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Política

TERRA SE MOVIMENTA PRÓXIMO DAS 19 MINAS NO ENTORNO DA LAGOA

Geólogo da Defesa Civil Municipal revela preocupação com cavidades 20 e 21 por causa dos impactos causados pelo colapso parcial da 18

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 23/12/2023 - Matéria atualizada em 23/12/2023 às 04h00

A terra continua se movimentando em escala milimétrica na região onde estão as 19 minas de sal-gema da Braskem, dentro e nos manguezais da Lagoa Mundaú, entre os bairros de Bebedouro, Mutange e Bom Parto. A movimentação é maior na região próxima da mina 18, que ainda está em fase de autopreenchimento, numa profundidade estimada em um quilômetro.

A revelação é do geólogo Eduardo Bontempo, do Centro Integrado de Monitoramento da Defesa Civil Municipal. Ele destacou, que atualmente a preocupação é maior com as minas 20 e 21. “Precisamos saber qual a situação das cavidades delas e se sofreram impacto da mina 18”, ressalta.

Segundo Bontempo, as 35 minas não podem mais voltar a extrair o minério. Mesmo depois de fechadas, terão de ser monitoradas por décadas. O geólogo e seus colegas da Agência Nacional da Mineração, do Serviço Geológico do Brasil e da Universidade Federal de Alagoas recomendam a utilização de equipamentos como sonar o mais rápido possível nessas duas cavidades.

“Há necessidade de monitorar a integridade das duas minas. Na verdade, todas têm de ser monitoradas. As informações não são precisas, na maioria dos casos”, afirma Bontempo. Ele lembra que a mina 18 era monitorada por um sonar.

“Até o dia 4 de dezembro, ela apresentava situação de normalidade e se preparava para preenchimento com material sólido (areia). No dia seis ocorreram os eventos microssísmicos e aí não foi possível mais acessar informações da cavidade, pois os equipamentos pararam de mandar informações. Sabemos que houve uma anomalia [possível colapso da mina] e mais nada”, admitiu.

No mais recente relatório que a Braskem encaminhou à Agência Nacional de Mineração, consta também que o último dado do sonar na cavidade 18 é de 4 de novembro. Nas minas 20 e 21, o último é datado de 1º de novembro. As minas 14 [consta como preenchimento natural].

RISCO POTENCIAL

O coordenador da Defesa Civil Municipal, Abelardo Nobre, diz que tanto o plano de relocação dos moradores, quando o de interdição das vias principais e o trabalho de preenchimentos e monitoramento da Defesa Civil em turno de 24 horas se justifica por causa do risco potencial.

Nobre afirma que sempre existiu a possibilidade de colapso ou de desmoronamento de cavidades que estão dentro da lagoa.

“O risco é potencial porque está condicionado a poder ocorrer. Isso é diferente da ocorrência da mina 18, que passou para risco iminente. As outras também podem passar por situação semelhante. Nas que foram preenchidas, a previsão é de ‘risco zero’, avalia Nobre

Atualmente, as minas são monitoradas em tempo real, por meio de equipamentos como o piezômetro, que mede a pressão e a temperaturas das cavidades, e o DGPS, que verifica o deslocamento vertical e horizontal na área das cavidades].

A pesca e a captura de sururu nos trechos marcados com boias de sinalização permanecem suspensas e não há previsão de liberação da área.

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Moisés Melo, ressaltou que a situação é localizada e concentrada na área delimitada onde estão os 35 poços. “Não há risco para os outros bairros e muitos menos nas áreas de turismo”.

As 35 minas de extração de sal gema da Braskem foram paralisadas em 2019. Entre elas, 19 estão dentro da lagoa e nas margens dos manguezais, entre os bairros de Bebedouro, Mutange e Boa Parte. Dessas, quatro estão com material sólido. Todas as minas têm que ser monitoradas para sempre, admite o superintendente da ANM, Helder Pasti.

Pasti revelou que, dos 35 poços, 9 foram preenchidos, sendo que cinco de maneira artificial. Há uma possibilidade, considerada pelos técnicos, de que quatro minas se autopreencheram. Não há confirmação dessa tese porque os geólogos não definiram ainda o que pode ter acontecido.

“Não há como garantir que estão totalmente preenchidas. É preciso fazer inspeção”, admitiu o geólogo Eduardo Bontempo. “Todas apresentam algum tipo de problema. Todas têm de ser monitoradas com equipamentos de precisão”.

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