maceió.

As investigações da PF apuraram indícios de que as atividades de mineração desenvolvidas no local não “seguiram os parâmetros de segurança previstos na literatura científica e nos respectivos planos de lavra, que visavam garantir a estabilidade das minas e a segurança da população que residia na superfície”.

De acordo com o portal G1, os alvos das buscas foram o diretor industrial da empresa, Àlvaro César Oliveira de Almeida; os gerentes de produção Marco Aurélio Cabral Campelo, Paulo Márcio Tibana e Galileu Moraes; e os responsáveis técnicos Paulo Roberto Cabral de Melo e Alex Cardoso da Silva, além de consultores da empresa.

Todos os alvos de buscas também tiveram a quebra de sigilo telemático, por meio do qual a PF poderá rastrear conversas por aplicativos de mensagem e por e-mail.

Nas buscas, a PF mirou documentos como pareceres, estudos, troca de e-mails, mensagens, conteúdo que possa esclarecer se a empresa sabia dos riscos existentes, se omitiu documentos, contratou pareceres dirigidos; quem teve conhecimento das informações internamente; e quem decidiu ou se omitiu na empresa durante esse processo de afundamento dos bairros.

DADOS FALSOS

De acordo com as apurações feitas até agora, foram identificados indícios de apresentação de “dados falsos e omissão de informações relevantes aos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização da atividade, permitindo assim a continuidade dos trabalhos, mesmo quando já presentes problemas de estabilidade das cavidades de sal e sinais de subsidência do solo acima das minas”.

A superintendente da Polícia Federal em Alagoas, delegada Luciana Paiva Barbosa, disse que a investigação constatou uma “discordância entre o que foi realizado efetivamente na mina e aquilo que estava na autorização dada à empresa”.

“A investigação não é apenas sobre a mina que se rompeu, mas sobre toda a atividade da mineradora na região”, ressaltou

Segundo a PF, os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de poluição qualificada, usurpação de recursos da União, apresentação de estudos ambientais falsos ou enganosos, inclusive por omissão, entre outros delitos.

“A gente quer entender o que de fato aconteceu dentro da cadeia de comando da empresa”, afirmou o delegado Marcelo Franca, que está à frente da investigação “Para isso, conseguimos apreender documentos e aparelhos eletrônicos que irão subsidiar as conclusões do nosso trabalho”, disse.

OPERAÇÃO

Com aproximadamente 60 policiais federais, foram executados 14 mandados judiciais, sendo 11 na sede da mineradora, no Pontal da Barra, em Maceió, dois no Rio de Janeiro e um em Aracaju-SE. Todos foram expedidos pela Justiça Federal do Estado de Alagoas.

O nome daoperação, Lágrimas de Sal, é referência ao sofrimento causado à população pela atividade de exploração de sal-gema.

Segundo a PF, técnicos que atuaram na avaliação dos rompimentos das barragens de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), em Minas Gerais, vão colaborar na investigação.

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